Geografia Espao e Vivncia - 1 parte

Levon Boligian - 5 srie

Apresentao

Todos conhecemos bem nossa casa, nosso bairro, nosso municpio. Ao longo do tempo, podem ocorrer diversas transformaes nas paisagens desses lugares. O bairro pode ganhar novas ruas e casas, alm de novos estabelecimentos comerciais. Os rios e ribeires que cortam as reas urbana e rural podem ter seus cursos canalizados ou neles podem ser construdas represas. Bosques podem ser derrubados e suas reas ocupadas por  plantaes ou por pastagens. Esses espaos so exemplos de lugares que deixaram de ter uma natureza intocada, pois foram transformados pelos seres humanos.  o que expressam as imagens da capa deste volume de 5a srie.

Assim como no lugar onde vivemos, o nosso planeta tambm est em constante transformao. Muitas vezes, de maneira to rpida e complexa que nem nos damos conta.

O estudo da Geografia possibilita uma melhor percepo das alteraes produzidas pelos seres humanos e pela prpria  natureza nas paisagens terrestres. Essa cincia nos leva a refletir sobre tais transformaes e a analisar a realidade, tanto do lugar onde vivemos, como de nosso pas e do mundo. Dessa forma, podemos interagir com essa realidade, relacionando-nos melhor com as pessoas e participando mais ativamente da vida em comunidade, o que leva a um exerccio mais pleno de nossa  cidadania.

A coleo GEOGRAFIA: Espao e Vivncia prope-se a nos  auxiliar nessa trajetria, apresentando-se como um instrumento de apoio na compreenso dos processos e fenmenos que nos cercam, sejam eles sociais ou naturais, a fim de construirmos, etapa por etapa, nosso conhecimento geogrfico.  Os autores

Sumrio

-Introduo

O seu lugar e os outros lugares 11

Os lugares do nosso dia-a-dia  12

As relaes entre os lugares 13

Lugar e paisagem 14

O que as paisagens revelam 15

A paisagem e o tempo 16

Os lugares, as paisagens e o espao geogrfico 17

Geografia: o estudo do espao 18

Atividades 19

-Unidade I

Representao do espao geogrfico 20

-Captulo 1

Orientao e localizao 21

Como se orientar na superfcie terrestre 21

 Orientao pelos astros

	 Orientao por instrumentos

Como se localizar na superfcie terrestre 23

 Paralelos e latitudes

	 Meridianos e longitudes

	 Coordenadas geogrficas

Atividades 25

Leitura - A bssola das aves 26

-Captulo 2

Os mapas

A importncia dos mapas

A produo dos mapas

	 Fotografia area

      Imagens de satlite

Atividades

-Captulo 3 

A linguagem dos  mapas e dos grficos

Convenes cartogrficas

Escala
	Escala numrica e escala grfica 

	Variao da escala 

Mapas temticos

	Planta, planisfrio e globo geogrfico

Como interpretar um mapa

Grficos

	Grfico de colunas

	Grfico circular

	Grfico de linha

Atividades

-Unidade II

Planeta Terra

-Captulo 4

A Terra e o Universo

Vises da Terra

	A cincia e as descobertas sobre 

	a Terra e o Universo

O endereo da Terra

	A Terra e o Sistema Solar

Idade da Terra

Atividades

-Captulo 5

Movimentos da Terra
Movimento de rotao
	 Zonas trmicas da Terra
	Fusos horrios
Movimento de translao
	Estaes do ano
	Solstcios e equincios
Atividades
Leitura - A sombra dos astros
Captulo 6

Terra, planeta da vida
A biosfera
	 Constituio da biosfera
	 Ecossistema
Atividades

Unidade III 

Litosfera

Captulo 7 
Do interior  superfcie terrestre
A estrutura da Terra
A Terra conta sua histria
	A reconstituio de antigos ambientes terrestres
A importncia das rochas e dos minerais para a sociedade
O solo
Atividades
Captulo 8

O relevo e suas formas
Relevo continental
	 O relevo brasileiro
Relevo submarino
Atividades
Captulo 9

Formao e transformao do relevo
Fatores internos
	O tectonismo e o movimento das placas
	Vulcanismo
Fatores externos
	Ao da gua
	Ao das geleiras
	Ao dos ventos
	Ao humana sobre o relevo
Atividades
Leitura - Os caadores de vulces
Captulo 10

Os minerais so recursos da natureza
Recursos naturais
Recursos minerais
	Recursos minerais brasileiros
Recursos energticos fsseis
	Petrleo
	Carvo 
As jazidas esto se esgotando
Atividades
Unidade IV 

Hidrosfera
Captulo 11

guas continentais
O movimento e a origem da gua na Terra
Rios e lagos
	Regime de um rio
Bacia hidrogrfica
 Bacias hidrogrficas brasileiras
O aproveitamento das guas continentais
 As guas subterrneas
 As guas da superfcie
Geleiras
Poluio das guas continentais
Atividades
Captulo 12

guas ocenicas
O que so oceanos e mares
Caractersticas das guas ocenicas
	Salinidade e temperatura
	Movimento das guas ocenicas
Importncia das guas ocenicas
	Oceanos e mares: fontes de alimento
	A navegao martima mercante
	O turismo em reas litorneas
Poluio das guas ocenicas
	Esgotos e produtos txicos
	Poluio pelo petrleo
Atividades
Leitura - Jacques Cousteau:
	O amigo das guas

Unidade V

Atmosfera

Captulo 13

A atmosfera e seus fenmenos

Origem da atmosfera e suas camadas
Mudanas do tempo
 Por que o tempo muda
Elementos e fenmenos atmosfricos
	Temperatura atmosfrica
	Presso, temperatura e ventos atmosfricos
	Umidade atmosfrica
	Precipitaes atmosfricas
A previso do tempo
	Alta tecnologia nas previses do tempo
	A importncia da previso do tempo
Atividades
Leitura - Ser que vai chover amanh?
 
Captulo 14

Tipos de clima
Climas da Terra
 Por que existem climas diferentes
Climas do Brasil
O clima e sua influncia sobre a vida do ser humano
Atividades

Captulo 15

Poluio atmosfrica e clima
Chuva cida
Diminuio da camada de oznio
Efeito estufa
Inverso trmica
Como reduzir a poluio do ar
Atividades

Unidade VI

Natureza e sociedade

	Captulo 16

As paisagens e a sociedade humana
A biosfera e as paisagens da Terra
	Paisagem natural
	Paisagem humanizada
As paisagens rural e urbana
 Paisagem rural
 Paisagem urbana
Atividades
Leitura - Parque Nacional do Iguau - a ltima floresta 

Captulo 17

As atividades econmicas
O trabalho e as atividades econmicas
A interdependncia entre o campo e as cidades
Agricultura
	Produo agrcola brasileira
Criao de animais
Extrao de recursos naturais
Indstria: transformao das riquezas naturais0
	O que  matria-prima
	Tipos de indstria
	Fatores da localizao industrial
Atividade industrial no Brasil
Comrcio e prestao de servios
	 Consumo e consumidores
Atividades

Captulo 18

Populao brasileira
O que  populao
	Crescimento da populao brasileira
	Distribuio espacial da populao brasileira
	Estrutura da populao brasileira
Atividades
Concluindo nossos estudos
Para ler e pesquisar
Bibliografia
Crditos das imagens

Conhea seu livro

Quando conhecemos o modo como o nosso livro  organizado, podemos aproveitar melhor todos os seus recursos: textos, mapas, ilustraes, grficos... Isso facilita o acompanhamento das aulas e os estudos individuais. Veja, a seguir, algumas caractersticas do seu livro de Geografia.

Aberturas de unidade
Essas pginas apresentam certos recursos, como textos e/ou imagens (fotografias, ilustraes, mapas) e tambm alguns questionamentos. Esses recursos servem para despertar seu interesse sobre os temas das unidades. Eles oferecem um primeiro contato com os assuntos que voc ir estudar nos captulos seguintes.

Pginas de contedo (I)
Os captulos tambm podem comear com alguns questionamentos, que servem como ponto de partida para o estudo, permitindo que voc exponha o que j sabe sobre o tema que ser tratado.
Nessas pginas encontra-se o texto principal do captulo. Quando um conceito ou definio  apresentado pela primeira vez, a palavra vem destacada.

Pginas de contedo (II)
Nas pginas de contedo, as imagens aparecem, geralmente, acompanhadas de legendas. A leitura desses recursos  de grande importncia para a compreenso dos assuntos estudados.
Ao longo dos captulos tambm so apresentados textos em boxes, com estudos de caso ou informae complementares, que enriquecero o assunto estudado na pgina.

Pginas de atividades
Ao final de cada captulo voc sempre encontra uma pgina de atividades. Nessas pginas so apresentadas questes que visam reforar e ampliar a sua compreenso do contedo estudado. Existem ainda atividadesvariadas, como: anlise de mapas, grficos, fotografias e ilustraes; realizao de pesquisas; trabalhos em grupo; debates; elaborao de mapas, cartazes e textos. Tudo para que voc enriquea seus estudos.

Pginas de leitura
Essas pginas, que aparecem ao final de muitos captulos, apresentam textos diversos ligados ao contedo estudado. Esses textos possuem uma linguagem descontrada, e os temas neles abordados certamente despertaro a sua curiosidade e o seu interesse pela leitura. 

Geografia 

Introduo

O rio Funil, em Ouro Preto, Minas Gerais,  um exemplo de como a sociedade constantemente transforma o espao. Esse curso d'gua foi canalizado e no corre mais em seu leito natural. Alm disso, at bem pouco tempo ele era poludo. O mau cheiro de suas guas incomodava os alunos de uma escola prxima, que ento se organizaram e reivindicaram  prefeitura a sua limpeza. O rio foi novamente transformado. 

Ns, seres humanos, modificamos o ambiente terrestre em que vivemos. Ao utilizarmos rios, florestas, solos, minerais, entre outros elementos, transformamos o espao. Os alunos de Ouro Preto foram agentes da transformao do rio Funil, a fim de melhorar o lugar onde vivem.
A Geografia nos auxilia a refletir a respeito das relaes entre os seres humanos e destes com os elementos naturais.

Os gregos foram os precursores dos estudos geogrficos, h milhares de anos. A palavra geografia, inclusive, vem da lngua grega e significa "descrio da Terra" (geo = Terra; grapha = descrio). Voc j conhecia essa palavra? Nas sries anteriores, j estudou algo sobre Geografia? Converse com seus colegas e verifiquem o que vocs sabem a respeito dessa cincia.

O seu lugar e os outros lugares

Os rios, os mares, as montanhas, entre tantos outros elementos naturais, ocupam um determinado lugar na superfcie terrestre.
Assim como os demais seres vivos, cada ser humano habita um lugar sobre a Terra. Esse lugar pode ser uma cidade, uma fazenda, um deserto, uma ilha, enfim, qualquer ponto na imensido do nosso planeta.
Dessa forma, quando queremos localizar algo ou algum no espao terrestre, sempre nos referimos a um determinado lugar. Esse lugar, por sua vez, faz parte de outros lugares.

A casa, a rua, o bairro so, em geral, os lugares mais prximos de ns. Eles representam o ponto de partida para descobrirmos a nossa localizao, o nosso endereo no espao terrestre.

Nem todos vivem nas cidades. Muitas pessoas moram em reas rurais. Tanto as cidades como as reas rurais fazem parte de lugares maiores: os municpios.

Um municpio  parte integrante de um estado. Esse estado, junto com outros, compe um lugar mais amplo: o nosso pas.

O Brasil est localizado no continente americano, que, por sua vez,  um dos cinco continentes terrestres.

Como  o lugar onde voc mora? Ele est localizado na rea rural ou na rea urbana de um municpio? A que estado brasileiro esse municpio pertence? Qual  o lugar mais interessante que voc j conheceu? Conte para os seus colegas por que ele chamou tanto a sua ateno.

Os lugares do nosso dia-a-dia

No caminho de casa at a escola percorremos lugares diferentes. So lugares que conhecemos bem. Como so os lugares por onde voc passa em seu trajeto de casa at a escola?

Alm da casa em que moramos, todos ns acabamos por freqentar muitos lugares diariamente. Veja o exemplo de uma pessoa que trabalha e estuda em uma grande cidade. Ela precisa freqentar diversos lugares todos os dias, como o ponto de nibus prximo  sua casa, o seu local de trabalho e a escola onde estuda. Muitas vezes, essa pessoa acaba visitando outros lugares que no fazem parte de sua rotina diria: uma praa ou um parque do bairro, o cinema, a casa de parentes e amigos...
Lugares como a rua, o bairro, o local de trabalho, a escola e o parque tambm fazem parte do cotidiano de muitas outras pessoas.

As imagens acima mostram o dia-a-dia de um garoto que vive na cidade. Quais os lugares que ele costuma freqentar? E voc? Conte para seus colegas como  o seu cotidiano.

As relaes entre os lugares

Como vimos, a rua, o bairro e a escola fazem parte do cotidiano de muitas pessoas. Alm desses lugares,  possvel conhecermos tambm lugares distantes e diferentes daqueles que freqentamos diariamente. Isso pode acontecer de maneira direta, quando viajamos, ou de maneira indireta, quando assistimos ao noticirio na televiso ou lemos livros, jornais e revistas. 
Por outro lado, mantemos relaes com certos lugares que, muitas vezes, nem imaginamos que existam. Esse fato ocorre, por exemplo, quando nos alimentamos de um po, cujo trigo foi cultivado e colhido por trabalhadores de um outro municpio, estado ou, ainda, de outro pas. O mesmo ocorre quando abastecemos o carro, pois a gasolina consumida passou por diversos lugares e etapas, desde a prospeco* do petrleo at chegar aos consumidores nos postos de combustveis.
Os lugares, por mais distantes que estejam, acabam mantendo relaes entre si, o que muitas vezes pode influenciar o modo de viver das pessoas e tambm as caractersticas que esses lugares possuem.
Observe as imagens abaixo e conhea outro exemplo de relaes entre os lugares.

Observando as imagens acima, descreva os lugares mostrados em cada uma delas e quais as relaes existentes entre eles. Troque idias com seus colegas sobre outros exemplos de relaes entre lugares.

prospeco: pesquisa do subsolo que objetiva localizar reservas, como as de petrleo, e calcular sua dimenso e valor

Lugar e paisagem

A superfcie terrestre possui uma infinidade de lugares com paisagens diferentes. Uma paisagem  composta pelos diversos elementos existentes em um determinado lugar. Esses elementos podem ser naturais, como rios, morros e florestas, ou construdos pelo ser humano, como estradas, pontes e casas.
A visualizao dos elementos de uma paisagem pode ser feita por partes, desde os elementos mais prximos at os mais distantes de quem os observa. Essas partes so chamadas planos da paisagem.
No primeiro plano sempre esto os elementos mais prximos de quem est observando uma paisagem. Nele, os elementos podem ser observados com maior clareza que nos outros planos.
No ltimo plano esto os elementos da paisagem mais distantes de quem a est observando.

Paisagem

Paisagem da cidade de guas de Lindia, no interior do estado de So Paulo, e rea rural prxima.

Planos da paisagem

Linha do horizonte
3o plano

2o plano

1o plano

Relacione os elementos naturais e humanos existentes em cada um dos planos dessa paisagem. Em qual dos planos predominam elementos de uma rea urbana? E em quais deles predominam elementos de uma rea rural?

O que as paisagens revelam

Cada paisagem possui caractersticas que a tornam nica. Na realidade, pode-se afirmar que no existem, na superfcie terrestre, duas paisagens originalmente idnticas, ou seja, exatamente com as mesmas caractersticas.
As particularidades existentes na paisagem de um lugar expressam-se pela diversidade de seus elementos naturais e humanos. No caso da paisagem de uma cidade, essas caractersticas podem estar no traado das ruas, na arborizao*, na quantidade de pessoas e de veculos em trnsito, no estilo das construes ou em seus monumentos. Na paisagem de uma rea agrcola, as peculiaridades podem estar nos tipos de lavoura e de criao, no relevo plano ou acidentado, na formao vegetal predominante e assim por diante.
A partir da observao dessas caractersticas das paisagens, podemos identificar como os habitantes dos diversos lugares do planeta relacionam-se com a natureza e, em sociedade, como desenvolvem suas atividades, quais so seus costumes e tradies.
Enfim, as paisagens expressam a relao dos seres humanos com o espao em que vivem.

Terraos de cultivo de arroz na sia. A rizicultura  uma atividade agrcola muito praticada em vrios pases da sia, onde o arroz  o alimento bsico de suas populaes. Nas regies montanhosas desses pases foi necessrio o desenvolvimento de tcnicas que permitissem o plantio em reas de relevo ngreme, dando origem aos chamados terraos.

Regio de Colnia, na Alemanha. Paisagens como essa so comuns em diversas cidades europias. Boa parte dos pases desse continente so altamente industrializados, ou seja, possuem muitas e variadas indstrias.

Observe as paisagens acima. Qual ou quais caractersticas mais chamaram sua ateno em cada uma das paisagens apresentadas? Existem diferenas entre as atividades desenvolvidas pelos habitantes desses dois lugares? Voc saberia dizer que diferenas so essas? 

arborizao: conjunto de rvores plantadas em determinado lugar (praas, bosques, ruas, etc.)

A paisagem e o tempo

As paisagens terrestres tambm nos revelam a histria dos lugares. Nelas esto registradas as transformaes pelas quais os elementos da natureza e os da sociedade tm passado com o decorrer do tempo.
Essas transformaes ocorrem por meio de processos ou de fenmenos naturais (eroso de uma montanha, erupo de um vulco, mudanas climticas) ou pela interferncia do ser humano (crescimento das cidades, derrubada de florestas, construo de pontes, estradas ou hidreltricas, mudana da fachada das casas e prdios).

Os cnions so vales profundos escavados pela ao das guas dos rios durante milhes de anos. As paredes abruptas do Grand Canyon (EUA), ao lado, mostram como o rio Colorado desgastou, no decorrer do tempo, as rochas existentes em suas margens.

Nas construes de uma cidade podemos identificar aspectos do  passado e sinais das transformaes ocorridas recentemente. No estado de Pernambuco, as construes da cidade de Olinda (em 1o plano), algumas com mais de trezentos anos, contrastam com a modernidade dos prdios do centro de Recife, ao fundo.

Pense nas imediaes do lugar onde voc mora e tente lembrar-se do que mudou na paisagem nos ltimos meses ou mesmo nos ltimos anos. Faa uma relao dessas mudanas e tente descobrir o que, provavelmente, as ocasionou. Procure saber que mudanas seus colegas perceberam nas paisagens do lugar onde moram.

Os lugares, as paisagens e o espao geogrfico

Atualmente so poucos os lugares e as paisagens sobre a superfcie terrestre que ainda no sofreram diretamente a ao humana. Porm, nos primeiros tempos de sua existncia, h muitos milhares de anos, o ser humano pouco alterava os elementos da natureza, retirando dela apenas o que necessitava para sobreviver.
No decorrer da histria, determinadas sociedades passaram a desenvolver novas tcnicas e novos instrumentos, permitindo que mais recursos pudessem ser extrados da natureza. Por meio do trabalho, esses grupos humanos comearam a cultivar lavouras, criar vrios tipos de animais, construir estradas, cidades e fbricas, produzindo riquezas, como alimentos, roupas, mquinas e edifcios. 
Assim, as transformaes causadas  natureza por essas sociedades tm sido cada vez maiores.
Em contrapartida, outros grupos sociais vivem, atualmente, da coleta e da caa ou desenvolvendo o pastoreio e a agricultura com tcnicas que, apesar de rudimentares, proporcionam condies para a sua subsistncia.
De qualquer forma, tanto nas sociedades tecnologicamente mais avanadas, como naquelas mais tradicionais, o espao terrestre est sempre sendo modificado. Tais alteraes no ocorrem apenas nos lugares onde a humanidade habita, mas tambm em todos aqueles lugares que recebem, de alguma forma, a interferncia das atividades humanas, como os oceanos e a atmosfera terrestre. Esse espao ocupado e transformado pela sociedade recebe o nome de espao geogrfico.

No mundo de hoje, sociedades que se utilizam de tcnicas rudimentares convivem com outras que dominam tcnicas extremamente sofisticadas. Em qualquer um dos casos, o ser humano est constantemente transformando o espao terrestre, apropriando-se, inclusive, de lugares localizados alm da sua superfcie.

Astronautas tripulantes de nibus espacial colocam satlite artificial na rbita da Terra.

Rodovia dos Imigrantes, que liga a capital do estado de So Paulo ao seu litoral.

Utilizao de arado com trao animal em plantao de arroz na sia.

Geografia: o estudo do espao

Como foi possvel perceber, o ser humano est constantemente modificando os lugares e as paisagens de nosso planeta. A Geografia preocupa-se em compreender de que maneira e por quais motivos a sociedade transforma o espao terrestre em espao geogrfico. Da mesma forma, procura entender como os diversos processos e fenmenos naturais (a transformao do relevo e dos solos, as variaes climticas, a cheia e a vazante dos rios, etc.) modificam as paisagens e de que maneira podem interferir nas atividades humanas.
A Geografia tambm nos auxilia a desvendar as relaes existentes entre os seres humanos, que se apresentam, por exemplo, nas formas de trabalho, nas desigualdades sociais (poucos ricos, muitos pobres) ou nos costumes diferentes entre os povos.
Agora, observe com bastante ateno as fotografias a seguir.

Parque Nacional da Serra dos rgos, RJ.

Estao de metr da S, em So Paulo, capital.

Desmatamento e queimada em Rondnia.

Conjunto habitacional no municpio de Varginha, MG.

A Geografia procura compreender fenmenos e processos tanto naturais quanto sociais, alm da interao entre eles. Sabendo o que essa cincia procura investigar, aponte os aspectos de cada cena que podem ser estudados por ela. Troque idias com seus colegas sobre esses assuntos.

Atividades

Questes de compreenso

	1.	Descreva alguns lugares interessantes que voc ainda no conhece pessoalmente, mas que j viu em jornais, revistas, livros ou pela televiso. Aponte aquilo que mais chamou sua ateno nesse lugar.	
	2.	Entre os lugares que voc freqenta - sua escola, as ruas de seu bairro, a casa de amigos - existe algum de sua preferncia? Desenhe o lugar onde voc mais gosta de estar.
	3.	Da janela lateral do quarto de dormir
		vejo uma igreja, um sinal de glria
		vejo um muro branco e um vo pssaro 	
		vejo uma grade, um velho sinal.
		Esse trecho da letra da msica "Paisagem da janela", de autoria de L Borges e Fernando Brant, descreve a paisagem vista da janela de um quarto. O que  possvel observar na paisagem vista pela janela do seu quarto (ou do cmodo da casa que voc prefere)? Escreva aquilo que voc aprecia e aquilo de que voc no gosta nessa paisagem.
	4.	Ento me concentrei dizendo:
		Guarda-a na memria essa paisagem,
		que no se repetir na face da Terra
		com as mesmas indefinidas cores.
		Henriqueta Lisboa, Pousada do Ser.
		O texto acima faz uma afirmao sobre uma das particularidades das paisagens terrestres. Explique que afirmao  essa.
	5.	Por que o lugar onde vivemos pode ser considerado um espao geogrfico?

Anlise de texto

		Leia o texto abaixo com bastante ateno.

[...] Percorrer as ruas do Centro, depois de anos em que no pisava por l, dava certo prazer a dona Irene. Prazer que ela no confessava a si mesma. Parava diante de vitrines. Sim senhor, como isso mudou. [...] Ali era uma livraria. Mais adiante, cad a confeitaria que tinha aquele sorvete de pistache, superdelicioso? Nada de confeitaria. Somente bancos, financeiras, agncias de loteria esportiva. Dona Irene sentia leve saudade da dcada de 60. Era outro Rio. Mas devemos conhecer o Rio de hoje, e ela ia aproveitando o percurso na direo do nibus para ver, assuntar, sentir, apesar da multido, do bolo de gente, do barulho... [...]
Carlos Drummond de Andrade. "O medo e o relgio". In: Moa deitada na grama. Rio de Janeiro, Record, 1987.

Inicialmente, procure no dicionrio as palavras do texto que voc no conhece. Em seguida, responda as questes abaixo.
	1.	O que mais impressionou a personagem em sua visita ao centro da cidade do Rio de Janeiro? Cite os trechos do texto que comprovem sua resposta.
	2.	Quais as lembranas que a personagem tem de como era o lugar antigamente?
	3.	De acordo com as descries feitas no texto, dona Irene observava uma paisagem com elementos predominantemente humanos ou naturais? Explique.
	4.	Assim como dona Irene, voc j ficou algum tempo sem ver determinado lugar e, quando voltou a v-lo, descobriu que vrias transformaes haviam ocorrido? O que mais o surpreendeu? Conte essa experincia para seus colegas.

Unidade 1

Representao do espao geogrfico

A imagem acima mostra um mapa elaborado pelos habitantes das ilhas Marshall, arquiplago localizado no oceano Pacfico. Com suas embarcaes, eles se deslocavam entre as vrias ilhas, utilizando um mapa feito de varetas e conchas, amarradas com fibras de coco. As varetas indicavam a direo dos ventos e das correntes martimas, enquanto as conchas representavam a localizao das vrias ilhas. De acordo com estudiosos, esse tipo de mapa j era utilizado h cerca de 3 000 anos.

Quando aprendemos a nos orientar, a nos localizar e a interpretar uma informao em um mapa, podemos conhecer particularidades de diversos lugares, mesmo sem nunca ter estado neles. Que lugares do mundo voc gostaria de conhecer? Voc sabe como encontrar esses lugares em um mapa?

Captulo 1

Orientao e localizao

Em geral, conhecemos bem o lugar onde moramos. Sabemos como chegar  escola,  casa de um vizinho ou de um amigo. Ou seja, sabemos que direo tomar para ir a esses locais e como voltar para casa. Mas o que aconteceria se estivssemos em uma cidade desconhecida? Ou em um deserto? Ou num barco, em alto mar? Como poderamos nos localizar?

Como se orientar na superfcie terrestre

Quando se deseja chegar a um lugar pela primeira vez, tanto na cidade quanto no campo, deve-se saber o endereo do local para onde se vai e estar atento  sinalizao que indica o nome das ruas, avenidas ou estradas que se deve seguir.  importante, tambm, pedir informaes para pessoas que conheam o local e, quando possvel, ter um mapa da rea.
Mas como se orientar quando no se dispe desses recursos? No ar, no mar, nos desertos ou nas florestas, no existem ruas ou placas de sinalizao indicando que direo tomar, nem  fcil encontrar pessoas a quem possamos pedir informaes. Nesses casos, podem ser utilizados dois modos prticos de orientao: a orientao pelos astros ou a orientao por instrumentos.

Orientao pelos astros 

A observao dos astros tem sido um meio de orientao muito utilizado atravs dos tempos. No passado, viajantes de todas as partes da Terra baseavam-se na observao do Sol, da Lua e das estrelas para chegar ao seu destino. Embora menos precisa que a orientao por instrumentos, a orientao por meio da observao dos astros pode ser de grande valia em algumas situaes.
Ainda hoje, por exemplo, tripulantes de embarcaes de pesca desprovidas de instrumentos de localizao, como a bssola, precisam se orientar observando as posies do Sol, da Lua e at mesmo das estrelas. 
Nas grandes cidades, por sua vez,  comum alguns bairros serem identificados pela localizao em que se encontram em relao  rea central, como bairro da Zona Norte ou da Zona Sul. Normalmente, as pessoas no se encontram munidas de bssola ou mapa em seu dia-a-dia. Entretanto, se souberem que o Sol e a Lua nascem a leste e se pem a oeste, facilmente podero localizar os demais pontos cardeais. Nesse caso, a orientao pelos astros pode ser til a quem no conhece muito bem uma cidade e quer se direcionar a um bairro localizado, por exemplo, na Zona Norte.

A ilustrao ao lado mostra uma cidade onde o Sol acaba de surgir  no horizonte, dando incio a um novo dia. Observando essa ilustrao, localize os pontos cardeais orientando-se pela posio do Sol. Em que direo segue o avio que est em pleno ar? A embarcao segue em que direo? Quem estiver no teatro e quiser chegar ao restaurante deve seguir em que direo? Se a ilustrao mostrasse esse mesmo lugar  noite e, no lugar do Sol, a Lua estivesse aparecendo, como ficariam as localizaes pedidas acima? E se o cu estivesse nublado, como as pessoas conseguiriam se orientar? Explique.

Orientao por instrumentos

Com o objetivo de tornar a orientao no espao mais precisa, diversos instrumentos foram inventados.
O instrumento de orientao mais comumente utilizado  a bssola. Esse instrumento  constitudo por uma agulha imantada*, que gira sobre uma rosa-dos-ventos, indicando sempre a direo norte. A bssola est presente em avies e navios, auxiliando a tripulao a manter corretamente o trajeto da viagem. Alm disso, muitas pessoas se orientam por esse instrumento para no se perder, por exemplo, ao explorar cavernas, florestas, desertos ou o fundo do mar.

Voc sabe como se orientar atravs de uma bssola? Explique para seus colegas os procedimentos a serem seguidos.

Entretanto, existem aparelhos de orientao bem mais precisos que a bssola, que funcionam por meio de sinais de radar ou satlite. Entre eles est o GPS - sigla que, em portugus, significa Sistema de Posicionamento Global. Esse aparelho possui um receptor que capta sinais de pelo menos trs satlites para definir sua posio. Os sinais informam a localizao e a altitude de qualquer ponto na superfcie terrestre.

O GPS tem sido muito til para o mapeamento de regies de difcil acesso como as zonas polares ou as florestas tropicais. Tambm auxilia na orientao de avies e embarcaes que trafegam, muitas vezes, com pouca visibilidade devido a nevoeiros, evitando, assim, a ocorrncia de acidentes.

 assim que eles acham o caminho

Em determinados tipos de rali, os pilotos dispensam o uso de bssolas, GPS ou de qualquer tipo de mapa, sendo necessrio apenas um painel codificado. Veja como eles se orientam.

Distncias - Todas as marcaes so feitas em quilmetros, tomando por base os hodmetros* dos veculos. "17,30", por exemplo, significa "17 quilmetros e 300 metros aps a partida".
Smbolos - Sempre em forma de seta e desenhos, apontando a direo a ser seguida e indicando obstculos e perigos do caminho. A bolinha no comeo da seta  onde o veculo estar ao atingir a quilometragem ao lado, que sempre assinala alguma referncia do caminho, como uma ponte, curva, casa, etc. J a seta mostra para onde ele dever ir depois de superada a referncia.
Explicaes - Cifradas e abreviadas para facilitar a leitura em alta velocidade: p.t  significa "ponte"; p.m, "ponte de madeira"; m.b.v.c, "mata-burro com vo central", ou seja, com um buraco no meio. Os trechos mais perigosos so indicados com caveiras: de uma a quatro, conforme o risco.

Jorge de Souza. "A caravana da aventura". In: Os Caminhos da Terra, ano 7, n. 10. So Paulo, Abril, outubro/1998.

imantada: que possui a propriedade do m de atrair o ferro
hodmetro: instrumento que mede as distncias percorridas  

Como se localizar na superfcie terrestre

Como determinar a localizao exata de um lugar na vastido do nosso planeta? A superfcie da Terra possui aproximadamente 510 milhes de quilmetros quadrados (km2), o que corresponde a cerca de sessenta vezes o tamanho do Brasil.

Para localizar com exatido continentes, pases, cidades, ilhas ou qualquer outro ponto sobre a face da Terra, o ser humano criou os paralelos e as latitudes, assim como os meridianos e as longitudes terrestres.

Paralelos e latitudes

Os paralelos so crculos imaginrios dispostos paralelamente em torno do planeta, circundando-o no sentido leste-oeste. A Linha do Equador envolve a Terra em sua poro mais larga, dividindo o planeta em dois hemisfrios, o Norte e o Sul. Alm disso, a Linha do Equador  a referncia para se estabelecerem os paralelos terrestres. Existem quatro paralelos importantes: o Trpico de Cncer, o Trpico de Capricrnio, o Crculo Polar rtico e o Crculo Polar Antrtico.
Todos os pontos situados num mesmo paralelo possuem a mesma latitude.
Latitude  a distncia medida em graus a partir de qualquer ponto da superfcie terrestre at a Linha do Equador. As latitudes variam de 0o, na Linha do Equador, at 90o norte e 90o sul, nos plos.

Os crculos imaginrios que indicam as latitudes so todos paralelos ao plano da Linha do Equador.

Meridianos e longitudes

Os meridianos so semicrculos imaginrios, que se estendem de um plo ao outro, dividindo a Terra como se ela fosse uma laranja cheia de gomos.
O nico meridiano que recebe nome especial  o de Greenwich, em referncia  cidade de mesmo nome, na Inglaterra. Tambm  chamado de meridiano inicial ou de referncia, pois  usado como referncia para dividir a Terra nos hemisfrios Oriental e Ocidental. Cada meridiano possui um antimeridiano, que  a sua linha correspondente no lado oposto da esfera terrestre.
Todos os pontos situados num mesmo meridiano possuem a mesma longitude.
Longitude  a distncia medida em graus a partir de qualquer ponto da superfcie terrestre at o Meridiano de Greenwich. As longitudes variam de 0o, no Meridiano de Greenwich, at 180o leste e 180o oeste.

Os meridianos, que se estendem de um plo ao outro, indicam as longitudes.

Coordenadas geogrficas

Conhecendo-se a latitude e a longitude de um lugar  possvel determinar as suas coordenadas geogrficas, isto , a sua exata localizao na imensido da superfcie da Terra. Coordenadas geogrficas so, portanto, as medidas em graus de cada ponto da superfcie terrestre, indicadas pela latitude e pela longitude do lugar.  atravs das coordenadas geogrficas que o aparelho GPS, por exemplo, determina a localizao de quem o est utilizando.

Coordenadas geogrficas e localizao de algumas cidades do mundo

Braslia est a 16o ao sul da Linha do Equador e a 48o a oeste do Meridiano de Greenwich.
Manaus est a 4o ao sul da Linha do Equador e a 60o a oeste de Greenwich.
Nova Iorque est a 43o ao norte da Linha do Equador e a 74o a oeste de Greenwich.
Paris est a 48o ao norte da Linha do Equador e a 2o a leste de Greenwich.
Moscou est a 56o ao norte da Linha do Equador e a 37o a leste de Greenwich.
Sidney, na Austrlia, est a 33o ao sul da Linha do Equador e a 150o a leste de Greenwich.

Um jogo de coordenadas

Utilizar as coordenadas geogrficas para localizar um ponto sobre a superfcie terrestre assemelha-se a um jogo que voc pode brincar em dupla com seus colegas. Nele, cada participante utiliza uma folha quadriculada em que as linhas, codificadas por nmeros, e as colunas, codificadas por letras, representam  as coordenadas.
 Antes de iniciar o jogo, os participantes devem localizar alguns elementos, como bolas, navios, rvores ou avies, desenhando-os nos quadrinhos que desejar.  importante que um jogador no veja onde seu adversrio localizou os objetos, pois o jogo consiste na tentativa de um participante adivinhar a localizao dos objetos do outro e vice-versa. Para isso, cada um deve dizer o endereo dos elementos da folha do adversrio, como, por exemplo, 1E, 2D e assim por diante. Ganha o jogador que acertar primeiro a localizao de todos os objetos da folha do adversrio.
Observando atentamente, voc perceber que as linhas podem ser comparadas s latitudes, e as colunas, s longitudes. Por meio do mesmo procedimento do jogo, podemos localizar qualquer ponto da superfcie terrestre em um mapa.

Os avies esto localizados em:
1C, 2A, 2I, 4D, 4J, 5B, 6F, 8H, 9B e 10E.

Questes de compreenso

	1.	Crie uma pequena histria em quadrinhos que destaque a importncia da orientao pelos astros.
	2.	Um grupo de jovens resolveu explorar uma reserva florestal sem um guia especializado e sem materiais de orientao e localizao. Em conseqncia disso ficaram perdidos na selva e foram encontrados somente no dia seguinte, com a ajuda de uma equipe de resgate. Alm da necessidade de um guia para esse tipo de passeio, que instrumentos de orientao e localizao o grupo poderia ter utilizado?
	3.	Transfira para seu caderno o desenho de um mapa-mndi, destaque nele a Linha do Equador, os principais paralelos terrestres e o Meridiano de Greenwich.
	4.	Utilizando um mapa-mndi que contenha o traado dos paralelos e meridianos e seus respectivos nmeros de graus, localize duas ou trs cidades do Brasil ou do mundo que voc gostaria de conhecer. D as coordenadas geogrficas aproximadas dessas cidades e descreva os procedimentos que voc utilizou para encontr-las no mapa.
	5.	A Austrlia  um pas localizado ao sul da Linha do Equador e a leste do Meridiano de Greenwich. J o Canad  um pas que se localiza ao norte da Linha do Equador e a oeste do meridiano principal. Quais so os hemisfrios em que esses dois pases esto localizados?

Anlise de mapa

Observe o mapa do Brasil abaixo. Nele est indicada a localizao de algumas das mais belas paisagens naturais do pas.

Pico da Neblina

Ponta  do Seixas

Ilha do Bananal

Bonito

Cnion do Itaimbezinho

Chapada Diamantina

Pico da Bandeira

Agora, imagine que um concurso oferecer uma viagem a um desses lugares a quem conseguir identific-lo. Para descobrir o lugar de destino da viagem e o estado em que ele se encontra, siga as pistas abaixo:

1.	o estado em que se encontra esse lugar pertence totalmente ao hemisfrio Sul;
2.	nenhum dos pontos extremos do Brasil est localizado nesse estado;
3.	esse lugar est a norte do Trpico de Capricrnio;
4.	o lugar no est na poro leste do pas;
5.	o estado onde se encontra essa beleza natural est a oeste 
da Bahia e faz divisa com o estado do Mato Grosso;
6.	o lugar procurado est a norte de Gois.

Qual  o lugar que voc descobriu e em que estado ele se localiza?

Leitura

A bssola das aves

A migrao de algumas espcies de animais, isto , o deslocamento que eles realizam na superfcie terrestre,  um fato h muito tempo observado pelo ser humano. Diferentes espcies do reino animal procuram ambientes mais propcios para sua sobrevivncia. Para tanto, deslocam-se de um lugar a outro, percorrendo, s vezes, longas distncias. Entre as espcies migratrias, as aves so as que melhor representam esse grupo de "viajantes": aproximadamente um tero das aves de todo o mundo praticam a migrao.
Durante as ltimas dcadas, as pesquisas sobre a migrao das aves tornaram-se cada vez mais aprofundadas. At ento, esse fato era algo misterioso, que gerava muitas dvidas para os cientistas. Atualmente, os estudos mostram que, em geral, as aves migram  procura de reas onde a alimentao  farta, de locais onde o clima  mais apropriado  espcie, e de regies onde os dias so mais longos, para que a busca de alimentos e a procriao sejam feitas com o auxlio da claridade.
Entretanto, o que mais desperta curiosidade sobre as aves migratrias  o seu notvel senso de orientao. O que faz com que sigam seus destinos atravs de rotas to precisas?
 claro que as aves no utilizam, como ns, equipamentos para se localizar e se orientar. Depois de sucessivas experincias com aves migratrias, os cientistas descobriram que algumas delas viajam durante o dia e orientam-se pelo Sol, outras viajam  noite e orientam-se pelas estrelas.  possvel que as aves migratrias faam uso, tambm, de referncias visuais como montanhas, rios e litorais.
Utilizando-se de radares, os cientistas verificaram que, em noites sem nuvens, as aves migratrias noturnas viajam traando roteiros claros e precisos. Se a noite estiver nublada, elas projetam um itinerrio confuso na tela do radar, como se estivessem perdidas.
Outras formas de orientao utilizadas pelas aves tambm esto sendo seriamente investigadas, porm ainda no foram comprovadas cientificamente. Contudo, j se sabe que elas so exmias navegadoras dos ares, utilizando-se de suas "bssolas naturais".

A migrao de alguns pssaros nas Amricas

Batura-de-rabo-branco

Tesourinha

Andorinha-pequena-de-casa

Algumas espcies de pssaros percorrem milhares de quilmetros em suas rotas migratrias.

Mapa baseado em: A migrao das aves nas Amricas. Washington, National Geographic Society, 1983.

Captulo 2

Os mapas

Muitas vezes ouvimos falar de pases, rios, montanhas e outros tantos lugares que nem imaginamos onde ficam. No entanto, por meio de mapas  possvel conhecer a localizao de qualquer lugar sobre a face da Terra. Voc j necessitou utilizar algum mapa? Com que finalidade? Voc sabe como um mapa  elaborado?

A importncia dos mapas

A necessidade de conhecer melhor o mundo levou o ser humano a descobrir maneiras de representar, de forma simblica, as principais caractersticas de lugares e de paisagens. Dessa maneira, ele comeou a registrar, por meio de desenhos e outras linguagens grficas, a disposio, no espao, de rios, mares, montanhas, desertos e aldeias. Isso era feito em materiais como cermica, pergaminho* e, mais tarde, papel. Essas representaes receberam o nome de mapas, e o conjunto de tcnicas, mtodos e arte desenvolvido para a elaborao desses mapas passou a ser denominado Cartografia.
O mapa constitui a representao grfica de um espao real, em uma superfcie plana. Nele podemos representar todo nosso planeta ou apenas parte dele, como as ruas de uma cidade, os rios de um pas ou os continentes e oceanos da Terra. As estrelas e constelaes que so vistas no cu, os outros planetas do Sistema Solar e as galxias tambm podem ser representados em um mapa. 
A partir da anlise de um mapa  possvel conhecer detalhes de lugares prximos ou distantes, planejar aes, compreender o espao geogrfico e suas alteraes, assim como a relao existente entre este e os seres humanos.

Usamos os mapas para os mais diversos fins. Por exemplo, quando queremos localizar uma rua ou avenida, examinamos um guia da cidade, ou ento, quando estamos em uma viagem, fazemos uso de um mapa rodovirio para saber que estrada seguir.

Um mapa rodovirio nos permite conhecer a localizao das cidades e as estradas que fazem as ligaes entre elas.

O mapa  tambm um instrumento importante para o gelogo, o gegrafo, o engenheiro, o arquiteto e o corretor de imveis, entre outros profissionais que necessitam conhecer melhor o lugar em que esto trabalhando.

Os tipos de rocha que formam os terrenos esto representados num mapa geolgico.


pergaminho: pele de animal preparada para servir de base para a escrita de textos e a elaborao de mapas

A produo dos mapas

A preciso alcanada pela Cartografia em nossos dias  resultado de um avano tecnolgico conseguido pela humanidade ao longo dos sculos.
A evoluo das tcnicas cartogrficas tem possibilitado a produo de representaes grficas cada vez mais precisas.
Os mapas elaborados pelos cartgrafos utilizam informaes obtidas por meio de fotografias areas e imagens de satlites. Alm desses recursos, o cartgrafo, muitas vezes, percorre pessoalmente os locais a serem mapeados, verificando ou coletando informaes para que a representao se torne a mais correta possvel.

Em terra, utilizando instrumentos como o teodolito, cartgrafos e topgrafos* coletam dados, como a altitude* e as distncias entre os elementos da paisagem.

Munidos de mquinas fotogrficas especiais, pequenos avies sobrevoam as reas que se deseja mapear.

Satlites artificiais giram em torno da Terra em grandes altitudes, captando imagens de extensas regies do planeta.

Fotografia area

A fotografia area  utilizada para levantar informaes sobre uma rea que se deseja mapear. Nesse processo, cmeras especiais instaladas em avies registram em fotografias as caractersticas de uma regio.
Embora a fotografia area seja um recurso mais antigo do que a imagem de satlite, ela  igualmente importante, pois permite a elaborao de mapas com informaes precisas e detalhadas do espao geogrfico, como os tipos de lavoura de uma rea e at o tamanho dos lotes de um bairro numa cidade.
Empresas especializadas em cartografia utilizam aparelhos sofisticados, como o avigrafo, para elaborar mapas e cartas a partir de fotografias areas.

Observe a fotografia area ao lado. Quais os elementos de maior destaque que voc pode observar na foto? Relacione-os em seu caderno. De acordo com os elementos que voc relacionou, esta  uma rea urbana ou uma rea rural?

topgrafo: profissional responsvel por registrar no papel as formas do relevo e os elementos de determinada rea da superfcie terrestre
altitude: distncia vertical medida a partir do nvel do mar (0 metro) 

Imagens de satlite

As imagens de satlite so representaes da superfcie terrestre obtidas por satlites artificiais especiais, que giram em torno da Terra a grandes altitudes. Esses satlites possuem sensores* que captam a energia refletida pela superfcie terrestre, transformando-a em imagens. Essas imagens so, muitas vezes, as principais fontes de informaes para a elaborao dos mapas. 
Por meio da observao das imagens de satlite  possvel, por exemplo, planejar aes a serem tomadas em relao ao crescimento acelerado de cidades, s atividades do espao rural, s diferentes formas de poluio do ar e das guas e, ainda,  proteo de reas com diferentes tipos de vegetao. Alm disso, as imagens de satlite permitem localizar com preciso certos recursos naturais, como as jazidas minerais, e tambm obter dados meteorolgicos.
Dessa forma, essas imagens so cada vez mais importantes para que possamos conhecer e planejar o espao geogrfico.

Esta  uma imagem da cidade de So Paulo e municpios vizinhos, captada pelo satlite Landsat 5. Nela  possvel notar a grande aglomerao urbana. Para melhor compreender a imagem, veja o que representa cada uma das cores que foram atribudas  imagem.  

O azul indica a rea urbanizada. Os tons mais escuros indicam uma concentrao maior de construes, com destaque para a regio central da cidade, onde existem muitos edifcios. Os tons mais claros indicam uma quantidade menor de construes, justamente na rea perifrica onde a cidade est se expandindo.
As reas em preto so leitos de rios ou de reservatrios, como as duas grandes manchas escuras ao sul.
A cor vermelha serve para indicar a vegetao: pastagens, plantaes e florestas ou mesmo reas verdes, como praas e parques.

A superfcie terrestre vista de cima

Desde os tempos mais remotos que a Humanidade procura entender melhor o mundo observando-o de cima. Do alto de um morro ou de uma torre, o observador da Antiguidade podia ver o terreno e detectar obstculos  sua frente. [...] Em meados do sculo XIX, fotgrafos voavam em bales para tentar obter fotografias areas. O primeiro a ter sucesso foi o francs Gaspard Flix Tournachon (tambm chamado de Nadar), que, em 1858, produziu uma foto rudimentar dos arredores de Paris. Pipas e at pombos foram usados inicialmente em fotografias areas.
O desenvolvimento do avio forneceu a base ideal para se observar a Terra de cima. Embora as vibraes da aeronave criassem problemas para os fotgrafos, a tecnologia da observao area evoluiu rapidamente.
[...] Atualmente, o planeta  constantemente monitorado por naves espaciais que registram cada detalhe da estrutura da Terra, suas mudanas, seus desastres naturais e suas belezas. [...]
Priscilla Strain e Frederick Engle. Imagens da Terra. So Paulo, Klick, 1993.

Em 1903, o fotgrafo alemo Julius Neubronner realizou algumas das primeiras fotografias areas da histria, acoplando pequenas mquinas fotogrficas em pombos-correio.

sensor: aparelho utilizado para captar, registrar e medir a forma de um objeto, terreno ou fenmeno, a partir da energia refletida por eles 

Atividades

Questes de compreenso	

1.	Elabore uma narrativa contando uma situao em que a utilizao de um mapa seria imprescindvel.
2.	Escreva sobre a importncia que um mapa pode ter no trabalho dos seguintes profissionais: navegador, taxista, corretor de imveis e caminhoneiro.
3.	Aponte as principais diferenas entre as fotografias areas e as imagens de satlite.
4.	Faa um comentrio sobre o que voc achou mais interessante com relao s tcnicas utilizadas na produo dos mapas, explicando por que esse aspecto chamou a sua ateno.

Anlise de texto

Leia o texto abaixo com ateno:

A inveno dos satlites, que ficam voando em volta da Terra, permitiu que o homem pesquisasse o espao com muito mais preciso, fotografando com maior facilidade as estrelas e os planetas. Os estudos sobre a Terra tambm ganharam impulso: com as fotos feitas do espao, podem-se conhecer as riquezas e os recursos naturais da Terra, analisar a vegetao de uma regio, monitorar os rios de uma determinada rea e muitas outras coisas.
Os satlites fazem parte do nosso dia-a-dia, mesmo que voc no perceba. Graas a eles, a gente faz ligaes telefnicas, ouve rdio e v televiso em condies muito melhores.  por isso que o Brasil se preocupa tanto com satlites e est construindo o seu prprio foguete espacial para lan-los de Alcntara*.

	1.	Por que os satlites so importantes para as pesquisas desenvolvidas sobre a Terra?
	2.	Com o auxlio de um dicionrio, escreva o significado da palavra monitorar. 
	3.	Alm de serem importantes na elaborao de mapas, para que outros fins os satlites so usados hoje em dia?
	4.	Na sua opinio, o Brasil deve ter seus prprios satlites? Explique.

* Municpio localizado no estado do Maranho onde est o centro de lanamento de foguetes da Aeronutica. 

Lusa Massarani. "Lugar de soltar foguetes". In: Cincia Hoje das Crianas, ano 8, n. 53. Rio de Janeiro, SBPC, novembro/1995.

Anlise de mapa

O mapa do Brasil ao lado, desenhado por Lus Teixeira no final do sculo XVI, mostra a diviso das Capitanias Hereditrias e a linha do Tratado de Tordesilhas, que limitava as terras pertencentes a Portugual na Amrica do Sul. Observe-o atentamente.
Agora, consulte um mapa atual da Amrica do Sul (que contenha a hidrografia e a diviso poltica). Aponte as principais semelhanas e diferenas entre eles, observando, principalmente, a representao da forma e da hidrografia. Troque idias com seus colegas.

Captulo 3

A linguagem dos mapas e dos grficos

Assim como fotografias e textos, os mapas so fontes de informao para as pessoas. Porm, os mapas possuem uma linguagem prpria que precisamos conhecer para melhor compreend-los. Voc sabe interpretar as informaes que um mapa apresenta? Como  possvel representar uma cidade, um pas ou mesmo todo o espao terrestre em um mapa do tamanho de uma folha de papel? Converse com seus colegas a respeito.

Convenes cartogrficas

A necessidade de reproduzir com fidelidade em um mapa as caractersticas de determinado espao levou os cartgrafos a desenvolverem uma srie de cdigos ou convenes, que so aceitos internacionalmente. Por isso, um mapa geralmente pode ser compreendido independentemente do pas em que foi produzido. 
Os smbolos (figuras, desenhos, cores, linhas ou hachuras) dispostos no mapa tm a finalidade de reproduzir as caractersticas de um determinado lugar. As guas dos rios, lagos, mares e oceanos, por exemplo, so representadas na cor azul; os aeroportos, com desenhos de avio; as florestas e matas, em geral, na cor verde; as rodovias, com linhas e traos. Os significados desses smbolos, ou seja, dessas convenes, so explicados no mapa por meio de uma relao chamada legenda. Observe algumas convenes no quadro ao lado.

Exemplos de convenes cartogrficas

Principais vias de transporte na regio

Observe as convenes utilizadas no mapa ao lado e responda as questes a seguir.
	Quantos e quais so os estados da regio Sul?
	Cite o nome das capitais e de algumas cidades importantes de cada estado.
	Quantos so e onde esto localizados os principais portos e aeroportos dessa regio?
	Em qual estado da regio Sul est a maior parte da extenso de rodovias em pista dupla?

Escala

Quando se deseja conhecer a distncia entre dois pontos ou o tamanho real da rea que est sendo representada em um mapa, deve-se observar a sua escala.
A escala  uma relao de proporo estabelecida por quem elaborou o mapa. Imagine, por exemplo, que se queira representar em uma folha de papel o quarto de uma casa com 3 metros de largura por 5 metros de comprimento, mantendo as mesmas propores. Para que isso seja possvel, estabelece-se uma relao de proporo, isto , uma escala entre a medida real e a que ser utilizada na representao. Neste exemplo, a escala estabelecida  a de que 1 metro na realidade equivale a 1 centmetro na representao.
Como se sabe, 1 metro  igual a 100 centmetros; ento, de acordo com essa escala, 1 cm no papel corresponde a 100 cm na realidade, ou seja, a 1 metro. Isso quer dizer que a medida linear do quarto ser reduzida 100 vezes.
Estabelecendo essa relao de proporo  possvel agora desenhar sem problemas o quarto na folha de papel.

Mea com sua rgua os lados do quarto mostrado na figura e comprove se as propores esto corretas, de acordo com a escala apresentada no texto.

Escala numrica e escala grfica

A indicao da escala em um mapa pode ser feita de duas maneiras: a escala numrica e a escala grfica.

Escala numrica  aquela indicada no mapa sob a forma de frao, como, por exemplo, 1/100 (l-se 1 sobre 100), ou, como  comumente usada, na forma de razo*, 1:100 (l-se 1 para 100);

o numerador da escala numrica indica a medida no mapa

ou

1cm : 100cm
1cm / 100cm

o denominador indica a medida na realidade

Escala grfica  aquela indicada no mapa sob a forma de uma linha reta horizontal, dividida em partes iguais, como se fosse uma rgua. Nela esto indicadas as distncias reais do mapa. A escala grfica permite a visualizao imediata do tamanho e das distncias entre os elementos de um mapa.

a escala grfica acima mostra que um centmetro na representao equivale a um metro na realidade

Usando como referncia o mapa do estado do Rio Grande do Sul ao lado, podemos constatar que:
	a )	a escala grfica indica que cada centmetro no mapa equivale a 10 000 000 de centmetros, ou 100 000 metros, ou ainda 100 quilmetros no terreno, isto , na realidade;
	b )	a distncia entre Porto Alegre e So Gabriel no mapa  de 3 centmetros, o que corresponde a uma distncia real em linha reta de 300 quilmetros;
	c )	a distncia entre Passo Fundo e Santa Maria no mapa  de 2 centmetros, o que corresponde a uma distncia real em linha reta de 200 quilmetros.

razo: a relao entre dois nmeros

Variao da escala

As escalas dos mapas permitem representar um espao qualquer em tamanho reduzido, independentemente de sua extenso real.
Os mapas abaixo representam partes da cidade do Rio de Janeiro e reas vizinhas. Nesses exemplos podemos perceber que, de acordo com a variao da escala, mapas de tamanhos iguais podem representar reas maiores ou menores da superfcie terrestre. Essa variao da escala resulta, tambm, em nveis diferentes de detalhe das informaes representadas. 
Observe atentamente os mapas A, B e C.

O mapa A est na escala aproximada de 1:25 000; isso quer dizer que cada centmetro no mapa corresponde a 25 mil centmetros na superfcie terrestre. Ou ento, simplificando a razo, teremos que cada centmetro representa 250 metros na realidade.

A quantos metros corresponder na realidade cada centmetro representado no mapa B? E no mapa C?
Agora, utilizando-se das escalas dos mapas, descubra:
 no mapa A: a extenso aproximada da pista principal do aeroporto Santos Dumont;
 no mapa B: a extenso aproximada, em linha reta, da ponte Rio-Niteri sobre o mar;
 no mapa C: a distncia, em linha reta, entre Itabora e Nova Iguau.

Guia Quatro Rodas-Rio de Janeiro. So Paulo, Abril, 1996.

Mapas temticos

As caractersticas existentes em uma determinada poro do espao geogrfico podem ser representadas em um mapa. Entretanto, se muitas das caractersticas de um espao forem mostradas em uma mesma representao, sua compreenso torna-se difcil. Por isso, determinados mapas representam especificamente um tema e so chamados mapas temticos. Conhea a seguir alguns tipos:
	mapas fsicos: representam os aspectos naturais de determinada rea, como o relevo, a hidrografia, o clima e a vegetao;
	mapas econmicos: representam a distribuio das riquezas de determinado lugar, como a localizao de recursos minerais, das indstrias e da produo agropecuria;
	mapas histricos: mostram, por exemplo, como era a distribuio da populao e a extenso dos domnios de determinado povo, em pocas passadas.

Mata de Araucria
Floresta Tropical
Campos
Vegetao litornea

 Atlas Geogrfico. Rio de Janeiro, FAE, 1984.

Arroz
Caf
Soja
Feijo
Milho
Cana-de-acar

AGRIDATA-Secretaria do Estado da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, Minas Gerais, 1997.

Atual limite do territrio brasileiro
Limite imposto pelo Tratado de Tordesilhas - 1494
Terras  pertencentes   Espanha
Terras  pertencentes  a Portugal

Adaptado do Atlas Histrico e Geogrfico Brasileiro. Rio de Janeiro, Fename - MEC, 1967.


Planta, planisfrio e globo geogrfico

Os mapas tambm diferenciam-se de acordo com a escala e a funo que desempenham. Quando 
representamos uma rea restrita, como uma casa, um bairro ou uma cidade, recorremos s plantas. Em geral, as plantas so produzidas em uma escala grande (1:20, 1:100, 1:5 000), em que podem ser includos um maior nmero de detalhes.
Por outro lado, quando se deseja representar uma grande extenso de terras, como toda a superfcie terrestre, utiliza-se o planisfrio ou mapa-mndi. Esse tipo de mapa  muito utilizado nas escolas, pois com ele  possvel visualizar todos os continentes, oceanos e pases ao mesmo tempo. O Brasil, por exemplo, pode ser visto ao mesmo tempo que o Japo, a China e a Austrlia, ainda que esses pases estejam situados no hemisfrio Oriental, oposto ao do Brasil. Porm, nos planisfrios, muitas vezes no  possvel perceber como determinados pontos da superfcie terrestre so bem mais prximos do que parecem. Um planisfrio em que a Europa aparea representada no centro, por exemplo, mostra a Amrica do Norte e a sia separadas, cada qual em um extremo do mapa. No entanto, quando se observa um globo geogrfico, percebe-se que, em uma determinada rea, esses dois continentes esto muito prximos, separados apenas por um pequeno estreito, denominado estreito de Bering.
Dessa maneira, um globo geogrfico representa a forma e a superfcie da Terra com maior fidelidade que um mapa, sendo um instrumento didtico amplamente utilizado.

Planta

Sabendo das particularidades e das diferenas de escala existentes entre as plantas e os planisfrios, responda: em quais tipos de trabalho e para quais profissionais cada uma dessas representaes pode ter maior utilidade?

Planisfrio

Imagine que voc precisa estabelecer uma rota de navegao martima, a mais curta possvel, entre o Brasil e a Austrlia. Qual representao voc usaria: um planisfrio ou um globo geogrfico? Explique o motivo de sua escolha.

Globo geogrfico

Como interpretar um mapa

A interpretao de um mapa exige certos procedimentos e alguns cuidados.  preciso colocar o mapa aberto sobre uma mesa e observar atentamente o que ele expressa. Dispondo-o horizontalmente sobre uma superfcie plana, temos a impresso de que estamos sobrevoando o espao ali representado. Assim, nossa viso ser abrangente e teremos uma importante noo do conjunto. Para interpretar o mapa, tambm devemos tomar conhecimento dos importantes elementos que o compem, como ttulo, legenda, escala, orientao e fonte, e relacion-los ao que est representado.

Quando contemplamos uma paisagem ao nvel do cho, estamos observando-a de um ponto de vista horizontal. Se estivermos em posies mais elevadas, podemos tambm observ-la de pontos de vista oblquo ou vertical.
Um mapa mostra os elementos de um determinado lugar como se os observssemos de um ponto de vista vertical. Veja a seguir.

Ponto de vista horizontal

Ponto de vista oblquo

Ponto de vista vertical

Mapa (resultado do ponto de vista vertical)

Vegetao

reas cultivadas

Construes

Lagoa

Escolha alguns objetos da sala de aula ou de sua casa e observe-os dos pontos de vista horizontal, oblquo e vertical. Desenhe esses objetos como voc os v, de acordo com os diferentes pontos de vista. Procure ver os desenhos produzidos pelos seus colegas.


Grficos

Assim como os mapas, os grficos so recursos visuais muito utilizados para facilitar a leitura e a compreenso de informaes sobre fenmenos e processos naturais, sociais e econmicos. 
No nosso dia-a-dia, basta abrirmos as pginas dos jornais, revistas e livros ou mesmo assistirmos aos telejornais e programas educativos para percebermos o quanto esse recurso  explorado pelos meios de comunicao. 
O grfico  uma representao com forma geomtrica construda de maneira exata e 
precisa a partir de informaes numricas obtidas atravs de pesquisas e organizadas em uma 
tabela. Existem vrios tipos de grficos e os mais utilizados so os de colunas, os de linhas e os circulares.

Os grficos so muito utilizados para representar dados e informaes estudados pela Geografia.

Grfico de colunas

O grfico de colunas  composto por duas linhas ou eixos, um vertical e outro horizontal. No eixo horizontal so construdas as colunas que representam a variao de um fenmeno ou de um processo de acordo com sua intensidade. Essa intensidade  indicada pelo eixo vertical. As colunas devem sempre possuir a mesma largura (no caso do exemplo abaixo, 0,7 cm) e a distncia entre elas deve ser constante (no caso, 0,3 cm).
A tabela abaixo mostra o resultado de uma pesquisa em que os entrevistados deram sua opinio sobre qual  o mais grave problema brasileiro. A partir dos dados da tabela foi possvel construir o grfico de colunas a seguir.

Qual  o mais grave problema brasileiro?

educao	26,2
desigualdade social	16,0
desemprego	12,4
polticos	5,4
fome	5,3
corrupo	3,5
sade	3,3
questo agrria	2,8
justia	1,8
outros	23,2

Problemas Brasileiros, ano 36, n. 326. So Paulo, Conselhos Regionais do Sesc e Senac, maro, abril/1998.

Qual dos problemas foi considerado o mais grave pela maior parte dos entrevistados? Com qual porcentagem? E qual dos problemas foi menos indicado como sendo o mais grave? Com qual porcentagem? Qual dos problemas mostrados no grfico voc apontaria como o mais grave? Por qu? E quais problemas voc incluiria no item "outros" mostrado no grfico? Descubra a opinio dos seus colegas.

Grfico circular

Os grficos circulares so representados por circunferncias divididas proporcionalmente de acordo com os dados do fenmeno ou do processo a ser representado. Os valores so expressos numericamente ou em percentuais (%).
A tabela a seguir mostra como os trabalhadores infanto-juvenis (com idades entre 10 e 15 anos) esto distribudos, proporcionalmente, por atividades econmicas no Brasil. Com os dados da tabela foi possvel construir o grfico circular que est ao lado dela. Observe.

Distribuio do trabalho infanto-juvenil (10 a 15 anos) no Brasil 
(por atividades econmicas) 

Atividade	%	
agrcola	56
servios	21
comrcio	13
indstria	6
construo civil	3
outras	 1 

Depois de ter observado a tabela e o grfico circular, responda: em que setor de atividade econmica a maioria dos jovens est empregada? Com qual percentual? Qual dos setores emprega menos trabalhadores infanto-juvenis? Voc tem colegas que, alm de estudar, tambm trabalham? Em que setor de atividade?

Grfico de linha

O grfico de linha  composto por dois eixos, um vertical e outro horizontal, e por uma linha que mostra a evoluo de um fenmeno ou processo, isto , o seu crescimento ou diminuio no decorrer de determinado perodo.
A tabela a seguir mostra como evoluram as taxas de analfabetismo no Brasil, ou seja, o percentual de pessoas acima de 15 anos de idade que no sabem ler e escrever em relaco ao total da populao brasileira, entre 1950 e 1999. A partir dos dados da tabela pde-se construir o grfico linear que est ao lado dela.

Evoluo da taxa de analfabetismo no Brasil

Ano	Populao analfabeta (em %)

1950	50,6 
1960	39,7 	
1970	33,7 
1980	25,9 
1991	20,1 
1999	15,6

Com base na tabela e no grfico de linha, responda: de 1950 a 1999, a taxa de analfabetismo aumentou ou diminuiu? Quanto? Quais eram os percentuais de analfabetos nestes anos?  Na sua opinio, qual a importncia dos estudos para as pessoas? Converse com seus colegas a respeito e procurem saber a taxa atual de analfabetismo no Brasil.

Atividades

 Questes de compreenso	

1.	Imagine que lhe pedissem para produzir um mapa onde 1 centmetro no papel seria equivalente a 600 quilmetros na realidade. Como seria a escala numrica e grfica desse mapa? E se a proporo fosse de 1 centmetro na representao para 10 quilmetros na realidade?
	2.	Em um mapa que possui escala 1:500 000, a distncia em linha reta entre duas cidades no papel  de 4 centmetros. Qual  a distncia real entre as duas cidades em quilmetros?
	3.	Suponha que voc precise comprar um mapa de uma cidade que apresente uma grande quantidade de detalhes, e que o vendedor lhe mostre dois mapas: um com escala 1:10 000 e outro na escala 1:1 000 000. De acordo com a sua necessidade, qual deles voc compraria? Por qu?
	4.	Cite duas caractersticas que diferenciam as plantas dos planisfrios.
	5.	"Com um mapa-mndi, pode-se ver o mundo inteiro de uma s vez!" Comente essa afirmao e cite dois casos em que a utilizao do mapa-mndi  necessria.

Construo de mapa

Em uma folha de papel, produza um mapa que indique o caminho de sua casa at a escola. Com o auxlio de uma bssola ou da posio do Sol, tomando como referncia a sua casa, localize os quatro pontos cardeais. No esquea de traar as ruas, as avenidas ou as estradas com seus respectivos nomes. Indique tambm, por meio de smbolos, alguns pontos de referncia existentes no percurso, como estabelecimentos comerciais, igrejas, pontos de nibus, etc. Organize, no canto do mapa, uma legenda explicativa para os smbolos que voc desenhou. 
Apresente seu mapa a alguns colegas da sala e pea para que eles verifiquem se, com o auxlio de sua representao, seria possvel ir de sua casa at a escola, ou vice-versa. Faa o mesmo com o mapa deles e troquem sugestes para aperfeioar o trabalho de cada um.

Pesquisa e anlise de grficos

Pesquise, em revistas, jornais e livros, alguns exemplos de grficos de linhas, circulares, de colunas e de outros tipos que encontrar.
Traga os grficos para a sala de aula e, com o auxlio do professor, analise-os. Procure identificar o seu tipo e a informao que apresentam.
Escolha, entre os grficos que pesquisou, aquele que voc considerou de fcil compreenso ou aquele cujo tema representado tenha lhe chamado a ateno.
Veja o resultado da pesquisa de seus colegas, observe como os grficos foram analisados e conhea os grficos que eles escolheram.

Unidade II

Planeta Terra

Se a Terra tivesse apenas alguns metros de dimetro e flutuasse acima de um campo qualquer, as pessoas viriam de toda parte para admir-la. Caminhariam ao seu redor maravilhadas com suas grandes poas d'gua, suas pequenas poas e a gua que flui entre elas. As pessoas admirariam suas protuberncias e seus buracos. Admirariam a camada de gs muito fina que a envolve e a gua suspensa nesse gs. Admirariam todos os animais caminhando na superfcie da bola e os animais na gua. As pessoas declarariam aquela bola sagrada, porque seria nica, e elas a protegeriam para que nunca fosse danificada. A bola seria a maior maravilha conhecida, e as pessoas viriam rezar para ela, para serem curadas, ara adquirir conhecimento, para conhecer a beleza e para se maravilhar de como aquilo podia existir. As pessoas a amariam e defenderiam com suas vidas, porque de algum modo saberiam que suas vidas no seriam nada sem ela. Se a Terra tivesse apenas alguns metros de dimetro.

Joe Miller

n: Jonathon Porritt. Salve a Terra. So Paulo, Globo/Crculo do Livro, 1991.

At hoje, os cientistas no descobriram, na imensido do Cosmo, um planeta com as mesmas caractersticas que as da Terra.
Reflita com seus colegas sobre a mensagem transmitida pelo texto acima.

Captulo 4

A Terra e o Universo

Voc j deve ter observado o cu estrelado em uma noite sem nuvens. Ser que todos aqueles corpos brilhantes so realmente estrelas? Como e quando a Terra teria surgido?

Vises da Terra

O cu noturno pontilhado de estrelas, a sucesso dos dias e das noites, a mudana de fases da Lua: esses fenmenos, entre tantos outros, sempre aguaram a curiosidade humana, desde os tempos mais remotos da histria.
Hoje em dia sabemos que a Terra  apenas um dos bilhes de astros que existem no Universo. No entanto, questes como o lugar que o nosso planeta ocupa no espao csmico, a sua forma, os seus movimentos, vm intrigando os seres humanos h milhares de anos.
Diversos povos antigos acabaram criando mitos* e lendas com o objetivo de explicar e de melhor compreender o mundo em que viviam. Veja alguns exemplos a seguir. 

Imagine a Terra como uma meia esfera sustentada por elefantes apoiados nas costas de uma tartaruga que, por sua vez, encontra-se sobre uma cobra enrodilhada. Era assim que os antigos indianos explicavam as formas, dimenses e movimentos da Terra.

Segundo os mitos egpcios de criao do mundo, Shu, deus do ar (com os braos levantados), separa seus filhos Geb, deus da Terra (deitado), e Nut, deusa dos Cus (em postura arcada). Em algumas verses desse mito, o Sol e a Lua so representados como barcos que navegam sobre o corpo de Nut.

Para os babilnios, a superfcie terrestre possua a forma do casco de um navio emborcado. Em torno dela existia um oceano e uma grande cadeia de montanhas que, por sua vez, sustentava a imensa cpula celeste. Dia e noite, o Sol e a Lua deslizavam pela grande cpula azulada.

mito: relato, muitas vezes de carter religioso, que, com o objetivo de explicar a origem de determinado fato, personifica, ou seja, atribui caractersticas humanas a fenmenos naturais

A cincia e as descobertas sobre a Terra e o Universo

Como foi possvel perceber, o ser humano sempre buscou explicaes para compreender a Terra e o Universo. At cerca de 500 anos atrs, alguns povos acreditavam na idia de que a Terra era plana e chata como um disco. Imaginavam tambm que ela estava no centro do Universo e que, portanto, todos os demais astros giravam em torno dela.
A partir do sculo XVI, alguns astrnomos, por meio de observaes, medies e complexos clculos matemticos, chegaram a importantes concluses: na realidade, a Terra tem a forma 
arredondada, gira ao redor do Sol e em torno de si mesma.
Contudo, a confirmao visual da esfericidade de nosso planeta e o estudo de distantes corpos celestes somente foi possvel a partir da segunda metade do sculo XX. A criao de instrumentos e mquinas com alta tecnologia e de grande preciso, como os satlites artificiais, as naves e os telescpios espaciais, tornou possvel ao ser humano observar, do espao, a sua "casa" e seus "vizinhos".

Na Idade Mdia*, os europeus acreditavam que os corpos celestes ficavam presos a uma grande esfera translcida. Assim, o Sol, a Lua e os outros astros giravam em torno da Terra plana, como se o cu fosse uma redoma de vidro sobre um prato.

No sculo XVI, o astrnomo polons Nicolau Coprnico (1473-1543) derrubou a idia da Terra como centro do Universo, formulando a teoria heliocntrica (hlio = Sol). Por meio dela, esse astrnomo demonstrou que o Sol  o centro do Sistema Solar e que a Terra e os demais planetas conhecidos giram ao redor dessa estrela.

Em 1961, o astronauta russo Yuri Gagrin (1934-1968) realizou o primeiro vo espacial tripulado por um ser humano, a bordo da nave Vostok I, confirmando de sua posio privilegiada que a Terra realmente possui a forma arredondada.

Idade Mdia: perodo da histria europia compreendido entre os sculos VI e XV

O endereo da Terra

Chuva de luzes

Na madrugada da ltima tera-feira, milhes de pessoas em todo o mundo fizeram viglia para acompanhar um espetculo que s vai repetir-se daqui a trs dcadas. Durante horas, o cu ficou salpicado de riscos luminosos. Era uma chuva de meteoros avistada quando a cauda do cometa Tempel-Tutle passou pela rbita da Terra. As partculas liberadas pelo cometa entraram na atmosfera terrestre a uma velocidade de 250 000 quilmetros por hora. Dependendo do local onde estava o observador, foi um show inesquecvel, que se repetiu nas noites seguintes.
Veja, 25/11/1998.

Meteoros so avistados no cu sobre o Monte Fuji, no Japo.

Os meteoros so conhecidos popularmente como "estrelas cadentes", pois parecem estrelas que esto caindo do cu. Na realidade so fragmentos de matria do espao csmico que, ao entrarem em contato com a atmosfera da Terra, tornam-se incandescentes. Os meteoros so apenas alguns dos sinais de que a Terra no est sozinha no espao csmico. Com ela vagam inmeros corpos celestes, como estrelas, planetas, satlites naturais, cometas, entre tantos 
outros. Esses astros formam gigantescas aglomeraes, denominadas galxias pelos cientistas. Estima-se que no Universo existam mais de 100 bilhes de galxias, separadas entre si por imensos espaos.
A galxia onde a Terra est localizada, por sua vez,  chamada Via Lctea. Quase todos os corpos celestes que podemos ver  noite, a olho nu, fazem parte dessa galxia e, em sua maioria, so estrelas.
As estrelas so astros que possuem luz prpria, pois irradiam uma grande quantidade de energia. A estrela mais prxima da Terra  o Sol. Calcula-se que na Via Lctea existam bilhes de  estrelas, algumas parecidas com o Sol e outras de dimenses e coloraes diversas.

A Via Lctea

Os astrnomos acreditam que a Via Lctea, assim como muitas de suas estrelas, tenha surgido h cerca de 10 bilhes de anos. J o Sol teria se formado mais recentemente, h cerca de 4,6 bilhes de anos atrs, a partir de uma nuvem de gases, como o hlio e o hidrognio, e de poeira csmica contendo basicamente ferro e gelo.

Posio aproximada do Sistema Solar

Vista de cima, a Via Lctea possui forma espiralada, com grandes braos que giram em torno do seu  centro. O Sol, assim como os demais astros que compem o Sistema Solar, localiza-se em um desses braos.

Vista de lado, a galxia apresenta seu centro mais bojudo e brilhante, reunindo uma grande quantidade de estrelas.

A Terra e o Sistema Solar

O Sistema Solar  um conjunto formado por dezenas de astros que giram ao redor de uma estrela, o Sol. Entre esses corpos celestes esto os planetas, que se distanciam do Sol, do mais prximo para o mais distante, na seguinte seqncia: Mercrio, Vnus, Terra, Marte, Jpiter, Saturno, Urano, Netuno e Pluto.
Alm dos nove planetas j citados, tambm giram em torno do Sol outros tipos de astros, como  asterides, cometas e satlites naturais. Estes ltimos orbitam ao redor de alguns planetas.
Devido  sua grande massa*, o Sol, que est  no centro do Sistema Solar, atrai todos esses corpos celestes, mantendo-os em determinadas trajetrias, ou rbitas, ao seu redor. A ilustrao abaixo demonstra, de maneira esquemtica, os principais astros que compem o Sistema Solar e as suas rbitas em torno do Sol.

O Sistema Solar

Sabendo da seqncia em que os planetas distanciam-se do Sol, identifique, na ilustrao acima, cada um deles. 
Localize tambm o cometa e o cinturo de asterides.

Lua, o satlite da Terra

A Lua  o satlite natural da Terra e o astro que est mais prximo de nosso planeta. Podemos visualiz-la, de noite ou de dia, porque ela reflete a luz do Sol, permitindo que acompanhemos a sua movimentao em torno da Terra. O movimento que este satlite natural realiza ao redor de nosso planeta denomina-se movimento de translao e dura cerca de 29 dias.  nesse perodo que ocorrem as quatro fases da Lua: lua nova, lua crescente, lua cheia e lua minguante. Acompanhe, na ilustrao ao lado, como a Lua vai mudando de posio em sua trajetria em torno da Terra, dando origem a cada uma das fases.

massa: quantidade de matria que um corpo possui


Idade da Terra
A origem da Terra e do Sistema Solar

Os planetas e outros corpos celestes nasceram h 4,6 bilhes de anos, a partir de resduos da formao do Sol. O Sol desenvolveu-se, ento, ao redor de uma nuvem de gs (hidrognio e hlio) e de poeira (ferro, rochas e gelo), a nebulosa solar, que se apresenta sob a forma de um disco chato e girante. As poeiras se aglomeraram em quatro pores: Mercrio, Vnus, a Terra e Marte. Mais distante, as poeiras e o gelo se misturaram com outros gases, criando Jpiter, Saturno, Urano e Netuno. Pluto foi diferente: ele pode ter se originado de um antigo satlite de Netuno.

Master Sciences. Paris, Hachette, 1995.

Desde a sua origem, a Terra j apresentou os mais diferentes ambientes: foi quente demais para abrigar a vida ou teve grande parte de sua superfcie completamente coberta por extensas calotas de gelo.
Todas essas transformaes levaram um enorme tempo para acontecer. Por esse motivo, os seres humanos utilizam perodos de tempo com durao de milhares, milhes e at bilhes de anos para poder registrar esses acontecimentos.
Conhea a seguir algumas etapas importantes da evoluo de nosso planeta.

Quando a Terra se formou, h cerca de 4 bilhes e 600 milhes de anos, como estimam os cientistas, o planeta era muito quente, semelhante a uma bola de fogo, no possuindo forma de vida alguma.

Com o passar do tempo, o planeta foi lentamente se esfriando, dando origem a uma fina camada rochosa em toda a sua 
superfcie.

Durante o seu resfriamento, a Terra desprendeu uma grande quantidade de gases e vapores de gua. Os gases deram origem  atmosfera e os vapores de gua transformaram-se em chuvas, que caram sem parar durante muito tempo sobre todo o planeta, formando os primeiros oceanos da Terra.

Foi nos oceanos que se desenvolveram as primeiras formas de vida na Terra, bactrias e algas primitivas, microrganismos que surgiram h aproximadamente 3 bilhes e 500 milhes de anos.

Mais tarde, esses microrganismos deram origem a outros seres vivos. H 400 milhes de anos surgiram os primeiros 
animais invertebrados marinhos, tais como medusas, trilobitas, caracis e estrelas-do-mar. As plantas marinhas, como as algas verdes, tambm se proliferaram.

Aproximadamente na mesma poca, algumas plantas marinhas passaram a se adaptar fora da gua e comearam a se desenvolver nos continentes, tornando-se as primeiras plantas terrestres.


Cerca de 200 milhes de anos atrs, grandes rpteis chamados dinossauros espalharam-se pela Terra. Foi nesse perodo que 
surgiram os mamferos e tambm as primeiras plantas com flores. Os dinossauros desapareceram h cerca de 70 milhes de anos.


A partir de 65 milhes de anos atrs, a atmosfera terrestre passou a ganhar as caractersticas atuais. As grandes cadeias de montanhas, como os Alpes, os Andes e o Himalaia, comearam a se formar. Nesse perodo, aves e mamferos espalharam-se em grande quantidade pelo planeta.

Mais recentemente, entre cerca de 4 milhes e 1 milho de anos atrs, surgiram, de acordo com vrios indcios, os primeiros ancestrais do ser humano. Desde aquela poca, o clima do planeta conheceu vrios perodos de frio, devido ao avano das geleiras. H cerca de 11 mil anos, porm, as geleiras voltaram aos limites atuais nas zonas polares.

Atividades
Questes de compreenso

	1.	Entre os aspectos e fenmenos astronmicos que voc conhece, qual lhe desperta maior curiosidade? Por qu?
	2.	Muitas pessoas dizem que, quando se v uma "estrela cadente", deve-se fazer um pedido a ela. Isso j aconteceu com voc? A "estrela cadente"  realmente uma estrela? Explique.
	3.	A Voyager 1, sonda espacial norte-americana, foi lanada da Terra em 1977, em direo ao planeta mais distante do Sol, no Sistema Solar. Atualmente ela est a bilhes de quilmetros da Terra, alcanando os limites de nosso sistema. Em direo a qual planeta a Voyager 1 foi lanada? Pelas rbitas de quais outros planetas esta sonda espacial passou? Alm de planetas, que tipos de astros ela pode ter encontrado no espao do Sistema Solar?
	4.	A Lua, muitas vezes, se mostra to clara, que chega a iluminar vrias partes da Terra. Entretanto, se algum lhe dissesse que a Lua  uma estrela, voc concordaria? Justifique sua resposta.

Anlise de imagem

A cena ao lado pertence ao filme Um milho de anos antes de Cristo, do diretor Hal Roach, produzido em 1940. O filme conta a histria de Tumak, um homem das cavernas que  expulso de sua tribo e acaba envolvendo-se em incrveis aventuras com grandes dinossauros.
Depois de ter observado atentamente a imagem, responda as questes:
1.	Em alguma poca da histria da Terra uma cena como essa poderia ter acontecido? Explique.
2.	De acordo com a data apresentada no ttulo do filme, o que realmente estava acontecendo na histria da Terra? Escreva com suas palavras.	

Anlise de texto

Leia o texto abaixo, que relata uma concepo mitolgica de criao do mundo: a dos antigos chineses.


O ovo csmico

Segundo uma tradio chinesa, o Universo seria um ovo em p. O cu, em forma de tigela emborcada,  a superfcie interna da casca. A Terra, tal qual uma gema de ovo, flutua no meio do oceano primordial, que preenche a parte de baixo da casca. No miolo do ovo, vivia Pan-Ku, um gigante que durante dezoito mil anos cresceu vrios metros por dia. Com isso, a casca do ovo acabou quebrando, e o cu afastou-se cada vez mais da Terra, at  Pan-Ku morrer. Ento, a cabea do gigante tornou-se uma montanha sagrada, seus olhos transforma-
ram-se no Sol e na Lua, e seus cabelos passaram a ser as rvores.
Claude-Catherine Ragache e Marcel Laverdet. A criao do mundo: mitos e lendas. So Paulo, tica, 1992.

	1.	Crie um desenho para ilustrar o texto.
	2.	De acordo com o que sabemos atualmente sobre a forma da Terra, o que voc mudaria nessa antiga concepo chinesa? 
	3.	Entre os mitos sobre a forma da Terra e sua posio no Universo estudados neste captulo, cite aquele que mais lhe chamou a ateno e explique por qu.
	4.	A partir de quando as explicaes sobre a forma da Terra e sua localizao no espao comearam a ter um carter mais cientfico? Converse com seus colegas a esse respeito. 

Movimentos da Terra

A Terra, assim como os demais astros, no permanece parada, esttica, mas realiza determinados movimentos pelo espao sideral. Voc conhece alguns desses movimentos? Qual  a relao entre eles e a existncia dos dias e das noites? Por que existem diferenas de horrio na superfcie terrestre? E as estaes do ano, por que ocorrem?

Movimento de rotao

A Terra gira em torno de si mesma, isto , ao redor do seu prprio eixo imaginrio, assim como fazem tambm os demais planetas e os satlites naturais do Sistema Solar. Esse movimento do nosso planeta, denominado movimento de rotao terrestre, realiza-se na direo oeste-leste com uma durao de 24 horas, perodo de tempo correspondente a um dia.
O movimento de rotao da Terra determina a sucesso dos dias e das noites, regulando a vida dos seres vivos do planeta e, em especial, o ritmo de muitas atividades humanas.
	Caso a Terra no realizasse o movimento de rotao e permanecesse parada no espao, a face voltada para o Sol provavelmente seria sempre quente, com altssimas temperaturas. Nessa mesma situao, a face oposta ao Sol seria sempre fria, com temperaturas extremamente baixas. A exuberante variedade de formas de vida que existe no planeta no seria possvel em nenhuma dessas condies.

O eixo de rotao da Terra  uma linha imaginria que vai de um plo terrestre ao outro, passando pelo centro do planeta. Esse eixo foi estabelecido pelos cientistas para melhor compreenso dos movimentos que a Terra realiza. O eixo de rotao da Terra  levemente inclinado.

Movimento aparente dos astros em relao  Terra

Ao observarmos o cu durante certo perodo de tempo, temos a impresso de que so os astros, como o Sol, que esto se movendo ao redor da Terra. Esse movimento - representado no esquema ao lado pelas setas de cor azul -  chamado de movimento aparente dos astros. Na realidade, essa impresso  devida ao movimento de rotao de nosso planeta (representado pela seta de cor amarela). O giro da Terra em torno de seu eixo na direo oeste para leste, proporciona uma viso dos astros no cu movendo-se de leste para oeste. O movimento aparente que podemos perceber com mais destaque em nosso dia-a-dia  o do Sol, desde o nascente at o poente. 

Quando observamos o nascer e o pr-do-sol, temos a impresso de que a Terra est parada e o Sol se desloca pelo cu.  o Sol que realmente se movimenta? Voc j teve a oportunidade de observar  noite o movimento das estrelas ou mesmo o movimento da Lua no cu?

Zonas trmicas da Terra

Como sabemos, a Terra gira em torno de si prpria, recebendo a luz solar por toda a sua superfcie.
No entanto, como a Terra tem a forma arrendondada, os raios solares que a aquecem no atingem com a mesma intensidade as diversas regies do planeta. Prximo  Linha do Equador, os raios solares atingem a Terra perpendicularmente e, por conseqncia, com maior intensidade. Partindo em direo aos plos, os raios solares atingem o planeta de forma mais inclinada e, assim, com menor intensidade.
Desse modo, a superfcie terrestre apresenta temperaturas que variam muito de um plo a outro. Essa variao na incidncia da luz solar, em conjunto com outros fatores, que veremos mais adiante,  responsvel pela existncia de regies onde predominam as altas temperaturas e outras em que o frio  constante. Existem tambm reas onde normalmente no faz muito calor nem muito frio. 
Para identificar as regies que apresentam semelhanas na incidncia dos raios do Sol, o globo terrestre foi dividido em cinco zonas trmicas: zona tropical ou intertropical; zonas temperadas (do sul e do norte); zonas polares (do sul e do norte).
Observe o esquema abaixo.

A Terra e suas zonas trmicas

Os raios solares atingem as zonas polares de forma muito inclinada e com intensidade muito fraca. Essas regies so, portanto, menos aquecidas e apresentam as temperaturas mais baixas do planeta.

Os raios solares atingem as zonas temperadas de forma inclinada e com menos intensidade que na zona tropical. Essas zonas so, portanto, menos aquecidas, o que contribui para que possuam temperaturas mais amenas.


Os raios solares atingem a zona tropical quase que perpendicularmente  superfcie, com grande intensidade;  nessa poro que esto localizadas as regies mais quentes do planeta.

Zonas polares 
Zonas temperadas
Zona tropical

As diferenas da incidncia dos raios solares entre as zonas trmicas da Terra pode ser comprovada a partir da observao da sombra de objetos, pessoas e outros seres vivos. Os exemplos a seguir mostram a sombra projetada pelo Sol do meio-dia, na estao do vero, em trs zonas trmicas.

Zona tropical

Zona temperada

Zona polar

Fusos horrios

Devido ao movimento de rotao da Terra, partes da superfcie terrestre que esto iluminadas vo deixando de receber os raios do Sol, tornando-se noite nessas regies. Ao mesmo tempo, no outro lado da Terra, partes escuras passam a receber os raios solares, amanhecendo nessas regies.
A partir do movimento de rotao da Terra, que origina a sucesso dos dias e noites, o ser humano estabeleceu horrios diferentes para todo o planeta. Foi criado, ento, um sistema para regulamentar as horas de cada parte da Terra: o sistema de fusos horrios.
Cada fuso horrio  uma faixa imaginria na superfcie terrestre que se estende de um plo a outro e est localizada entre dois meridianos. No interior dessas faixas, todos os lugares possuem a mesma hora. Para no causar dificuldades para as pessoas, os limites dos fusos horrios esto ajustados, em grande parte, de acordo com os limites polticos dos pases.

Uma conferncia de astrnomos realizada nos Estados Unidos, em 1884, props o sistema de fusos horrios para regulamentar o tempo em todo o planeta. Esse sistema divide a Terra em 24 faixas iguais, correspondendo s 24 horas do dia. Como a Terra tem 360o de circunferncia, esse nmero  dividido pelo total de horas do dia, isto , 24. Essa diviso resulta em 15o de longitude para cada fuso, contados a partir de um meridiano inicial. Cada fuso corresponde a uma hora.

O Meridiano de Greenwich foi escolhido como o meridiano inicial para a contagem das horas. Como a Terra gira de oeste para leste, a cada fuso localizado na direo oeste, a partir de Greenwich, atrasa-se uma hora em relao ao fuso desse meridiano. Por exemplo: quando so 8 horas da manh em Londres, cidade localizada no fuso inicial, em Braslia so 5 horas da 
madrugada, pois esta cidade est 3 fusos a oeste de Londres. Ao contrrio, a cada fuso localizado na direo leste, a partir  de Greenwich, adianta-se uma hora em relao ao fuso desse meridiano. Por exemplo: quando so 8 horas da manh em Londres, em Tquio, que est 9 fusos a leste de Londres, so 5 horas da tarde (17 horas). Em toda a extenso norte-sul de um fuso no h diferenas de horrio, mesmo se a distncia entre um lugar e outro for de milhares de quilmetros.

 comum os pases que possuem grande extenso territorial apresentarem vrios fusos horrios. Observando o mapa, voc consegue identificar alguns desses pases? Quantos fusos horrios cada um possui?

Fusos horrios do Brasil

Os pases com grandes extenses territoriais apresentam mais de um fuso horrio. O Brasil, por exemplo, que tem 4 319 km de extenso de leste a oeste do seu territrio, possui quatro fusos horrios. Trs deles esto na parte continental do pas e um est na poro das ilhas ocenicas.
Por estarem localizados totalmente no hemisfrio ocidental, isto , a oeste do Meridiano de Greenwich, todos os fusos horrios do Brasil esto atrasados em relao  hora desse meridiano.

No momento em que o relgio aponta 6 horas da manh em Braslia (DF) - horrio oficial brasileiro - so 6 horas tambm nas cidades localizadas no mesmo fuso, como Porto Alegre (RS), So Paulo (SP),  Salvador (BA) e Belm (PA). 
Nas cidades localizadas um fuso a oeste de Braslia sero 5 horas da manh, como Campo Grande (MS), Porto Velho (RO) e Manaus (AM). No mesmo instante, na cidade de Rio Branco (AC), localizada dois fusos a oeste de Braslia, sero 4 horas da madrugada.  

Anurio Estatstico do Brasil. IBGE, Rio de Janeiro, 1998.

Na cidade de So Paulo so 6 horas da manh e as pessoas comeam um novo dia...

... no mesmo instante, em Rio Branco, no Acre, so 4 horas da madrugada e a maior parte das pessoas est dormindo.


Horas atrasadas em relao a Greenwich

- 2 horas
- 3 horas
- 4 horas
- 5 horas

Compreende as ilhas de Fernando de Noronha, Trindade, Martin Vaz, Penedos de So Pedro e So Paulo e o Atol das Rocas.
Abrange todos os estados da regio Nordeste, Sudeste, Sul, alm do Distrito Federal, Gois, Tocantins, Amap e a poro oriental ou leste do estado do Par.
Compreende os estados de Roraima, Rondnia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, a poro ocidental (oeste) do estado do Par e a maior parte do estado do Amazonas.
Abrange a poro mais ocidental ou oeste do estado do Amazonas e todo o estado do Acre.

Horas em relao a Braslia

+ 1 hora
horrio oficial brasileiro
- 2 horas

Aps ter observado o mapa e o quadro acima, responda: qual  a diferena de horrio entre o estado onde voc mora e o horrio de Greenwich? Qual a diferena de horrio entre o seu estado e o horrio oficial brasileiro? 

Movimento de translao

A Terra desloca-se ao redor do Sol a uma velocidade aproximada de 108 mil quilmetros por hora (o equivalente a 30 quilmetros por segundo). O deslocamento da Terra em torno dessa estrela denomina-se movimento de translao. Os astrnomos calcularam que, para completar uma volta ao redor do Sol, a Terra leva 365 dias e 6 horas. Esse perodo de tempo foi denominado ano.
Baseado nessa medida de tempo, o ser humano elaborou um calendrio, que usamos como referncia para vrias atividades de nossas vidas. No calendrio utilizado atualmente, o ano possui 365 dias. As 6 horas restantes se acumulam e em 4 anos somam 24 horas, ou seja, um dia. Esse dia  acrescentado no ms de fevereiro que passa a ter 29 dias a cada 4 anos. O ano com 366 dias  chamado ano bissexto.

Estaes do ano

As diferentes posies da Terra em relao ao Sol, ao longo do seu movimento de translao, do origem s estaes do ano. 
As estaes do ano - primavera, vero, outono e inverno - apresentam caractersticas climticas diversas e, em algumas regies do planeta, possuem perodos bem definidos de aproximadamente trs meses.
Devido  inclinao do eixo de rotao do globo terrestre, os hemisfrios Norte e Sul recebem quantidades diferentes de luz e calor do Sol durante   as pocas do ano.
 por isso que as estaes do ano seguem-se de maneira invertida entre os dois hemisfrios terrestres. Por exemplo, quando  vero no hemisfrio Sul,  inverno no hemisfrio Norte, e quando  outono no hemisfrio Norte,  primavera no hemisfrio Sul.
Nas zonas temperadas, onde  possvel perceber facilmente a diferena entre as estaes, as temperaturas geralmente so baixas durante o inverno, nevando em vrias partes dessa regio.  J no outono e na primavera as temperaturas so, em geral, amenas e agradveis, nem muito quentes nem muito frias. No vero as temperaturas so mais altas. 
Na zona intertropical, onde se localiza a maior parte do territrio brasileiro, as temperaturas so elevadas praticamente o ano todo, por isso as diferenas entre as estaes do ano so mais difceis de serem percebidas.
Nas zonas polares as estaes do ano no so to distintas quanto nas zonas temperadas, pois as temperaturas so sempre baixas, permanecendo normalmente abaixo de 0 C. 

Mesmo no vero, nas zonas polares, as temperaturas costumam permanecer abaixo de 0 oC. Contudo, as pequenas variaes trmicas que ocorrem so muito importantes para o desenvolvimento das atividades econmicas e para o dia-a-dia dos moradores dessas regies. Acima, um inuit, tambm conhecido como esquim, habitante de regies prximas ao plo Norte.

No Brasil, localizado na zona intertropical, as temperaturas permanecem altas na maior parte do ano, o que possibilita, por exemplo, o desenvolvimento de atividades de turismo e lazer. Na fotografia, a praia de Boa Viagem, em Recife (PE).

Qual  a estao do ano, neste momento, no hemisfrio Sul? E no hemisfrio Norte? Voc poderia apontar diferenas entre as estaes do ano no lugar onde mora?

Solstcios e equincios

Os solstcios e os equincios so as datas que marcam o incio das estaes do ano. Essas datas foram estabelecidas de acordo com a incidncia dos raios solares sobre o globo terrestre.
Os solstcios ocorrem quando os raios solares incidem com intensidade mxima sobre um dos hemisfrios e com intensidade mnima sobre o outro hemisfrio. Eles ocorrem nos dias 21 de junho e 21 de dezembro e assinalam a chegada do vero e do inverno.
Os equincios acontecem quando os raios solares incidem mais diretamente sobre a Linha do Equador, o que leva os hemisfrios Norte e Sul a receberem a mesma quantidade de luz e calor. Isso acontece nos dias 21 de maro e 23 de setembro, datas em que o dia e a noite tm exatamente o mesmo tempo de durao: 12 horas. Eles indicam o incio da primavera e do outono.

Equincio de 21 de maro
Nessa data o dia e a noite possuem a mesma durao em ambos os hemisfrios.  o incio da primavera no hemisfrio Norte; a partir dessa data, os dias tornam-se mais longos do que as noites nesse hemisfrio.
Incio do outono no hemisfrio Sul; a partir dessa data, os dias ficam  mais curtos do que as noites nesse hemisfrio.

Solstcio de 21 de dezembro
Incio do inverno no hemisfrio Norte. Os raios do Sol atingem com menor intensidade o Trpico de Cncer.  o dia mais curto e a noite mais longa do ano nesse hemisfrio.
Incio do vero no hemisfrio Sul. Os raios do Sol incidem diretamente sobre o Trpico de Capricrnio.  o dia mais longo e a noite mais curta do ano nesse hemisfrio.

Solstcio de 21 de junho
Incio do vero no hemisfrio Norte. Os raios solares incidem diretamente sobre o Trpico de Cncer.  o dia mais longo e a noite mais curta do ano nesse hemisfrio.
Incio do inverno no hemisfrio Sul. Os raios solares atingem com menor intensidade o Trpico de Capricrnio.  o dia mais curto e a noite mais longa do ano nesse hemisfrio.

Equincio de 23 de setembro
Nessa data o dia e a noite possuem a mesma durao em ambos os hemisfrios.  o incio do outono no hemisfrio Norte; a partir dessa data, os dias tornam-se mais curtos do que as noites nesse hemisfrio.
Incio da primavera no hemisfrio Sul; a partir dessa data, os dias ficam mais longos do que as noites nesse hemisfrio.

O governo brasileiro, durante alguns meses do ano, adota o horrio de vero em vrios 
estados do pas. Essa mudana de horrio tem como finalidade reduzir o consumo de energia eltrica. Durante os quatro meses em que o horrio de vero esteve em vigor, entre 1998 e 1999, poupou-se cerca de 1% do total de energia utilizada no pas no mesmo perodo. Essa economia equivale ao consumo de uma cidade com 1 milho e 200 mil habitantes.
Agora responda: o estado onde voc mora adota o horrio de vero? Quais so os meses do ano em que esse horrio permanece em vigor? O que muda em sua rotina durante esse perodo? Por que essa campanha de economia de energia  realizada nesse perodo e no em outras pocas do ano?

Atgividades 
Questes de compreenso

	1.	"A sucesso dos dias e das noites regula a vida de animais e vegetais em todo o nosso planeta." Converse com seus colegas e dem exemplos sobre a afirmao acima. Expliquem o movimento da Terra que  responsvel por esse acontecimento.
	2.	Observando as ilustraes do Sol do meio-dia nas zonas trmicas da Terra (na pgina 49), 
explique por que, em um mesmo horrio, a sombra de cada pessoa possui uma projeo diferente. 
Agora, relacione a causa dessas diferentes projees com as temperaturas caractersticas de cada zona trmica.
	3.	Enquanto no Brasil so 11 horas da manh (dia), no Japo so 23 horas (noite). E vice-versa. Que movimento da Terra  responsvel por essa diferena? Que sistema foi criado para regulament-la? Como ele funciona?
	4.	Imagine que voc tenha um amigo que mora em Londres, na Inglaterra. Voc precisa lhe dar uma notcia, mas ele estuda no perodo da tarde e s chega em casa s 18:30, horrio de l. A que horas, no estado em que voc mora no Brasil, ser possvel telefonar e encontr-lo em casa, aps as aulas? 
	5.	Um programa de televiso  transmitido ao vivo, s 20 horas, para todo o Brasil, de um estdio na cidade de So Paulo. Que horas so nas residncias de espectadores que esto assistindo a esse programa em: Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Florianpolis (SC), Palmas (TO) e Fernando de Noronha (PE)?
	6.	Imagine que um casal queira marcar a data de seu casamento para o dia 29 de fevereiro. Que argumentos voc usaria para explicar a esse casal que eles tero um inconveniente para comemorar o aniversrio de casamento?
	7.	Comente a relao existente entre o eixo de rotao da Terra levemente inclinado e a ocorrncia dos solstcios e equincios.

Anlise de texto

		Leia com ateno o texto abaixo:

Est a a primavera. Mas ao contrrio do que reza a tradicional diviso do ano em quatro estaes, ela no tem hora nem dia marcados para comear ou terminar, pelo menos em regies de clima tropical. L em cima, no cu, pode acontecer o equincio (marcando a entrada da atual estao e do outono) ou pode acontecer o solstcio (na chegada do inverno e do vero), mas aqui embaixo, a exuberante natureza brasileira est sempre em clima de primavera: germinando e se reproduzindo. "Graas a Deus!", exclamam os botnicos. Eles e outros amantes das plantas trazem na ponta da lngua uma relao de rvores que florescem a cada ms ou, at mesmo, o ano inteiro, como a pata-de-vaca-branca.

Elisete Vianna. In: Ecologia e Desenvolvimento, ano 3, n. 44. Rio de Janeiro, Terceiro Milnio, setembro/1994.

Agora responda:

	1.	O que o autor quer dizer, quando afirma que a primavera no tem dia nem hora para chegar s regies de clima tropical? Qual  a diferena em relao  primavera das regies temperadas?
	2.	Alm da pata-de-vaca-branca, voc conhece outras plantas que florescem o ano todo, ou especificamente em alguma estao que no seja a primavera? Quais so elas?

	3.	Existem mudanas na vegetao de onde voc mora de acordo com as estaes do ano? Que tipo de mudanas?	
	4.	Voc conhece algumas frutas que so chamadas "frutas da estao"? Que frutas so essas e em que estao do ano elas so mais produzidas?
	5.	Como as variaes climticas provocadas pelas estaes do ano influenciam o seu dia-a-dia?

Leitura

A sombra dos astros

Tido como um fenmeno sobrenatural para os povos antigos, ainda hoje um eclipse no deixa de ser algo perturbador para qualquer pessoa. Uma descrio de astrnomos italianos de julho de 1842, considerada uma das primeiras observaes modernas de um eclipse, apesar de ter sido feita por cientistas, no deixou de ser um tanto exagerada: ''A princpio, a luz diminuiu, como acontece no teatro. A pouca iluminao que restou era negra-azulada. Os objetos pareciam emporcalhados com a borra do vinho e os nossos rostos tinham um sombreado esverdeado. Bois e asnos mantinham-se imveis. As vacas leiteiras pararam de pastar e at as formigas haviam cessado seu ir e vir. Muitas flores se fecharam, enquanto pelas ruas se ouviam lamentos quando a Lua foi circundada por um halo, grande e resplendente como a aurola de um santo...''. De fato, quando o disco escuro da Lua Nova comea a se sobrepor  esfera dourada do Sol, no h como no imaginar que alguma coisa monstruosa o est devorando lentamente. De imediato aps, outros fenmenos se sucedem. Assim que a sombra da Lua avana em direo ao Sol,  possvel ver na Terra uma srie de faixas claras e escuras alternadas correndo velozes no solo. So o que os astrnomos denominam ''sombras voadoras'', causadas pela refrao da luz nas camadas quentes e frias da atmosfera. E, antes mesmo que a ltima dessas faixas desaparea, sente-se uma brisa gelada, o ''vento de eclipse'', provocado pela mudana de temperatura resultante da ausncia repentina da luz do Sol quando ele estiver atrs da Lua. ''So fenmenos que s acontecem nos eclipses totais do Sol'', esclarece o astrnomo Ronaldo Rogrio Mouro, um dos maiores especialistas no assunto. 
Se para os leigos o eclipse  to somente um enigmtico e efmero espetculo, para os astrnomos ele  uma valiosa fonte de estudos, sempre esperada com ansiedade. [...] "Cometas que estejam passando prximos da Terra ou mesmo a coroa solar - um captulo ainda obscuro para ns - podem ser analisados facilmente durante um eclipse total, porque ficam mais ntidos", explica Mouro. A coroa  a parte externa de toda e qualquer estrela, e s pode ser observada no Sol, que tambm  uma estrela. Sabendo mais sobre a coroa solar, os astrnomos podero conhecer tambm a atmosfera de outras estrelas.

Afonso Capelas Jr. "A grande sombra". In: Os Caminhos da Terra, ano 3, n. 30. So Paulo, Azul, outubro/1994.

Como ocorre o eclipse

O eclipse  um fenmeno que acontece quando um astro bloqueia a passagem da luz solar para outro astro, durante determinado perodo de tempo. Em nosso planeta, podemos observar o eclipse solar e o eclipse lunar.

A ocorrncia de um eclipse solar se d quando a Lua est posicionada entre a Terra e o Sol. Esse tipo de eclipse pode ser total, quando o Sol fica todo escondido, ou parcial, quando tem apenas uma parte ocultada pela Lua.

O eclipse lunar acontece quando a Terra est posicionada entre o Sol e a Lua. Devido a esse alinhamento, a superfcie da Lua  encoberta pela sombra da Terra. Os eclipses lunares tambm podem ser totais ou parciais.




Captulo 6

Terra, planeta da vida

A Terra  a moradia no apenas dos seres humanos, mas tambm de bilhes de outros seres vivos que povoam as mais diferentes partes do planeta. Quais so as condies que permitem a existncia de vida em nosso planeta? Revele o que voc sabe e descubra a opinio de seus colegas a respeito desse assunto.

A biosfera

A Terra possui particularidades que a distinguem dos outros planetas do Sistema Solar. Ela possui uma temperatura mdia de 15 C (graus Celsius), muito diferente das temperaturas de Mercrio e de Vnus, por exemplo.
Esses planetas possuem temperaturas mdias muito acima de 100 oC que, para os seres humanos e para outras formas de vida que se desenvolvem na Terra, seriam escaldantes. Outros planetas possuem temperaturas mdias abaixo de - 40 C.
A temperatura de nosso planeta, em conjunto com uma quantidade ideal de gua e de oxignio (entre outros gases), formam um ambiente propcio ao desenvolvimento da vida na Terra.
A poro do planeta que acolhe os seres vivos recebe o nome de biosfera.
A palavra biosfera quer dizer "esfera da vida".  na biosfera que acontecem as relaes e as interaes entre os seres vivos, e deles com os diversos ambientes terrestres, isto , com os diversos lugares do planeta que possuem condies prprias de luz, relevo, clima, gua, etc. A biosfera  a fuso das esferas que sustentam a vida na Terra, como veremos a seguir. 

A biosfera permite o desenvolvimento de seres vivos nos mais variados ambientes do planeta.

Constituio da biosfera

A biosfera  formada por trs partes que tornam possvel a existncia de vida em nosso planeta: a litosfera, a hidrosfera e a atmosfera.

A hidrosfera (esfera das guas) constitui a camada de gua, composta pelos oceanos, mares, rios, lagos e geleiras, e que est acomodada sobre a litosfera.

A atmosfera (esfera dos gases)  a camada de gases que est sobre a litosfera e a hidrosfera, envolvendo toda a superfcie terrestre.

A litosfera (esfera das rochas)  a camada slida que reveste a Terra. Essa camada  composta principalmente por rochas e pelos solos.

Dos pequenos ecossistemas  biosfera

A biosfera terrestre possui uma infinidade de paisagens que guardam caractersticas das relaes entre os seres vivos e o ambiente natural. Atualmente, os cientistas consideram o conjunto de relaes estabelecidas entre os seres vivos e os elementos fsicos da natureza (solo, gua, ar e energia solar) como um ecossistema.
Os ecossistemas podem ter dimenses variadas. Existem desde pequenos ecossistemas, como o de um lago, cujo reservatrio de gua permite o desenvolvimento de peixes, algas e outros seres, at ecossistemas gigantescos, como o dos oceanos, desertos e florestas.
Os grandes ecossistemas so compostos por vrios ecossistemas menores. No Pantanal, isso pode ser exemplificado com bastante clareza. Essa plancie  alagada na poca das chuvas, formando uma grande rea inundada. Na estao das secas, o nvel das guas baixa e formam-se milhares de pequenos lagos com peixes e outros seres vivos, que ficam isolados. Quando voltam as chuvas, o rio Paraguai volta a subir, incorporando novamente os seres vivos que estavam nos pequenos ecossistemas dos lagos ao grande ecossistema do Pantanal.
Conheceremos mais detalhadamente, na pgina seguinte, como se do as relaes em um ecossistema.

Durante a estao das secas no Pantanal, formam-se lagoas como as da foto ao lado. Elas abrigam uma grande variedade de peixes e outros seres aquticos, representando uma importante reserva de alimentos para animais como as aves e os jacars.

Ecossistema

 A variedade de ambientes existentes no espao terrestre ocorre, principalmente, em razo das diferenas climticas, da variao do relevo e da quantidade de energia solar que recebem. Esses fatores influem diretamente no desenvolvimento de cada espcie animal ou vegetal, caracterizando diferentes relaes.
Essas relaes referem-se s trocas de energia e matria que cada organismo realiza com o 
ambiente para se desenvolver, constituindo, assim, um ecossistema.
O esquema abaixo  um exemplo de ecossistema localizado no Cerrado brasileiro. Observe as relaes entre os seres vivos e os elementos fsicos. 

Ecossistema - seres vivos e elementos fsicos

As setas amarelas correspondem  luz solar, responsvel pelo desenvolvimento de todos os vegetais, que produzem alimento pelo processo da fotossntese*.
As setas vermelhas indicam o sentido da cadeia alimentar. Por exemplo, as plantas (aquticas e terrestres) servem de alimento a pequenos peixes e a animais como o veado, a lebre e o pre; estes serviro de alimento a animais como a ona, o gavio e a jararaca.
As setas cinza mostram os decompositores, como vermes, bactrias e fungos, presentes no solo; eles transformam os animais e as plantas que morrem em nutrientes para as plantas (setas verdes).
As setas azuis indicam o ciclo da gua no ecossistema: a  evaporao, as chuvas, o escoamento pelo solo, rios e lagos, e assim sucessivamente.

As setas amarelas correspondem  luz solar, responsvel pelo desenvolvimento de todos os vegetais, que produzem alimento pelo processo da fotossntese*.
As setas vermelhas indicam o sentido da cadeia alimentar. Por exemplo, as plantas (aquticas e terrestres) servem de alimento a pequenos peixes e a animais como o veado, a lebre e o pre; estes serviro de alimento a animais como a ona, o gavio e a jararaca.
As setas cinza mostram os decompositores, como vermes, bactrias e fungos, presentes no solo; eles transformam os animais e as plantas que morrem em nutrientes para as plantas (setas verdes).
As setas azuis indicam o ciclo da gua no ecossistema: a  evaporao, as chuvas, o escoamento pelo solo, rios e lagos, e assim sucessivamente.

Assim como um ecossistema dentro do Cerrado est inserido em um ambiente maior, outros diversos ecossistemas do planeta mantm relaes entre si. Qualquer grave alterao que ocorra em um deles poder afetar os demais e, conseqentemente, causar danos  biosfera. A biosfera rene, portanto, todos os ecossistemas do planeta Terra.
Nas prximas unidades estudaremos cada uma das esferas que compem a biosfera e como elas recebem a interferncia das atividades humanas.

fotossntese: processo que as plantas realizam para produzir o seu prprio alimento, utilizando gua, gs carbnico e luz solar


Atividades
Questes de compreenso

	1.	Destaque cinco palavras-chave que esto relacionadas ao tema biosfera e escreva uma frase utilizando cada uma delas.
	2.	"A gua, a terra e o ar sustentam a vida!" Caracterize as trs partes da biosfera citadas na afirmao.
	3.	"Em uma grande floresta tropical, existem animais de diversos tamanhos e, em uma poa d'gua nessa mesma floresta, podem existir muitos microrganismos." 
		De acordo com a afirmao acima, explique por que os ecossistemas podem ter dimenses bastante variadas.
	4.	Na Terra nenhum ser vive isolado. Pela prpria lei da natureza, todos dependem de todos. 
C. Ramalho Campelo. Pensamentos sobre a natureza. 
Petrpolis, Vozes, 1995.
		Comente a afirmao acima, de acordo com o que voc aprendeu sobre as relaes entre os seres vivos e os elementos fsicos presentes na natureza.
	5.	Por que a alterao em um pequeno ecossistema pode afetar um grande ecossistema? 

Anlise de imagens e debate

Observe as imagens ao lado e abaixo. Elas apresentam ambientes comprometidos por intervenes humanas.

A anlise dessas imagens pode nos levar a vrias reflexes.
	Que tipo de intervenes ocorreram nos ambientes mostrados?
	Quais as conseqncias dessas intervenes para os demais elementos que compem cada um dos ecossistemas representados nas fotografias?
Juntamente com seus colegas de sala, promovam um debate levantando hipteses sobre como essas intervenes podem afetar outros ecossistemas.

Unidade III
Litosfera

Desde sua origem, a superfcie terrestre vem sendo moldada por processos naturais para os quais o ser humano, durante sculos, no encontrava explicao. Na superfcie se originam formas fantsticas, com cores nicas, cujo destino  serem modificadas de novo e at mesmo desaparecerem, algumas vezes pela ao dos mesmos processos que as originaram. No entanto, outras formas e cores as substituiro, criando novas maravilhas da natureza.
Tesouros da Terra: minerais e pedras preciosas. So Paulo, Globo, 1997.

Chapada Diamantina, Bahia, Brasil.

A superfcie terrestre mostra-se completamente irregular. Em alguns lugares o relevo apresenta formas bastante salientes, em outros ele  plano e suave. Agora, pense no relevo do lugar onde voc mora. Como ele ? Ser que ele sempre foi assim? Qual a sua opinio e a de seus colegas sobre esse assunto?


Captulo 7

Do interior  superfcie terrestre

O ser humano j esteve na Lua e enviou sondas espaciais para os ''quatro cantos'' do Sistema Solar. Porm, muitas partes do nosso prprio planeta ainda so pouco conhecidas, especialmente o seu interior.
Voc j imaginou o que existe vrios metros ou quilmetros abaixo do cho onde pisa? De que so formadas as partes internas da Terra?

A estrutura da Terra

At hoje o que sabemos sobre o interior da Terra provm de pesquisas realizadas na superfcie terrestre, assim como da observao de alguns fenmenos naturais. Esses conhecimentos levaram  elaborao de um modelo, bastante aceito, segundo o qual o interior do planeta  formado por trs partes principais: a crosta, o manto e o ncleo. Essas partes diferem-se principalmente em funo da temperatura, da profundidade e da composio de cada uma.
A crosta terrestre, tambm chamada litosfera,  a camada da Terra mais conhecida e pesquisada.  nela que vivemos e de onde retiramos a maior parte do que necessitamos. Ela  composta principalmente por rochas e tambm pelo solo, que se origina da decomposio das rochas.

Manto: localizado abaixo da crosta terrestre,  uma camada que possui espessura aproximada de 2 900 quilmetros e temperatura mdia de 3 400 C. O manto  constitudo principalmente por silcio e magnsio na forma de magma, um material que se encontra fundido, em estado pastoso, devido s altas temperaturas.

Crosta terrestre:  a camada rochosa slida superficial da Terra, com espessura mdia de 40 quilmetros, formada basicamente por oxignio, silcio, alumnio, magnsio e ferro.

Ncleo:  a parte central da Terra, formada predominantemente por ferro e nquel, que se divide em duas partes: o ncleo externo, com cerca de 2 250 quilmetros de espessura e temperatura em torno de 3 000 C, e o ncleo interno, com aproximadamente 1 220 quilmetros de espessura (at o centro da Terra) e temperatura elevadssima, chegando a 6 000 C.

Um estudo profundo

Descobrir exatamente como  o interior do planeta sempre foi um enigma para os gelogos*. At hoje, a camada mais profunda da crosta terrestre j alcanada est a pouco mais de 12 quilmetros de profundidade, aproximadamente 1/3 da espessura total da crosta. Contudo, existem alguns fenmenos visveis na prpria superfcie que levam os cientistas a acreditar que o interior da Terra seja muito quente. As lavas* incandescentes expelidas pelos vulces e as guas ferventes dos giseres so algumas dessas evidncias. 

Os famosos giseres do Parque Yellowstone, nos Estados Unidos, so fontes que lanam vapor e jatos de gua muito quente em intervalos regulares de tempo.

gelogo: cientista que estuda a origem e as sucessivas transformaes da Terra  
lava: material pastoso em altssima temperatura que atinge a superfcie terrestre por meio de algum fenmeno geolgico

A Terra conta sua histria

Conforme j estudamos, a Terra  muito antiga e, no decorrer de sua histria, passou por diversas transformaes.
Houve pocas em que a Terra era muito quente, com muitas erupes vulcnicas. Outras em que os oceanos cobriram quase toda a superfcie terrestre. No decorrer do tempo, vrias espcies de seres vivos surgiram e se desenvolveram. Algumas viveram durante determinado perodo de tempo, mas depois desapareceram. Outras evoluram, adaptaram-se s mudanas que ocorreram e existem at hoje.
Grande parte do passado do nosso planeta pode ser reconstrudo pelo estudo e datao de minerais e de fsseis encontrados em camadas rochosas da litosfera. Os fsseis so marcas ou restos de animais e plantas que permaneceram conservados naturalmente durante milhes ou at bilhes de anos.
Um dos mtodos mais utilizados e seguros para datar um mineral ou um fssil  o da radioatividade*. Utilizando sofisticados aparelhos, os cientistas medem a quantidade de determinados elementos qumicos radioativos, como o carbono 14, o urnio e o chumbo, presentes nos minerais e nos fsseis pesquisados. Assim,  possvel saber h quanto tempo determinado mineral formou-se e a idade de um fssil de um animal ou planta.

Os fsseis na natureza

Os fsseis e alguns vestgios que indicam o passado da Terra podem ser encontrados na natureza de diferentes maneiras. Conhea algumas delas a seguir.

A forma original de um ser vivo preservada na rocha. O fssil mostrado ao lado, encontrado na Alemanha,  de uma liblula que viveu na era Paleozica e que foi soterrada por lama. Sua matria foi decomposta, mas a sua forma ficou conservada. 

Marcas ou vestgios deixados por seres vivos do passado. Um exemplo so essas pegadas de iguanodonte, um rptil carnvoro de 9 metros de comprimento que viveu h 130 milhes de anos. Elas foram encontradas no leito seco do rio do Peixe, no municpio de Souza, na Paraba.

Partes conservadas de um ser vivo. Geralmente so encontradas as partes mais duras, como dentes e ossos. 
Essas presas de tigre dentes-de-sabre, um grande mamfero carnvoro j extinto e que viveu no final do perodo Tercirio, foram encontradas em So Raimundo Nonato, no Piau.

radioatividade:  a propriedade que alguns elementos possuem de emitir espontaneamente partculas ou radiao eltrica e magntica

A reconstituio de antigos ambientes terrestres

Os paleontlogos so cientistas que estudam os fsseis de animais e plantas a fim de descobrir como era a vida no nosso planeta em pocas remotas. O trabalho desses estudiosos  bastante minucioso e delicado, pois os achados fsseis geralmente so frgeis e podem ser danificados durante as exploraes. Depois deencontrados, os fsseis so levados para um laboratrio, para que sejam datados com o auxlio de outros especialistas, como gelogos, petrlogos e geofsicos, que aplicam a tcnica da radioatividade, por exemplo.
Sabendo com preciso a idade dos achados, os paleontlogos conseguem desvendar o passado da Terra e conhecer com muitos detalhes o espao terrestre de milhes de anos atrs.

 Para no danificar os fsseis, os paleontlogos utilizam ferramentas apropriadas, como pequenas picaretas, colheres de pedreiro, pincis, escovas e luvas de algodo. Ao lado, o pesquisador retira os sedimentos depositados sobre uma pegada de pterossauro, rptil que viveu h cerca de 140 milhes de anos.


Acredita-se que h 300 milhes de anos, em um perodo da histria geolgica chamado Carbonfero, existiam ambientes como o retratado nesta ilustrao.

Baseado em: Geopdia, v.I. Rio de Janeiro/So Paulo, Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1990.

A importncia das rochas e 
dos minerais para a sociedade

O ser humano descobriu diversos recursos na natureza que puderam ser utilizados na fabricao dos mais variados utenslios e na construo de suas habitaes. Entre os recursos mais utilizados esto as rochas, assim como os seus componentes bsicos, os minerais. 
As rochas so aglomerados formados por vrios minerais, ou apenas um, e so encontradas em seu estado natural na crosta terrestre. De acordo com a sua origem, as rochas so classificadas em magmticas, sedimentares e metamrficas. 
As ilustraes a seguir demonstram, de maneira esquemtica, como cada tipo de rocha  formado na natureza. A representao em corte da casa ilustra como o ser humano se utiliza das rochas e dos minerais.

rocha magmtica

magma

As rochas magmticas so formadas a partir da solidificao do magma no interior da crosta, ou ento pela solidificao de lavas que extravasam para a superfcie terrestre atravs de erupes vulcnicas.
So exemplos de rochas magmticas o basalto, o granito, o rilito e a pedra-pome. Algumas dessas rochas, como o granito, so tambm denominadas rochas cristalinas, pois apresentam minerais cristalizados.

O basalto  uma rocha magmtica, de cor escura, muito empregada na pavimentao de caladas, ruas e estradas rurais e tambm como brita na construo civil.

Veja a seguir alguns elementos de uma casa e os principais minerais e rochas que os compem.
	1 	Telhado: argila (telha)
	2 	Paredes: argila (tijolo), calcrio (cimento), quartzo (areia)
	3 	Fundaes: calcrio (cimento), quartzo (areia), basalto (brita)
	4 	Pilares: calcrio (cimento), 
quartzo (areia), basalto (brita)
	5 	Vigas: calcrio (cimento), quartzo (areia), basalto (brita)
	6 	Caixa-d'gua: calcrio (cimento)
	7 	Janelas: ferro ou alumnio
	8 	Azulejos: argila
	9 	Louas sanitrias: argila
	10 	Calhas: ferro e zinco
	11 	Pisos cermicos: argila
	12 	Pisos de pedra: mrmore, granito, ardsia

rochas 
sedimentares


As rochas sedimentares originam-se nas partes mais baixas do relevo, a partir do acmulo de sedimentos desagregados, ou seja, partculas fragmentadas de outras rochas ou de matria orgnica que podem ser transportadas pelo vento ou pela gua e depositadas em diferentes locais. Aps milhares de anos os sedimentos mais profundos unem-se uns aos outros, devido  grande presso exercida pelos sedimentos depositados nas camadas superiores, dando origem s rochas sedimentares. So exemplos de rochas sedimentares a argila, o calcrio e o arenito.

A argila  uma rocha sedimentar formada por gros muito finos;  amplamente empregada na produo de tijolos e telhas, assim como na fabricao de azulejos, potes, vasos e outros tipos de cermica.

Adaptado de Nova Escola, ano 11, n. 93. So Paulo, Fundao Victor Civita, maio/1996.

rochas metamrficas


As rochas metamrficas so formadas a partir da transformao de outros tipos de rochas, sejam elas magmticas ou sedimentares. Quando essas rochas so expostas a nveis elevados de temperatura e presso, elas perdem suas caractersticas originais, transformando-se em rochas metamrficas. So exemplos: o mrmore, a ardsia e o gnaisse.

O mrmore  uma rocha metamrfica formada a partir da transformao do calcrio, rocha de origem sedimentar. O mrmore  bastante utilizado em construes como revestimento de pisos, paredes e bancadas.


Voc pode comprovar a importncia das rochas para a sociedade citando lugares onde elas so empregadas em sua escola e em outras construes.

O solo

Um dos elementos da natureza mais importantes para a humanidade  o solo, camada que se encontra na superfcie da litosfera.
No solo, as plantas fixam suas razes e retiram a gua e os nutrientes necessrios para o seu crescimento. Portanto,  nele que os seres humanos cultivam vegetais, como cereais, frutas, legumes e verduras, ou seja, grande parte de sua alimentao. 
Por isso, torna-se importante conhecer a formao do solo e as partes que o compem, para que possamos utiliz-lo da melhor maneira possvel.
Os solos so formados, principalmente, pela decomposio das rochas. Esse processo deve-se sobretudo  ao do calor solar,  ao dos ventos e da gua das chuvas e  ao de seres vivos, como microrganismos (bactrias e fungos), animais (minhocas, formigas, cupins, etc.) e plantas.
Observe com ateno o esquema abaixo.

1.	No incio da formao dos solos, a rocha ainda no est alterada, embora comece a sofrer a ao de fatores naturais. Assim, com o passar do tempo, as variaes trmicas entre o dia (quente) e a noite (fria) acabam quebrando as rochas em partes menores. Alm disso, a gua das chuvas entra em contato com os minerais, produzindo substncias cidas que corroem as prprias rochas.
2.	Em uma segunda etapa, j existe uma camada com matria orgnica possibilitando a existncia de vegetao. A ao de microrganismos tambm influi na formao dos solos, assim como outros fatores naturais, como o vento, que auxilia na disperso das partculas das rochas.
3.	Com a formao de camadas mais profundas dos solos, desenvolve-se uma vegetao de maior porte. Alm da ao dos microrganismos, as razes das plantas e os buracos cavados por animais tambm contribuem para a formao dos solos.

Os solos so diferentes

Os solos podem variar na composio e no nmero de camadas. Essa variao resulta em solos rasos ou profundos, com diferentes tons de cor e variados nveis de dureza, porosidade e fertilidade. Os solos so diferentes devido ao tipo de rocha do qual se originam, do clima da regio em que se encontram e da quantidade de matria orgnica que possuem. O aproveitamento do solo pelo ser humano depende dessas caractersticas e, conforme seu uso, resulta em paisagens 
diferentes: reas de vegetao natural transformam-se em reas agrcolas, pastoris, urbanas, etc. Veja, ao lado, o exemplo de um tipo de solo e suas camadas.

A parte mais superficial do solo, aquela em que o agricultor cultiva suas lavouras, possui grande quantidade de matria orgnica, alm de microrganismos, como fungos e bactrias. 
Logo abaixo existe uma camada que geralmente contm pouca matria orgnica e pequenos fragmentos de rocha.

Em seguida aparece uma camada que no contm matria orgnica, constituda, basicamente, por fragmentos maiores de rocha.

Abaixo est a rocha ainda no desagregada.

ATIVIDADES

Questes de compreenso

	1.	Jlio Verne, famoso escritor francs da segunda metade do sculo XIX, foi o precursor das histrias de fico cientfica. Em uma de suas obras, Viagem ao centro da Terra (1864), so narradas aventuras pelo interior do planeta. Suponha que Verne voltasse ao tempo atual e o convidasse para outra viagem ao centro da Terra, desta vez  em um veculo ultramoderno. A partir da superfcie terrestre, descreva as caractersticas de cada parte da Terra, at o seu "destino".
	2.	No municpio de Ponta Grossa, regio sudeste do estado do Paran, foram encontrados fsseis de conchas, algas e pequenos animais marinhos. De acordo com os  tipos de fsseis encontrados, a que concluses se pode chegar sobre como era o ambiente, h milhes de anos, no local onde se localiza esse municpio atualmente? Justifique sua resposta.
	3.	Observe em sua casa e na escola os objetos que so constitudos de rocha. Relacione-os e tente identificar de que tipo de rocha (magmtica, sedimentar ou metamrfica) cada um desses objetos  feito.
	4.	Quais so os principais fatores naturais que agem na formao dos solos? Explique como eles atuam.
	5.	''O solo  um elemento da natureza muito importante para a sociedade." Comente essa afirmao e faa uma lista de algumas das vrias utilidades que o solo pode ter para as pessoas.

Construo da "linha do tempo" e pesquisa

O tempo geolgico, isto , o tempo que se refere  existncia do nosso planeta, pode ser expresso em uma tabela a partir do estudo das rochas e dos fsseis. A tabela do tempo geolgico, como  chamada,  dividida em eras, que representam as grandes unidades de tempo. As eras, por sua vez, esto divididas em perodos. Observe.

	ERA 	PERODO 		DURAO
	Cenozica 	Quaternrio	
		Tercirio	
		Cretceo
	Mesozica	Jurssico
		Trissico  	
		Permiano
		Carbonfero
	Paleozica	Devoniano
		Siluriano
		Ordoviciano
		Cambriano 	
	Pr-Cambriana	Algonquiano
		Arqueano	

mais ou menos 4,5 bilhes a 570 milhes de anos atrs

Adaptado de Viktor Leinz e Srgio E. do Amaral. Geologia Geral.  So Paulo, Nacional, 1989.

Agora, junto com os colegas e com a ajuda do professor, construa uma "linha do tempo" de acordo com as etapas seguintes:

1.		Para representar a idade da Terra, utilize uma tira de papel (cartolina) com no mnimo 10 centmetros de largura e 4,5 metros de comprimento, que corresponder a 4,5 bilhes de anos. Portanto, cada  metro de papel corresponder a 1 bilho de anos.
2.		Com o auxlio do professor, calcule as outras medidas, de acordo com a tabela, para cada era correspondente.
3.		Indique o nome de cada era, pintando-as com cores diferentes. Voc tambm pode escrever a quantidade de anos decorridos em cada era e os nomes dos perodos existentes. Voc deve dividir a era Cenozica nos perodos Tercirio e Quaternrio.
4.		Pesquise, em enciclopdias e em outros livros, quais os seres que viveram em cada uma das eras e quais os eventos geolgicos que ocorreram. Reproduza as imagens dos seres e eventos que voc considerou mais interessantes.
5.		Com auxlio de barbantes ou fita adesiva, prenda as ilustraes em suas respectivas eras, escreva legendas explicativas e exponha o trabalho para outras turmas.

Captulo 8

O relevo e suas formas

A superfcie terrestre possui uma rea total de aproximadamente 510 milhes de km2. Essa superfcie  formada por duas grandes pores: as terras emersas, compostas por continentes e ilhas, e as 
terras imersas, recobertas pelos oceanos e mares.
Voc certamente j observou que a superfcie terrestre possui uma srie de irregularidades, com reas elevadas e outras mais planas. Isso no ocorre apenas nas terras emersas; mesmo as terras imersas apresentam essas irregularidades, s quais chamamos relevo. Assim, podemos classificar o relevo terrestre em continental e submarino. Neste captulo, iremos estudar as principais formas do relevo continental e do relevo submarino, com especial ateno para o estudo do relevo continental brasileiro.

Relevo continental

O relevo continental apresenta formas bastante variadas, sendo que algumas delas destacam-se mais na paisagem do que as outras. As principais formas do relevo continental so as plancies, os planaltos, as depresses e as cadeias de montanhas.
As plancies so formas de relevo mais ou menos planas e de origem sedimentar, pois nesses locais existe um acmulo maior de sedimentos do que em outras formas de relevo. As plancies geralmente localizam-se em baixas altitudes, ou seja, so pouco elevadas em relao ao nvel do mar. Porm, podem ser encontradas plancies em maiores altitudes.

A sudoeste do estado de Tocantins, estende-se a plancie do rio Araguaia. As baixas altitudes da plancie (em torno de 200 metros) favorecem a deposio dos sedimentos trazidos das reas mais elevadas do relevo, pelas guas dos rios. Parte desses sedimentos acumula-se nas margens dos rios dessa regio, como podemos observar na imagem ao lado.

Os planaltos so formas de relevo que possuem altitudes variveis, geralmente situadas acima de 300 metros e que apresentam superfcies onduladas e irregulares. Os planaltos tambm se caracterizam por fornecer grande quantidade de sedimentos para as reas mais baixas ao seu redor, formadas, muitas vezes, por plancies e depresses.

O planalto da bacia do rio Paran ocupa uma grande rea da poro centro-sul do pas. A irregularidade dos terrenos que compem esse planalto favorece o surgimento de quedas-d'gua no leito dos rios e, ao mesmo tempo, torna mais intenso o desgaste do relevo. 

As depresses so formas de relevo que apresentam altitudes mais baixas do que as regies que esto ao seu redor. Geralmente situam-se em altitudes que variam entre 100 e 500 metros e apresentam superfcies planas, pois foram intensamente desgastadas pela ao da gua e do vento, por exemplo. As depresses podem ser relativas, quando possuem altitude superior ao nvel do mar e inferior s regies vizinhas, como a depresso Cuiabana; ou podem ser absolutas, quando possuem altitude abaixo do nvel do mar, como no caso do Vale da Morte, nos Estados Unidos.

Em primeiro plano observa-se parte da depresso Cuiabana e, ao fundo, as encostas abruptas da Chapada dos Guimares, localizadas na regio Centro-Oeste do Brasil.

As cadeias de montanhas renem na mesma regio uma srie de montanhas. As montanhas apresentam as superfcies mais elevadas do relevo continental, possuem encostas ngremes e, por isso, sofrem intensamente o desgaste provocado pelas guas, ventos e geleiras. As montanhas fornecem grande quantidade de sedimentos para as reas mais baixas em seu entorno.

O termo cordilheira designa um conjunto de cadeias de montanhas. A cordilheira dos Andes, na Amrica do Sul, as Montanhas Rochosas, na Amrica do Norte, e a cordilheira do Himalaia (ao lado), na sia, so exemplos de grandes conjuntos de montanhas existentes na superfcie terrestre.

Outras formas de relevo
Alm das principais formas de relevo que estudamos, existem muitas outras, como morros, colinas, serras e chapadas. Os morros e as colinas so elevaes mais baixas que as montanhas, muito desgastadas pela eroso e, por isso, com formas mais arredondadas. As serras formam um conjunto de morros ou de montanhas existentes nas bordas dos planaltos. J as chapadas possuem uma superfcie bastante plana com bordas abruptas, constituindo, muitas vezes, um relevo em forma de "mesa". 

As formas de relevo do tipo po-de-acar so peculiares por seu topo arredondado e encostas abruptas. No Brasil podem ser encontradas nos estados do Rio de Janeiro e do Esprito Santo, onde essas formas tambm so conhecidas como "relevo de ponto". Ao lado, um exemplo de po-de-acar: a Pedra Azul, no Esprito Santo.

O relevo brasileiro

As formas de relevo existentes atualmente no Brasil tm origem, basicamente, em aes internas da Terra, como vulces e movimentos da crosta, que ocorreram h milhes de anos nesses terrenos. Alm disso, aes externas, como o desgaste provocado pela ao dos ventos e pelas guas das chuvas e dos rios, vm esculpindo o relevo do nosso pas.
Devido  idade muito antiga e ao intenso desgaste desses terrenos, no observamos grandes altitudes no relevo brasileiro. Cerca de 93% do territrio brasileiro  formado por terras com menos de 800 metros acima do nvel do mar.
Observe como isso  demonstrado na representao altimtrica abaixo.

Representao cartogrfica do relevo

Uma das tcnicas utilizadas pela Cartografia para representar os desnveis da superfcie terrestre  a conveno de cores altimtricas (de alti = altura e metria = medida). Essa tcnica consiste em utilizar tonalidades diferentes de cores para representar a variao de altitudes e profundidades existentes no relevo.
Observe abaixo o mapa altimtrico do Brasil:
	os tons de azul (do claro ao escuro) represen-
	tam as profundidades ocenicas e, no continente, a presena de rios e lagos;
	o verde representa as altitudes entre 0 e 200 metros;
	o amarelo  utilizado para representar as altitudes entre 200 e 500 metros;
  	o alaranjado representa as altitudes entre 500 e 1 000 metros;
	o marrom  usado para representar as altitudes acima de 1 000 metros.

Altimetria do relevo brasileiro

Altitudes

Acima de 1 000 metros
De 500 a 1 000 metros
De 200 a 500 metros
De 0 a 200 metros
Profundidades
De 0 a 200 metros 
Abaixo de 200 metros

Adaptado do Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1998.

Observando o mapa altimtrico do Brasil, diga: quais so as altitudes predominantes no pas? Agora localize o estado onde voc mora e responda: qual  a poro do seu estado que possui as maiores altitudes? E a poro com as menores altitudes? 

As unidades do relevo brasileiro

Atualmente, existem duas propostas muito utilizadas para se classificar as unidades do relevo brasileiro. Essas unidades so partes do relevo que possuem caractersticas fsicas semelhantes (como os tipos de rocha), as mesmas formas e, aproximadamente, as mesmas altitudes.
Uma das propostas de classificao do relevo foi desenvolvida por Aziz Nacib Ab'Saber, e a outra, mais recente, foi elaborada por Jurandyr Luciano Sanches Ross, ambos gegrafos e professores doutores da Universidade de So Paulo. Conhea melhor essas duas classificaes.

Classificao de Aziz N. Ab'Saber

Essa classificao foi apresentada na dcada de 1960 e destaca duas unidades principais do relevo brasileiro: os planaltos e as plancies.
Segundo essa proposta, os planaltos ocupam cerca de 75% do territrio brasileiro. So formados pelo planalto das Guianas, localizado no extremo norte do Brasil, e pelo planalto Brasileiro, que se estende pela poro central e sul do pas, ocupa mais da metade do territrio e  subdividido em planaltos menores: Central, Maranho-Piau, Nordestino, Leste-Sudeste, Meridional e Uruguaio-rio-grandense.
As plancies ocupam aproximadamente 25% do territrio brasileiro. So formadas pelas plancies e terras baixas Amaznicas, que abrangem as reas situadas ao longo do rio Amazonas e as pores do relevo de menor altitude; pelas plancies e terras baixas litorneas, que se estendem ao longo de quase todo o litoral brasileiro, com exceo de partes do litoral sul-sudeste onde as formaes serranas avanam at o mar; e pela plancie do Pantanal, que ocupa as reas banhadas pelo rio Paraguai e seus afluentes, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Unidades do relevo brasileiro
Classificao de Aziz N. Ab'Saber

Planalto das Guianas
Planalto Brasileiro
Plancies
Subdivises do Planalto Brasileiro

Adaptado de Aroldo de Azevedo. Brasil: a terra e o homem, v. 1. So Paulo, Nacional,1964.

Classificao de Jurandyr L. S. Ross

Uma proposta de classificao do relevo brasileiro mais atualizada foi apresentada pelo professor Jurandyr L. S. Ross, em 1985. Tal proposta fundamenta-se, sobretudo, nas imagens obtidas pelo Projeto Radambrasil, que, durante cerca de 15 anos (de 1970 a 1985), rastreou toda a superfcie do territrio brasileiro utilizando radares instalados em avies.
Essa classificao foi elaborada a partir de estudos sobre os processos de formao do relevo. Nela so apresentadas trs unidades principais no relevo brasileiro - os planaltos, as plancies e as depresses - que se subdividem em 28 pores distintas:
	11 planaltos: terrenos que apresentam superfcie irregular, situados acima de 300 metros de altitude e modelados pela eroso sobre as rochas, entre outros processos;
	6 plancies: superfcies muito planas com altitude de cerca de 200 metros, formadas pelo acmulo geologicamente recente de sedimentos marinhos, fluviais e lacustres;
	11 depresses: terrenos formados por longos processos erosivos sobre as rochas, com altitudes que variam de 100 a 500 metros, inclinao suave e superfcies, em geral, mais planas que as dos planaltos.

Por apresentar uma maior preciso, a proposta do professor Jurandyr L. S. Ross  a classificao adotada para estudarmos o relevo brasileiro nesta obra.

Planaltos

	1-	Planalto da Amaznia oriental
	2-	Planaltos e chapadas da bacia do Parnaba
	3-	Planaltos e chapadas da bacia do Paran
	4-	Planaltos e chapada dos Parecis
	5-	Planaltos residuais norte-amaznicos
	6-	Planaltos residuais sul-amaznicos
	7-	Planaltos e serras do Atlntico leste-sudeste
	8-	Planaltos e serras de Gois-Minas
	9-	Serras residuais do Alto Paraguai
	10-	Planalto da Borborema
	11-	Planalto sul-rio-grandense

Depresses

	12-	Depresso da Amaznia ocidental
	13-	Depresso marginal norte-amaznica
	14-	Depresso marginal sul-amaznica
	15-	Depresso do Araguaia
	16-	Depresso cuiabana
	17-	Depresso do Alto Paraguai-Guapor
	18-	Depresso do Miranda
	19-	Depresso sertaneja e do So Francisco
	20-	Depresso do Tocantins
	21-	Depresso perifrica da borda leste da bacia do Paran
	22-	Depresso perifrica sul-rio-grandense


Plancies

	23-	Plancie do rio Amazonas
	24-	Plancie do rio Araguaia
	25-	Plancie e pantanal do rio Guapor
	26-	Plancie e Pantanal mato-grossense
	27-	Plancie da lagoa dos Patos e Mirim
	28-	Plancies e tabuleiros litorneos  

Jurandyr L. S. Ross (org.). Geografia do Brasil. So Paulo, Edusp, 1995.

Relevo submarino

O relevo submarino comeou a ser estudado mais intensamente pelos cientistas apenas na segunda metade do sculo XIX, com as expedies realizadas pelo Challenger, um navio de guerra ingls transformado em laboratrio oceanogrfico. Porm, somente a partir da dcada de 1940, com o desenvolvimento de novas tcnicas e equipamentos de explorao, como sonares e radares,  que foi possvel obter informaes mais precisas e detalhadas sobre o fundo dos oceanos. Novas expedies foram realizadas com navios mais bem equipados, utilizando-se tambm de batiscafos e dirigveis (aparelhos tripulados que conseguem alcanar grandes profundidades), o que possibilitou o reconhecimento das formas do relevo submarino.
Assim como o relevo continental, o relevo submarino possui formas diferenciadas. As principais formas do relevo submarino so as plataformas e os taludes continentais, as ilhas, as bacias ocenicas, as cadeias ocenicas e as fossas marinhas. Observe a ilustrao abaixo.

As viagens do Challenger, entre 1872 e1876, lanaram as bases da moderna cincia da Oceanografia. 

Plataforma continental: zona que declina suavemente  do continente para o fundo dos oceanos. Em mdia, as plataformas medem 70 quilmetros de largura e estendem-se at 200 metros de profundidade.

Ilhas ocenicas: pores de terra que emergem do fundo dos oceanos acima do nvel das guas.

Talude continental: zona muito inclinada e estreita, que iniciaaos 200 metros de profundidade e termina por volta dos 2 000 metros.

Bacia ocenica: regio profunda que varia de 2 000 a 5 000 metros. O relevo  suave e coberto por muitos sedimentos.

Fossas marinhas: regies mais profundas dos oceanos, so vales existentes no fundo do mar que chegam a atingir profundidades superiores a 8 000 metros.

Cadeias ocenicas: grandes cadeias montanhosas localizadas sobre o assoalho ocenico.

ATIVIDADES

Questes de compreenso

	1.	O relevo apresenta formas variadas. Elabore algumas frases descrevendo as principais formas do relevo continental.
	2.	Como se caracteriza o relevo brasileiro quanto  sua altitude? O que explica o fato de o relevo brasileiro apresentar tal caracterstica?
	3.	"Partindo de Roraima, no extremo norte do Brasil, atravessamos o rio Amazonas, prximo a Manaus. Seguimos, ento, para Braslia, na poro central do pas. Depois, fomos at Corumb e conhecemos o Pantanal, navegando pelo rio Paraguai na poca das cheias. De l seguimos para o litoral do Esprito Santo, onde conhecemos belas praias."
		Seguindo o roteiro desse relato de viagem, quais unidades do relevo brasileiro puderam ser avistadas pelos viajantes, de acordo com a classificao de Aziz Ab'Saber? 
	4.	Observando o mapa das unidades de relevo segundo Jurandyr L. S. Ross,  possvel perceber que na poro norte do Brasil predominam as depresses. Analise com ateno o restante do mapa e identifique as unidades de relevo que predominam nas outras pores do territrio brasileiro.
	5.	Imagine que voc est a bordo de um submersvel realizando uma viagem pelo fundo do oceano. Descreva as principais formas do relevo submarino que voc pode encontrar.

Anlise de mapa

Altimetria do Cear 

Rio temporrio
Altitudes


Acima de 800 metros
De 400 a 800 metros
De 200 a 400 metros
De 100 a 200 metros
De 0 a 100 metros

 Atlas Geogrfico Escolar. Rio de Janeiro, IBGE - Fename, 1980.

	1.	As terras mais elevadas do estado do Cear esto situadas a quantos metros de altitude? Em que parte do estado elas se localizam?
	2.	As terras mais baixas esto indicadas em que tonalidade de cor? Essas terras variam em quantos metros de altitude e onde esto localizadas?
	3.	Quais so as altitudes do relevo que predominam no extremo sul do estado? 
	4.	Entre quais altitudes est situada a capital do estado?

Captulo 9

Formao 
e transformao do relevo

Existem diversos fatores que agem na formao e na transformao do relevo terrestre. Esses fatores podem ser internos, quando ocorrem no interior da litosfera, ou externos, quando ocorrem sobre a superfcie da Terra.

Fatores internos

 No interior do nosso planeta ocorrem fenmenos que podem alterar as paisagens terrestres, modificando o relevo continental e tambm o relevo submarino. Esses fenmenos so o tectonismo e o vulcanismo, principais fatores internos que transformam em grandes propores o relevo terrestre.

O tectonismo e o movimento das placas

A crosta terrestre no  uma camada rochosa inteiria. Pelo contrrio, ela  fragmentada em vrias partes, tanto nos continentes quanto no fundo dos oceanos.
Essas partes que compem a crosta terrestre so denominadas placas tectnicas. Todas as placas tectnicas movimentam-se de maneira lenta e contnua sobre o manto terrestre, separando-se ou aproximando-se umas das outras alguns poucos centmetros ao ano. 
A partir da percepo desses movimentos da crosta terrestre, o ser humano passou a utilizar tcnicas como os equipamentos de raio laser*, instalados em satlites artificiais em rbita da Terra, o que permitiu comprovar e medir com preciso as distncias entre os continentes e a movimentao das placas tectnicas. Por meio de medies peridicas, comprovou-se, por exemplo, que a Amrica do Norte distancia-se da Europa, em mdia, 2 centmetros por ano, enquanto a frica afasta-se da Amrica do Sul cerca de 4 centmetros por ano.
Observe o planisfrio abaixo e conhea as principais placas tectnicas e as direes em que se movimentam.

Principais placas tectnicas da Terra

Limite entre as placas tectnicas
Direo de movimento entre as placas tectnicas

Adaptado de Yves Lacoste (org.). Atlas 2000. Paris, Nathan, 1998.

Agora que voc j observou atentamente o mapa, responda: sobre qual placa tectnica est localizado o territrio brasileiro? De qual placa tectnica ela se afasta ? Com qual placa ela se choca?

laser: facho de raios luminosos de alta intensidade, produzidos artificialmente

Por que as placas tectnicas se movimentam

Os movimentos que as placas tectnicas realizam, separando-se ou chocando-se umas contra as outras, ocorrem devido ao intenso calor existente no interior da Terra. Esse calor faz o manto abaixo da crosta circular em grandes correntes, denominadas correntes de conveco. Quando as correntes de conveco so convergentes, as placas se chocam; quando so divergentes, elas se afastam. Observe a ilustrao abaixo, que mostra, de maneira esquemtica, como as correntes de conveco circulam no interior do manto e as deformaes que podem ocorrer, na crosta terrestre, em reas de contato entre as placas tectnicas.

As placas chocam-se umas contra as outras. A placa que mergulha em direo ao manto funde-se devido s altas temperaturas. A outra placa  pressionada no sentido contrrio, dando origem a grandes dobras na crosta terrestre.  o que ocorre na poro oeste da Amrica do Sul, rea de contato entre as placas Sul-americana e de Nazca.

As placas afastam-se umas das outras. Formam-se grandes fendas ou rachaduras na crosta, chamadas falhas, que so preenchidas com magma. Esse fenmeno d origem, por exemplo, s dorsais meso-ocenicas, cadeias montanhosas submersas nos oceanos.

As placas resvalam umas contra as outras. O deslize das placas provoca grandes rachaduras (falhas) na crosta ao longo da regio de contato entre elas.  o que ocorre, por exemplo, na costa oeste dos Estados Unidos, entre as placas Norte-americana e Pacfica.

Direo do  movimento da placa

Correntes de conveco

Correntes divergentes

Correntes convergentes

Crosta

Manto

Ncleo externo

Ncleo interno

Dessa forma, podemos concluir que o tectonismo refere-se ao movimento que as placas 
tectnicas realizam em funo das fortes presses que o manto exerce sobre a crosta terrestre, produzindo deformaes, como as dobras e as falhas, que conheceremos melhor a seguir.

Dobras e falhas

Os movimentos das placas tectnicas na crosta terrestre atuam intensamente na modelagem do relevo. Desses movimentos decorrem importantes formaes da crosta, como falhas e dobras.
As dobras ou dobramentos formam-se quando grandes presses horizontais atuam sobre rochas de menor resistncia, como as rochas sedimentares, provocando seu enrugamento ou arqueamento.
As grandes cadeias montanhosas da Terra, como os Alpes, na Europa, os Andes, na Amrica do Sul, e o Himalaia, na sia, formaram-se, sobretudo, pelos dobramentos da crosta terrestre, ocasionados pelo encontro entre duas ou mais placas tectnicas.

As falhas ou falhamentos ocorrem quando grandes presses verticais e horizontais atuam sobre rochas mais duras e rgidas, como as rochas cristalinas. Essas presses provocam o surgimento de gigantescas fraturas ou fendas nas rochas, que se deslocam, deslizando umas ao lado das outras.
As falhas podem dar origem a vrias formas de relevo, como as escarpas (aclives abruptos nas bordas dos planaltos) e os vales. Elas surgem tanto em reas de encontro quanto de divergncia entre placas tectnicas. A Serra do Mar, que se estende por boa parte da regio litornea do Sul e do Sudeste brasileiro,  um grande conjunto de falhamentos.

Como se formam as dobras e as falhas

Presses horizontais contrrias sobre rochas de menor resistncia do origem s dobras.

Presses horizontais e verticais sobre rochas rgidas do origem s falhas.

Continentes em movimento

Se observarmos os contornos da Amrica do Sul e da frica poderemos perceber que eles se encaixam quase que perfeitamente. Intrigado com essa "coincidncia", o meteorologista alemo Alfred Wegener desenvolveu a revolucionria teoria da deriva continental, apresentada em 1915, na qual afirmava que esses continentes estiveram unidos numa poca remota. Alm desse "encaixe" dos litorais americano e africano, Wegener encontrou vrios outros indcios de que esses continentes estiveram unidos no passado: a existncia, nos dois continentes, de fsseis idnticos de plantas e animais, assim como a ocorrncia de formaes rochosas semelhantes na costa da frica e da Amrica do Sul.
Na poca em que foi divulgada, essa teoria foi ridicularizada, chegando a ser chamada de "conto de fadas cientfico" por muitos especialistas. Ela s foi confirmada na dcada de 1960, mais de 30 anos aps a morte de Wegener, com a compreenso do movimento das placas tectnicas.

A percepo de que a frica e a Amrica do Sul se encaixam surgiu com a elaborao dos primeiros mapas da Amrica, logo aps a sua descoberta.
Mas foi Alfred Wegener (acima), cientista e viajante incansvel, quem desenvolveu a teoria da deriva continental e 
recolheu nos diversos continentes as provas para fundamentar sua teoria.
Ao lado, mapa representando a Pangia, nome dado por Wegener ao supercontinente que deu origem aos atuais.  

Vulcanismo

Voc j viu imagens de um vulco em atividade? O que mais lhe chamou a ateno? Como surgem os vulces? Existem vulces no Brasil? Descubra o que os seus colegas sabem sobre isso.

Quando a presso vinda do manto terrestre  suficientemente forte para romper as camadas rochosas da crosta, ocorre o vulcanismo. Esse fenmeno, que ocorre principalmente prximo ao encontro das placas tectnicas, consiste no extravasamento do magma contido no interior do planeta para a sua superfcie. O magma chega at a superfcie na forma de lava e pode cobrir extensas reas de terreno.
Em geral, o vulcanismo d origem a duas formas de relevo: as montanhas e os planaltos. As montanhas surgem quando as lavas acumulam-se ao redor da fenda em que o magma foi expelido. Aps vrios derrames de lavas, forma-se uma montanha, muitas vezes em forma de cone. Os planaltos surgem quando as lavas extravasam para a superfcie atravs de fissuras na crosta terrestre, espalhando-se por grandes extenses do relevo. Aps se resfriarem, as lavas do origem s rochas magmticas.
No Brasil existem formas de relevo que se originaram do vulcanismo que ocorreu h milhes de anos, como os planaltos que ocupam grande parte da bacia hidrogrfica do rio Paran. No entanto, atualmente no existe atividade vulcnica em territrio brasileiro, pois nosso pas est situado na poro central e geologicamente estatvel da placa tectnica Sul-americana.

Embora seja um belo espetculo, o derramamento de lava resultante de uma erupo vulcnica pode trazer muito perigo aos habitantes de reas vizinhas.

Terremotos

Os terremotos ou abalos ssmicos so vibraes que fazem a crosta terrestre tremer. Todos os anos, milhares de terremotos acontecem no interior da litosfera, com intensidades variadas. Eles so causados por fenmenos como o deslocamento das placas tectnicas ou o incio da erupo de um vulco. Somente uma parcela muito pequena dos tremores pode ser sentida pelas pessoas. Nesses casos, suas conseqncias podem variar de uma pequena sensao de desequilbrio ao desmoronamento de cidades inteiras, o que obriga muitas pessoas a abandonarem certas reas. Com isso, os terremotos podem modificar intensamente as paisagens do espao geogrfico.
Mesmo com as incessantes pesquisas desenvolvidas em torno da origem dos terremotos, ainda no  possvel prever com preciso quando e com qual intensidade um abalo ssmico pode ocorrer.

No dia 17 de agosto de 1999, a Turquia sofreu um forte abalo ssmico, de 7,4 graus na escala Richter (escala que mede a intensidade dos tremores). Esse terremoto deixou milhares de mortos, alm de dezenas de milhares de desabrigados. Acima, moradora da cidade de Yalova tenta resgatar algum pertence em meio aos escombros.

Fatores externos

O principal fator externo que atua na formao e na transformao do relevo terrestre  a eroso, nome dado ao processo que desgasta e, ao mesmo tempo, constri novas formas de relevo. Esse processo natural pode ser desencadeado pela ao das guas, dos ventos e das geleiras. H tambm eroses desencadeadas pela ao do prprio ser humano, como veremos a seguir.

Ao da gua

Em diversas partes do planeta, sobretudo nas regies tropicais, as chuvas so os principais agentes modeladores do relevo, provocando deslizamentos de terra e enxurradas. Os deslizamentos ocorrem porque o solo fica saturado e pesado com a gua das chuvas, provocando o deslocamento de grande quantidade de terra, sobretudo nas encostas mais ngremes do relevo.
Com as chuvas intensas, tambm podem se formar as enxurradas, correntes de gua que, por no se infiltrarem totalmente no solo, escoam para as partes mais baixas do terreno, formando valetas. Essas valetas, com o passar do tempo, podem atingir vrios metros de profundidade, sendo, ento, conhecidas por voorocas.
O desgaste provocado pelas guas das chuvas recebe o nome de eroso pluvial.
Alm das chuvas, as guas dos rios e do mar tambm atuam na transformao do relevo terrestre.
A ao das guas dos rios, que recebe o nome de eroso fluvial, se d nas partes de maior declividade do terreno, onde o escoamento  mais rpido, desgastando o relevo, ampliando a largura e a profundidade dos cursos d'gua. J em reas de menor declividade, o escoamento das guas  mais lento, ocorrendo, ento, o acmulo de sedimentos.
As guas do mar transformam o relevo litorneo ao agirem, por exemplo, sobre as rochas, escavando suas bases e formando as chamadas falsias, paredes abruptos  beira-mar. As guas do mar tambm depositam areia e cascalhos ao longo do litoral, constituindo as praias e as restingas. A ao dessas guas sobre o relevo recebe o nome de eroso marinha.

Em  pases tropicais como o Brasil, com altos ndices de pluviosidade, as chuvas so importantes agentes modeladores do relevo. Em encostas ngremes, mesmo cobertas por vegetao,  possvel a ocorrncia de deslizamentos.

As falsias esto presentes em algumas partes do litoral brasileiro, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Ao lado, falsia no municpio de Torres, RS.

Ao das geleiras

As geleiras so grandes massas de gelo que se formam em regies muito frias, onde a quantidade de neve que cai  sempre maior que a quantidade que derrete.
Nas regies montanhosas, as geleiras formam-se sobre os vales e nas encostas das altas montanhas.  medida que a neve cai, a geleira aumenta em volume e em peso. Isso faz com que ela deslize montanha abaixo, carregando consigo grande parte das rochas da superfcie, o que provoca o alargamento e aprofundamento dos vales. A ao das geleiras sobre o relevo  denominada eroso glacial.

Em regies montanhosas, como nos Alpes Suos, as geleiras so responsveis por muitas transformaes do relevo. Observe como a geleira escavou um vale entre as montanhas.

Ao dos ventos

Os ventos atuam na transformao do relevo terrestre, em especial no litoral e no deserto, onde retiram areia e poeira de determinados lugares e acumulam-nas em outros, formando dunas.
Os ventos tambm transformam o relevo quando as partculas de areia e poeira suspensas no ar colidem contra as rochas. Lentamente, o vento esculpe o relevo, originando formaes rochosas curiosas, como arcos e monolitos. A ao dos ventos na modelagem do relevo terrestre  denominada eroso elica.*

No Parque Nacional de Utah, nos Estados Unidos, a ao dos ventos deu origem a arcos rochosos.

Dunas: o relevo que se move

As dunas so montes de areia que se formam pela ao dos ventos e migram de um lugar para outro. A areia, composta por gros muito finos,  carregada pelo vento e se acumula ao encontrar algum obstculo pelo seu caminho, como grandes rochas ou vegetao. Ao atingir determinada altura, a duna costuma desmoronar, reiniciando o processo.
As dunas compem paisagens tanto do litoral quanto do interior dos continentes. Elas podem atingir alturas que variam entre 3 e cerca de 470 metros, como as mais altas dunas do mundo, no deserto do Saara, no continente africano.
No Brasil,  nas regies Norte e Nordeste que essa forma de relevo mais se destaca, como na praia de Genipabu (RN), em Jericoacoara (CE) e ainda em Mangue Seco (BA). Neste ltimo local, famoso por ter sido retratado pelo escritor Jorge Amado em seu livro Tieta do Agreste, as dunas migram com o vento em direo  vila. As construes do lugar encontram-se, portanto, ameaadas pela possibilidade de, um dia, serem cobertas pela areia.

elico: relativo a vento

Ao humana sobre o relevo

A ao do ser humano  um dos fatores externos que transformam o relevo mais rapidamente, modificando as paisagens terrestres. O relevo pode ser transformado por meio da construo de tneis, do corte ou aplainamento de uma encosta para a construo de um edifcio ou estrada, da construo de aterros, do desmonte de morros e serras para a escavao de jazidas*, entre outras situaes.
Ao se utilizar de um terreno, seja em atividades urbanas ou rurais, a sociedade humana est constantemente transformando o espao geogrfico. No entanto, sem o devido planejamento de suas aes, essas modificaes podem, gradativamente, tornar esses lugares inaproveitveis.
Veja um exemplo de como esse processo pode ocorrer em uma rea agrcola, observando a sequncia abaixo.

A ao inadequada do ser humano sobre o relevo pode causar a  formao de voorocas, com a perda de grandes reas de solo frtil e produtivo.

A eroso provocada pela ao humana

Uma rea coberta por vegetao est naturalmente protegida da ao direta das chuvas, que podem provocar a eroso dos solos. A vegetao impede o impacto direto das gotas de chuva, permitindo que a gua seja lentamente absorvida pela terra e escoada para as partes mais baixas do relevo, desgastando-o lentamente.

Porm, a ao  humana tem acelerado os processos erosivos sobre o relevo em diversas regies do Brasil e do mundo, atravs de vrias prticas, como o desmatamento de extensas reas para o uso agrcola e pecurio, a aplicao de tcnicas de cultivo e de criao que no protegem os solos e a explorao de minrios*.

Como conseqncia, quando as guas das chuvas caem sobre o terreno desprotegido, formam-se as enxurradas, que retiram do solo as suas camadas mais frteis e provocam o aparecimento de voorocas que podem atingir grandes dimenses. Dessa maneira, os terrenos tornam-se imprprios para a agricultura e a pecuria ou para a construo de habitaes. Alm disso, a terra levada em grande quantidade para os rios provoca a diminuio de seus leitos.

jazida: depsito natural de um ou mais tipos de minrio
minrio: mineral que tem potencial econmico, isto , que serve para ser comercialmente explorado

Atividades

Questes de compreenso
	1.	"Lentamente, a superfcie da Terra se movimenta. Em alguns lugares os continentes se aproximam, em outros se afastam."
		Qual  o movimento descrito no texto acima? Explique por que e como esse movimento acontece.
	2.	As dobras e as falhas so importantes processos tectnicos que transformam o relevo. Cite alguns tipos de relevo originados por eles.
	3.	Se algum lhe dissesse que houve uma erupo vulcnica no Brasil, na dcada de 1970, e que outra est prestes a acontecer em qualquer parte do pas, com apenas um argumento voc poderia invalidar tal afirmao. Qual  esse argumento?
	4.	[...] Os chineses acreditavam que o mundo repousava sobre o lombo de um boi - de vez em 
quando, o animal trocava seu ponto de apoio de uma pata para outra, fazendo a terra balanar.

Igor Fuser. "Sem hora marcada". In: Superinteressante Especial, n. 4. So Paulo, Abril, fevereiro/1998.
		A que fenmeno natural os chineses se referem atravs desse mito? Como esse fenmeno 
ocorre?
	5.	Voc j tomou conhecimento de algum tipo de transformao de relevo ocasionada por fatores externos? Conte o que aconteceu por meio de um relato ou de um desenho. Pode ser um fenmeno que voc tenha observado pessoalmente ou do qual tenha ficado sabendo por meio de notcias de jornais ou televiso.
	6.	"A vegetao natural protege o solo e evita a eroso." Explique essa afirmao e exemplifique algumas prticas humanas que podem deixar os solos desprotegidos.

Anlise de fotografia

		Observe a imagem a seguir e responda as questes.

	1.	Como a ao humana est alterando o relevo da regio apresentada ao lado?
	2.	Alm do fator humano, quais so os outros fatores externos naturais que podem estar atuando na transformao desse relevo?
	3.	Cite outros tipos de atividades humanas que atuam na transformao do relevo. Voc considera que essas atividades, inclusive a da foto, prejudicam o meio ambiente? Por qu?
	4.	Voc sabe o que  um garimpo? Descubra o que os seus colegas sabem a respeito disso.

Garimpo de ouro s margens do rio Madeira, na regio Amaznica.

Trabalho em grupo: pesquisa e produo de mapa

Junto com mais dois colegas, pesquisem, em jornais ou revistas, notcias sobre erupes vulcnicas ou terremotos, ocorridos em qualquer parte do mundo. Identifiquem o local, a data e as conseqncias do fenmeno.
Em seguida, reproduzam o mapa da pgina 75. Localizem nele as reas onde, aproximadamente, os fenmenos pesquisados ocorreram, observando se esto prximos ao encontro de placas tectnicas. Elaborem legendas que descrevam os acontecimentos e suas possveis relaes com o movimento das placas.

Leitura

Os caadores de vulces

Tremores de terra, sons aterrorizantes e uma exploso. Gases saturam o ar, que  cruzado por jatos ferventes, pedras e lava. Uma viso dantesca. Maurice e Katia Krafft, casal de vulcanlogos franceses, enfrentaram momentos como esses pelo menos quarenta vezes, a uma distncia por muitos considerada suicida. [...]
At hoje, esta  a principal importncia do trabalho dos Krafft: esclarecer as populaes sobre o rastro de destruio deixado pelos vulces. Graas a um filme educativo - elaborado por eles a pedido do governo filipino -, trezentas mil pessoas puderam escapar da ira do Pinatubo, cuja erupo, em 1991, foi considerada a mais importante de todo o sculo. [...]
Para se ter uma idia da curiosidade dessa dupla, eles estavam na Islndia quando o vulco Ileimacy despertou, cobrindo de lava muitas casas; ouviram o romper das fraturas do Kilawea, no Hava, de onde jorravam torrentes de lava e foram os nicos cientistas europeus a acompanhar a exploso do Monte Saint Helen, no estado de Washington, noroeste dos Estados Unidos, em 1980. [...]
Ao primeiro sinal de erupo, l estavam eles, acompanhados de mquinas de filmar e aparelhos de medio. J nos perodos de calmaria, no intervalo de tempo entre esses grandes fenmenos da natureza, a dupla aproveitava para dar conferncias, produzir filmes, publicar livros e fazer anlises nos laboratrios. [...] 
"De repente a terra treme, resmunga, incha, quebra, se abre, explode, sangra e ruge. Embriagada pelo fogo, o gs e barulhos terrveis, me vejo tonta.  o prazer", relatou Katia em seu livro Os vulces do mundo. [...]
Maurice e Katia foram tragados numa exploso na montanha de Unzen, a 940 quilmetros de Tquio, que surpreendeu at mesmo os especialistas japoneses. O casal havia chegado  ilha dias antes, logo aps receber notcias de movimentos suspeitos. E eles estavam muitos ansiosos por essa erupo - a primeira aps quase duzentos anos de absoluto silncio. (A ltima, em 1792, fora responsvel pela morte de 15 mil pessoas.) Segundo testemunhas que acompanharam os ltimos movimentos do casal, a paisagem foi envolvida numa densa bruma logo aps a chegada dos Krafft. Chovia e o ar estava repleto de cinzas. Este conjunto de fatores adversos, provavelmente, foi o responsvel pelo erro de avaliao dos experientes pesquisadores. "Se o tempo estivesse mais claro, eles 
subiriam apenas no momento certo, a fim de ver o domo da lava em formao", explica o amigo e gelogo japons Setsuya Nakada. Acompanhava-os de perto um grupo de jornalistas, policiais e o amigo 
norte-americano e tambm vulcanlogo Harry Gliken. Ningum sobreviveu.
Os registros locais informam que uma chuva de gs e cinzas vulcnicas se precipitou do Unzen a uma velocidade de 160 quilmetros por hora. Ocorreu uma avalanche terrvel de p, em nuvens negras sob clares escarlates, que deixou um enorme rastro de destruio e um saldo de 31 mortos. Todos os corpos foram carbonizados, e a maioria encontrada prxima a uma caminhonete em que uma equipe de filmagem tentava documentar o fenmeno. [...] 
Maurice e Katia Krafft tinham cincia desses riscos e chegaram a mencion-los numa entrevista. "Somos atrados por uma erupo como a mariposa pela luz. Somos devoradores de vulces, mas sabemos que um dia um deles nos comer."

Ariadne Guimares. "Os caadores de vulces". In: Geogrfica Universal, n. 255. Rio de Janeiro, Bloch, abril/1996.

Captulo 10

Os minerais so
recursos da natureza

A forma de desenvolvimento da sociedade humana tem promovido o aumento da produo de alimentos, roupas, veculos, eletrodomsticos...
A fabricao de todos esses produtos exige o uso de recursos encontrados na natureza, ou seja, de recursos naturais. Agora pense: que tipo de recursos o ser humano busca na natureza? Esses recursos tm sido explorados com moderao ou de forma indiscriminada?

Recursos naturais

Recursos naturais so todos os elementos que esto disponveis na natureza e que podem ser utilizados pelo ser humano. A gua, o ar, a energia solar, o solo, os minerais, a flora* e a fauna* so recursos naturais.
De acordo com a possibilidade ou no de se renovar, isto , de retornar ao seu estado original, os recursos naturais podem ser agrupados em duas categorias: os renovveis e os no renovveis.
Os recursos naturais renovveis so aqueles que, quando utilizados pela sociedade, podem ser repostos pela natureza ou conservados pela ao humana. A gua, os solos e as florestas so alguns deles. Se utilizados de forma racional pela sociedade, esses recursos provavelmente nunca se esgotaro.


Os recursos naturais no esto distribudos de maneira uniforme por todas as regies do planeta. 
Alguns pases desfrutam de uma quantidade maior de recursos naturais. O Brasil possui florestas extensas, rios abundantes, solos agricultveis e tambm importantes reservas minerais em seu subsolo.
Alm disso, o Brasil  um pas sem grandes obstculos naturais (desertos, geleiras, altas cadeias montanhosas) que dificultem a explorao desses recursos.

rvores e outros tipos de vegetais podem ser cultivados pelo ser humano e utilizados como fontes de matria-prima. Atualmente, paisagens como esta, de uma grande rea de reflorestamento, so cada vez mais comuns.

Os recursos naturais no-renovveis so recursos que, quando utilizados pela sociedade, no podem ser repostos pela natureza nem recriados pela ao humana. O petrleo, o ferro e o alumnio so recursos que, ao serem aproveitados, vo diminuindo de quantidade na natureza.

Minrios como o ferro so importantes matrias-primas para os mais diversos produtos. Recursos como esses, no entanto, existem em quantidade limitada na natureza, e alguns deles podem acabar rapidamente se forem utilizados em excesso.

flora: conjunto de espcies vegetais que crescem e se desenvolvem em uma determinada regio
fauna: conjunto de espcies animais que crescem e se desenvolvem em uma determinada regio

Recursos minerais

As rochas da crosta terrestre so compostas por diversos minerais, que podem ser utilizados como matria-prima para a elaborao dos mais variados produtos.
Depois de extrados da natureza, os minerais so transformados pelas indstrias e utilizados na fabricao de eletrodomsticos, automveis, jias, computadores, entre vrios outros produtos. Os minerais tambm so muito usados na construo de casas, edifcios, pontes e estradas.
De acordo com suas propriedades fsicas e qumicas, os minerais so classificados em:
	minerais metlicos: aqueles que apresentam as propriedades fsicas e qumicas de metal, como boa conduo de calor e eletricidade;
	minerais no-metlicos: aqueles que no possuem as propriedades fsicas e qumicas de metal.
Alm dos minerais, na litosfera ainda podem ser encontrados os recursos naturais energticos fsseis de origem orgnica, que possuem a propriedade de liberar grande quantidade de energia quando levados  combusto*.
Conhea na tabela abaixo alguns exemplos importantes de minerais e de recursos energticos fsseis e suas utilizaes.

Desde a pr-histria, diferentes tipos de minerais so utilizados pelo ser humano para fabricar utenslios e ferramentas. No princpio, eram utilizados minerais no-metlicos, como o slex e o quartzito. Com o passar dos milnios, determinados grupos humanos descobriram como empregar minerais metlicos, como o cobre e o estanho (que, misturados, deram origem ao bronze) e o ferro. Na imagem ao lado, foice antiga de ferro com cabo de chifre.

RECURSOS MINERAIS METLICOS 

Ferro

 encontrado em abundncia na litosfera. Possui muitas utilidades, sendo largamente empregado na atualidade.  tambm o principal componente do ao.

Alumnio

Obtido principalmente do minrio chamado bauxita. Muito leve, resistente e bom condutor de calor,  utilizado na indstria automobilstica, aeronutica, na fabricao de fios eltricos e em utenslios de cozinha.

RECURSOS MINERAIS NO-METLICOS

Diamante

Mineral raro, usado na confeco de jias e na ponta de brocas para perfurao de poos artesianos e petrolferos.

Calcrio

Mineral a partir do qual  produzido o cimento, a cal e o giz. Utilizado tambm como corretivo dos solos, no tratamento de gua e na fabricao do papel e do acar.

Areia

Muito empregada na produo de vidros e, na construo civil, para a fabricao do concreto.

RECURSOS  ENERGTICOS FSSEIS

Petrleo

Matria-prima de onde se extrai a gasolina, o querosene, o leo diesel, entre outros derivados. Utilizado, tambm, na fabricao de plsticos.

Gs natural

Excelente combustvel, de uso domstico e industrial. Tem sido cada vez mais utilizado, principalmente por ser menos poluente do que o petrleo e o carvo.

Carvo

Alm de ser utilizado como fonte de energia, esse recurso natural tambm  muito empregado na indstria qumica (produo de corantes, explosivos, medicamentos, plsticos, entre outros produtos).

combusto: queima de um corpo produzindo calor e luz  

Recursos minerais brasileiros

O Brasil est entre os pases que possuem as maiores e mais variadas reservas minerais do planeta. Esse fato se deve, em grande parte,  extenso do seu territrio e  composio de suas rochas.
Atualmente, o Brasil explora cerca de cinqenta minerais diferentes, destacando-se mundialmente na produo de ferro (2o produtor do mundo), mangans (3o produtor), estanho (4o produtor), bauxita (3o produtor), entre outros.
No entanto, existem certos minerais que so extrados em quantidade insuficiente para abastecer o consumo interno e, por esse motivo, so importados, como a prata, o enxofre e o mercrio.
Observe no mapa a seguir a localizao das principais jazidas minerais brasileiras e as principais regies extrativas.

Adaptado do Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1996.

Segundo a Constituio Brasileira de 1988, em seu artigo 176, "as jazidas [...] e demais recursos minerais [...] constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de explorao ou aproveitamento, e pertencem  Unio* [...]".
Converse com seus colegas e com o professor sobre o significado desse trecho de nossa Constituio.

Recursos energticos fsseis

Os recursos energticos fsseis so usados na gerao da energia que movimenta as mquinas das fbricas e os meios de transporte (avies, navios, carros, nibus). Eles servem, tambm, como matria-prima na fabricao de diversos produtos.
Esses recursos so essenciais para o crescimento de um pas, pois so fundamentais ao desenvolvimento de muitas atividades, sejam elas industriais, comerciais ou agrcolas. Os principais recursos energticos fsseis utilizados atualmente so o petrleo e o carvo.

Petrleo

H milhes de anos a acumulao de matria orgnica (restos de microrganismos) no fundo dos oceanos deu origem a uma substncia viscosa, geralmente de cor escura, chamada petrleo.
O petrleo  extrado no estado lquido de depsitos naturais no subsolo, onde encontram-se armazenadas tambm outras substncias energticas fsseis, como o gs natural e o xisto betuminoso.
Diariamente, milhes de barris* de petrleo bruto so extrados no mundo. Em seguida, essa substncia  transportada das reas de extrao para as refinarias, indstrias que transformam o petrleo bruto em vrios subprodutos, como gasolina, leo diesel e querosene. So derivados do petrleo, tambm, plsticos, borrachas sintticas, asfalto, fertilizantes, fibras, entre muitos outros.

A descoberta do petrleo como fonte de energia serviu para impulsionar as atividades industriais, bem como o desenvolvimento dos meios de transporte. Acima, fotografia de 1886 mostrando o primeiro automvel - praticamente uma carroa com um motor acoplado. No banco de trs, o alemo Daimler, seu inventor. 

A formao do petrleo

A - 	A formao do petrleo inicia-se com a morte de microrganismos e com o acmulo da matria orgnica, em 
lugares como o fundo de mares e oceanos.

B - Sedimentos de rocha cobrem totalmente a rea, enquanto bactrias iniciam a decomposio da matria orgnica. O calor interno da Terra e a presso das camadas superiores iniciam a transformao dos restos orgnicos em petrleo.

C - O petrleo j formado acumula-se entre as camadas de rochas, podendo ficar armazenado por milhes de anos. Atravs de um processo chamado prospeco, as reservas de petrleo so localizadas para, depois, serem exploradas.

barril: unidade de medida de petrleo que equivale a 159 litros desse produto

O petrleo no Brasil

O petrleo  um recurso natural que est presente na composio de diversos produtos que usufruimos em nosso dia-a-dia.
Entretanto, as jazidas de petrleo exploradas atualmente no Brasil so insuficientes para atender  demanda interna do pas pelo produto. As reservas conhecidas produzem cerca de 71% do petrleo consumido no pas. Os outros 29% necessrios para suprir o consumo interno so importados de outros pases, principalmente do Oriente Mdio*. As jazidas, tambm chamadas bacias, esto localizadas em reas de rochas sedimentares no continente e no oceano (na plataforma continental).
O petrleo extrado no Brasil ou importado passa por vrios lugares at ser consumido. Em sua forma bruta, segue para as refinarias, lugar onde  transformado em combustveis e em matrias-primas para outras indstrias.
Os combustveis, por exemplo, so levados s empresas distribuidoras e, depois, aos postos de venda, onde vo abastecer os automveis.
As refinarias de petrleo localizadas no territrio brasileiro esto prximas s regies onde h maior concentrao industrial, a fim de atender s necessidades de matrias-primas desse setor.
Observe o mapa ao lado.

Principais reas produtoras de petrleo e refinarias no Brasil
Extrao no oceano
Extrao no continente
Plataforma continental
Refinaria
Verifique no mapa acima a localizao das principais reas produtoras de petrleo no Brasil, no continente e no oceano. Em seguida, observe uma das caractersticas da organizao do espao geogrfico brasileiro, comparando a localizao das refinarias de petrleo e as reas de concentrao industrial do pas, no mapa da pgina 162.

Desde sua extrao, em estado bruto, nas plataformas, at chegar aos postos de venda de combustveis, o petrleo  transformado e passa por vrios lugares, estabelecendo relaes entre eles.

Oriente Mdio: regio da sia, localizada prximo  Europa e  frica, que se estende desde o leste do Mediterrneo at a ndia (alguns pases dessa regio so importantes produtores de petrleo, como a Arbia Saudita, o Kuweit e o Iraque)

Carvo 

Centenas de milhes de anos atrs, extensas florestas existentes em regies de lagos e pntanos foram soterradas. A matria orgnica dessas florestas, rica em carbono, foi transformando-se, com o passar do tempo, em um material rochoso denominado carvo. 
O carvo  a principal fonte de energia utilizada para aquecer os altos-fornos das siderrgicas para a fabricao do ao. Ele tambm  usado na indstria qumica para a produo de corantes, explosivos, inseticidas, plsticos, medicamentos e fertilizantes.

O carvo foi o primeiro combustvel fssil utilizado em larga escala. Ele serviu como fonte de energia para os 
altos-fornos das siderrgicas e para movimentar as mquinas a vapor. Essas mquinas (como a da imagem 
ao lado, construda por James Watt, em 1781) possibilitaram a substituio da fora animal pela fora mecnica na realizao do trabalho, e deram grande impulso ao desenvolvimento da indstria.

A formao do carvo 

restos vegetais

carvo em formao

carvo 

A -	Uma grande quantidade de restos de vegetais  soterrada no fundo de lagos e pntanos.
B -	Durante milhes de anos, os resduos vegetais so cobertos por camadas de sedimentos que os comprimem, aumentando a temperatura e retirando o oxignio de seu interior.

C -	Sem oxignio, essa matria orgnica endurece devido  grande quantidade de carbono, transformando-se em carvo. Quanto maior a concentrao de carbono, melhor  a qualidade do carvo.

No Brasil, as maiores jazidas de carvo esto localizadas na regio Sul, principalmente nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses dois estados so responsveis por praticamente toda a produo nacional de carvo.
Como o carvo brasileiro apresenta grande quantidade de impurezas, ele  utilizado em uma mistura com carvo importado, que possui maior concentrao de carbono. Cerca de 65% do carvo consumido no pas provm das importaes.

As jazidas esto se esgotando

Desde h aproximadamente dois sculos, com o constante desenvolvimento de tcnicas de extrao, os minerais e os recursos energticos fsseis vm sendo retirados da natureza em grandes quantidades. A maioria desses recursos so no-renovveis; por isso, se a explorao continuar no ritmo atual, muitos deles podero se esgotar em poucas dcadas.
Considerando-se as jazidas disponveis atualmente, veja a seguir alguns exemplos de minerais que esto se esgotando.
	O ouro  um dos minerais mais valorizados que existem. Ele  utilizado no ramo 
joalheiro e na fabricao de vrios produtos, alm de servir como reserva de riquezas para os pases que o possuem. Calcula-se que as reservas disponveis de ouro podem se esgotar na dcada de 2020.
	O estanho  obtido a partir de um mineral chamado cassiterita.  muito utilizado em associao com o cobre na fabricao de esttuas, medalhas e outros utenslios, alm de revestir o ao em latas de leo, milho em conserva, extrato de tomate, etc. As reservas deste mineral tm esgotamento previsto para o final da dcada de 2020, aproximadamente.
	O nquel  um mineral bastante empregado na indstria em funo de sua grande resistncia  corroso. Por esse motivo, ele  utilizado na fabricao de moedas e no revestimento de objetos feitos de ao ou de outros metais, como torneiras para cozinha e banheiro. O esgotamento das jazidas deste mineral est previsto para o final da dcada de 2050, aproximadamente.
Embora grande parte dos minerais no-renovveis possam se esgotar, muitos deles podem ser reutilizados pela sociedade. Alm disso, novas tecnologias permitem a substituio de muitos minerais por outros materiais, como, por exemplo, o papel, a borracha e as fibras sintticas.

O que o smbolo ao lado significa? Por que, atualmente, muitos produtos apresentam esse smbolo em suas embalagens? Cite alguns desses produtos.

Dois mil alunos recolhem 1 milho de latas

Os alunos da Escola Municipal George Pfisterer, no bairro da Gvea, Rio, costumam andar de cabea baixa. No, nenhum problema.  que, dia e noite, vasculham ruas, praias e lixeiras em busca de latinhas de alumnio. O resultado  fabuloso: [...] os 2000 estudantes da escola j coletaram mais de 1 milho de latas. Elas j renderam, na base da troca, seis computadores PC, trs deles com monitores coloridos, uma impressora, um sistema de refrigerao de ar e a reforma do banheiro da escola. [...]
A coleta seletiva de lixo  uma das atividades ambientais mais comuns nas escolas. Est ligada ao reaproveitamento (reciclagem) industrial de materiais, prtica j antiga no Primeiro Mundo. No  s o "toma l, d c" que motiva os alunos. Eles so esclarecidos sobre a importncia do que fazem. A limpeza da cidade  o resultado mais imediato. Outros dois decorrem do reaproveitamento industrial das latas: 1) reduz-se o impacto ambiental da extrao de minrio de alumnio (bauxita); 2) gasta-se menos energia nos fornos eltricos industriais. [...]

Nova Escola, ano 10, n. 85. So Paulo, Fundao Victor Civita, junho/1995.

ATIVIDADES

Questes de compreenso

	1.	Os recursos naturais tambm so utilizados por voc, porm, na maioria das vezes, j foram transformados em diferentes produtos. Faa uma relao de quatro recursos naturais renovveis e de quatro no-renovveis, presentes em produtos que voc utiliza diariamente. No se esquea de relacionar o nome do produto em que esse recurso foi transformado. Compare sua lista com a de seus colegas.
	2.	[...] Sem clcio para nossos ossos, ferro para nosso sangue e sal para nossas lgrimas, no nos seria possvel passear  beira-mar, ao sol, sob o cu azul.

Jonathan Weiner. Planeta Terra. So Paulo, Martins Fontes, 1988.

		Alguns minerais tambm so muito importantes para a nossa sade. Escolha um entre os minerais citados no texto e procure saber, conversando com outras pessoas, pesquisando em livros e revistas, quais os benefcios trazidos por ele ao nosso organismo. Descubra tambm alguns alimentos ricos nesse mineral.
	3.	Analisando o mapa da pgina 86, identifique se o estado onde voc mora possui jazidas minerais. Quais so elas? A produo mineral em seu estado  significativa? Se no souber, investigue com o professor ou procure em livros sobre seu estado.
	4.	"Hoje ele  combustvel encontrado entre as rochas, mas, h milhes de anos, era constitudo de microrganismos que viviam nos oceanos." A qual recurso natural refere-se essa frase? Como ele se formou e como  utilizado atualmente?
	5.	"O carvo  formado por animais que entraram em decomposio h alguns anos, tendo em sua composio grande quantidade de oxignio." Detecte as informaes incorretas e corrija-as, 
reescrevendo a frase em seu caderno.
	6.	As reservas mundiais de minerais esto diminuindo rapidamente. Na sua opinio, o esgotamento das jazidas minerais representa um grande problema para a sociedade? Justifique sua resposta.

	Leia atentamente o texto a seguir:

Tem soluo

Como dar fim ao lixo, sem afetar o meio ambiente tambm? Algumas medidas tm sido adotadas. As principais so: a reduo da produo de lixo, a reutilizao e a reciclagem.
Reduzir a produo do lixo  diminuir a quantidade de lixo, claro! A gente joga fora muita coisa aproveitvel. Quer um exemplo? A comida. Se  voc olhar na lata de lixo de qualquer casa, vai encontrar folhas de brcolis, couve-flor e outras muito nutritivas. O que elas esto fazendo ali quando poderiam estar na nossa sopa? Isso vale para as pessoas e tambm para as indstrias. Afinal, muitas das coisas inteis que acabam nas latas de lixo foram produzidas pelas indstrias, como embalagens que s servem de enfeite, por exemplo.
Reutilizar quer dizer usar de novo.  pegar os vidros de gelia ou maionese, por exemplo, e guardar temperos; fazer um jarro de plantas com garrafas de plstico; transformar latas de refrigerante em porta-lpis; recortar saco plstico de leite e fazer tapetes de croch; aproveitar as peas antigas do computador, enfim, usar a imaginao. Tem muito artista ganhando a vida com a reutilizao de coisas que iriam para o lixo.
A reciclagem  um processo industrial. Ela consiste em fazer papel novo a partir de papel velho. Ou pegar vidros usados e fabricar novas peas de vidro. Transformar pedaos de plstico em plstico novo ou em tecidos, como a indstria da moda est comeando a fazer.
Reduzir, reutilizar, reciclar. Essas trs medidas so muito importantes. So elas que vo evitar que, no futuro, o meio ambiente vire... um lixo!

 Cincia Hoje das Crianas, ano 10, n. 76. Rio de Janeiro, SBPC, dezembro/1997.

Quando reutilizamos alguns materiais, estamos contribuindo para economizar as matrias-primas renovveis e principalmente as no-renovveis, como ferro, alumnio e petrleo. Para se ter uma idia de como isso  possvel, escolha um ou mais objetos, como copos ou sacos plsticos, garrafas ou latas de refrigerante, entre outros materiais descartveis. A seguir, crie uma nova utilidade para eles. Invente brinquedos, enfeites para casa e outros objetos com diferentes fins.
Use sua criatividade e voc ver quantas idias iro surgir! Monte uma exposio dos objetos junto com seus colegas e incentive outras pessoas que voc conhece a fazer o mesmo.

IV Unidade

Hidrosfera

Pesca artesanal no litoral da Bahia. Na gua dos rios e dos mares est a fonte de alimentos e de renda para muitas famlias de pequenos pescadores.

Cerimnia hindu s margens do rio Ganges, em Calcut, na ndia. Para muitos povos a gua  considerada um elemento sagrado. Na ndia, por exemplo, as pessoas banham-se nas guas desse importante rio com a inteno de purificar-se.

Indstria de refrigerante. A gua  utilizada em abundncia em vrias atividades industriais. Nas indstrias de bebidas, a gua  a principal matria-prima para a fabricao de refrigerantes e cervejas. Ela pode tambm ser envasada como gua mineral.

Os seres vivos dependem diretamente da existncia de gua na Terra. Para a sociedade humana a gua possui grande importncia e um significado especial. Agora pense: voc j utilizou gua hoje? Em que situaes? Imagine como seria o seu dia sem gua.

Captulo 11

guas continentais

A gua  um dos principais elementos responsveis pelo desenvolvimento dos organismos vivos e pelas caractersticas atuais que a superfcie terrestre possui. A poro da hidrosfera localizada nas terras emersas constitui as guas continentais. Elas podem estar na forma de rios, lagos, geleiras e  guas subterrneas que, juntas, formam as principais fontes de gua potvel do planeta.
Mas, como  possvel que a gua aparea sob diferentes formas? Voc sabe como a gua surgiu na Terra? Ser que ela um dia pode acabar?
O movimento e a origem da gua na Terra
O surgimento da gua existente na superfcie do nosso planeta  explicado por diferentes teorias. As mais aceitas atualmente afirmam que a gua surgiu com o resfriamento da superfcie terrestre.
No incio de sua formao, a Terra era muito quente, permitindo que elementos mais leves como gases e vapores d'gua fossem expelidos do interior para a superfcie do planeta. Com o decorrer do tempo, a superfcie terrestre foi se resfriando gradualmente e os vapores d'gua formaram espessas nuvens carregadas de gotculas, que passaram a cair em forma de chuva. Essas chuvas atingiram a superfcie terrestre durante um longo perodo, formando rios, lagos e os primeiros oceanos do planeta.
Essa abundncia de gua foi uma das principais condies que propiciaram o surgimento das primeiras formas de vida na Terra.
Desde o seu surgimento, a gua est em constante movimento na natureza. Esse fenmeno  desencadeado pela energia do Sol, que aquece a superfcie dos oceanos e dos continentes, com seus rios e lagos, fazendo a gua mudar o seu estado fsico (lquido, gasoso ou slido). O deslocamento da gua tambm ocorre em razo da gravidade terrestre*, que a atrai das partes mais altas para as partes mais baixas do relevo. Essa contnua circulao da gua na Terra recebe o nome de ciclo da gua ou ciclo hidrolgico.

Ainda que circule em vrios estados fsicos, a gua existente em nosso planeta possui sempre o mesmo volume, cerca de 1 bilho e 600 milhes de quilmetros cbicos, distribudo da seguinte maneira (em percentuais aproximados):

97% 	oceanos e mares
	2,3% 	geleiras
	0,6%	solo e subsolo
	0,09% 	lagos, rios e pntanos
	0,01% 	atmosfera* 
* nuvens e vapor d'gua

Adaptado de Genebaldo Freire Dias. Educao ambiental: princpios e prticas. So Paulo, Gaia, 1993.

O ciclo da gua

A ilustrao acima apresenta, de maneira esquemtica, as etapas do ciclo da gua. Junto com seus colegas, procure descrev-las.

gravidade terrestre: atrao que a Terra exerce sobre os corpos localizados em sua superfcie e tambm em seus arredores

Rios e lagos
Os rios e os lagos possuem grande importncia para a sociedade. O ser humano sempre procurou permanecer prximo dessas fontes de gua. Foi junto a essas guas continentais que muitas civilizaes se desenvolveram na histria da humanidade.
Os rios so cursos naturais de gua que correm, a partir de sua nascente, em direo s partes mais baixas do relevo, para desaguarem em outro rio, em um lago ou no oceano. Os rios diferenciam-se de acordo com a forma de relevo por onde passam (regies planas ou irregulares) e com o clima (regies secas, chuvosas, entre outras).
Os lagos, que podem ser de gua doce ou salgada, esto situados em depresses das terras emersas. Como os rios, os lagos possuem extenses, profundidades e formas variadas. Sua origem pode ser natural ou artificial.
Os lagos naturais formam-se devido  deposio de sedimentos como areia, argila e cascalho, que dificultam o escoamento das guas. Alm disso, a existncia de rochas impermeveis impedem a infiltrao da gua para o lenol subterrneo. J os lagos artificiais formam-se, em geral, devido ao represamento das guas de um rio por meio de uma barragem construda pelos seres humanos.

A partir de sua nascente, no incio de seu curso, o rio pode passar por partes mais acidentadas do relevo, com maior declive, onde se formam as corredeiras, que agitam suas guas. Quando o rio encontra um desnvel abrupto do relevo, formam-se  as cachoeiras.


A superfcie por onde fluem as guas de um rio se chama leito. Quando o leito do rio encontra uma depresso do relevo, podem se formar lagos naturais, porm, quando so construdas barreiras pelo ser humano, formam-se os lagos artificiais, que transformam a paisagem, inundando extensas reas.

Em seu caminho, o rio pode incorporar as guas de outros rios menores, chamados afluentes.

O local onde o rio desgua em outro rio, em um lago ou no oceano, chama-se foz.

 
Voc conhece algum rio ou riacho? Existem lagos naturais ou artificiais em seu municpio? Converse com seus colegas sobre as principais razes que levam os seres humanos a habitarem lugares prximos aos cursos d'gua.

Regime de um rio
O volume e o nvel das guas de um rio variam durante o ano. Essas variaes ocorrem de acordo com a quantidade de gua que provm das chuvas ou do derretimento de neve. A variao peridica do volume e do nvel das guas de um rio durante o ano denomina-se regime fluvial.

Cheia e vazante
Na estao do ano mais chuvosa, a quantidade de gua que chega aos rios geralmente  maior do que em outras pocas, dando origem s cheias. Nessas situaes os rios podem transbordar, inundando os terrenos em seu entorno.

J na estao do ano mais seca, a quantidade de chuvas  menor do que em outras pocas. Por isso a quantidade de gua que chega aos rios  pequena, diminuindo seu volume, dando origem s vazantes.

Grande parte dos rios brasileiros possui um regime que varia de acordo com a quantidade de chuvas que caem nas regies que percorrem. Assim, em geral, as cheias ocorrem na estao mais chuvosa, enquanto as vazantes ocorrem na estao mais seca.
O rio Amazonas e alguns de seus afluentes, por exemplo, possuem um regime que varia conforme as abundantes chuvas que caem na regio equatorial, onde esto localizados. O regime desses rios depende, tambm, das guas provenientes do degelo das neves na cordilheira dos Andes, onde esto suas nascentes.
No Brasil, a maioria dos rios so perenes, ou seja, mantm seus cursos com gua durante todo o ano. Entretanto, no Nordeste existem os chamados rios temporrios, isto , aqueles que secam completamente os seus cursos nos perodos das grandes estiagens. Isso ocorre devido  escassez e  irregularidade das chuvas naquela regio.

Em pocas de estiagem prolongada, muitas cidades da regio Nordeste vivem situaes como a de So Raimundo Nonato (PI), em que o leito do rio Piau apresenta-se totalmente seco.

Voc j pde observar o regime de um rio no lugar onde vive? J tomou conhecimento de inundaes ou de rios que j secaram? Como o regime de um rio pode modificar a paisagem ou a vida das pessoas? Troque informaes sobre isso com seus colegas.

Bacia hidrogrfica
Bacia hidrogrfica ou bacia fluvial  a poro da superfcie terrestre banhada por um rio principal e por seus afluentes. As partes mais elevadas do relevo em torno de uma bacia hidrogrfica so chamadas divisores de guas. Eles separam uma bacia da outra e direcionam o escoamento da gua das chuvas e dos rios. Toda gua das chuvas que cai dentro de uma bacia hidrogrfica acaba sendo drenada para o rio principal, que ir despej-la no mar, ou em outro rio, caso faa parte de uma bacia maior.
As grandes bacias hidrogrficas do Brasil, como as dos rios Amazonas, Paran e So Francisco, so formadas por milhares de bacias hidrogrficas menores. Veja nos mapas abaixo o exemplo da bacia do rio Paran.
A ilustrao abaixo mostra duas bacias hidrogrficas, com os rios principais e os afluentes.
O divisor de guas  o limite entre as bacias hidrogrficas e corresponde s partes mais elevadas do relevo de um determinado lugar.

Divisor de guas
Direo do escoamento das guas

Bacias hidrogrficas dos rios Paran, Tiet e Piracicaba
A bacia hidrogrfica do rio Paran  a terceira mais extensa do Brasil e abrange uma rea de cerca de 873 000 km2.

A bacia hidrogrfica do rio Tiet, no estado de So Paulo,  uma das bacias que fazem  parte da grande bacia hidrogrfica do rio Paran.

Adaptado do Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1998.

Adaptado do Atlas Geogrfico Melhoramentos. So Paulo, Melhoramentos,1997.

A bacia hidrogrfica do rio Piracicaba (SP)  uma das bacias que fazem parte da bacia hidrogrfica do rio Tiet. 

Adaptado da Geopdia, v. I. Rio de Janeiro/So Paulo, Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1990.

Limite da bacia hidrogrfica

Bacias hidrogrficas brasileiras
A rede hidrogrfica brasileira, ou seja, o conjunto de todos os rios e lagos do pas,  uma das mais extensas do mundo. So milhares de rios, ribeires, lagos e lagoas com as mais variadas extenses e volumes de gua.
Esses cursos de gua dividem-se em seis bacias hidrogrficas principais, que ocupam cerca de 80% do territrio brasileiro, e em outras trs bacias secundrias, que abrangem aproximadamente 20% da rea total do pas.
Cada uma das bacias principais  formada por um rio principal e por seus afluentes; j as bacias secundrias so formadas por um agrupamento de vrias bacias menores, cada qual com seu rio principal e seus afluentes.
Grandes bacias hidrogrficas do Brasil

BACIAS PRINCIPAIS	REA
		Km2	% do pas 
Amaznica		3 904 000 	46
Tocantins-Araguaia	813 000 	9,5
So Francisco	645 000 	7,5
Paraguai		345 000 	4
Paran		873 000 	10
Uruguai		178 000 	2

BACIAS SECUNDRIAS
Nordeste		990 000 	11
Leste				572 000 	7
Sul-Sudeste	223 000 	3

Adaptado do Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1998.

O estado em que voc mora est localizado em qual ou quais bacias hidrogrficas? Qual  o rio principal dessa bacia? Identifique alguns de seus afluentes.

O aproveitamento das guas continentais
Alm de ser um elemento fundamental para a sobrevivncia dos seres humanos, a gua possui as mais diversas utilizaes. Converse com seus colegas sobre como a gua  aproveitada no dia-a-dia de uma casa.

As guas continentais so muito importantes para o sustento e o desenvolvimento da sociedade humana. Necessitamos de gua para beber, para lavar e cozinhar os alimentos, para tomar banho. Na atividade agropecuria, precisa-se de gua para os animais e para irrigar lavouras. As indstrias utilizam-se de gua para a lavagem de matria-prima, no funcionamento e resfriamento das mquinas, na fabricao de alimentos, entre outras aplicaes.
Dessa forma, tanto as guas subterrneas, que  se armazenam no interior das rochas no subsolo, quanto as guas superficiais, de rios e lagos, podem ser aproveitadas para diferentes fins, entre eles, o abastecimento da populao. 
As guas subterrneas
Parte das guas das chuvas que caem na superfcie terrestre infiltra-se no subsolo. Ao encontrar camadas de rochas impermeveis, acumula-se e forma reservatrios chamados lenis subterrneos ou aqferos. Alguns desses lenis podem se tornar nascentes de rios ao aflorarem em determinadas partes do relevo.
As guas subterrneas so utilizadas para o abastecimento da populao do campo e das cidades. Para o abastecimento nas cidades, so necessrios encanamentos, em forma de rede, que podem alcanar diferentes lugares. Uma outra utilizao importante  na irrigao, que permite um aumento na produo das lavouras. 
Observe o esquema ao lado, que mostra como as guas subterrneas se encontram no subsolo.

solo e rochas permeveis
lenol de gua superficial
rocha impermevel
lenol de gua profundo
rocha impermevel

A	-	Quando os lenis de gua localizam-se mais prximos da superfcie, a captao  feita a partir da perfurao manual de poos, com a utilizao de ferramentas como ps e picaretas.
B	-	J os lenis localizados em camadas mais profundas do subsolo s podem ser alcanados com o uso de perfuratrizes, devido  existncia de uma ou mais camadas de rocha impermevel.

A perfurao de poos  a forma utilizada para alcanar os lenis de gua do subsolo. Quando o objetivo  atingir o lenol profundo, so utilizadas as perfuratrizes, mquinas especialmente projetadas para esse fim, como a da foto ao lado.
Muitas indstrias utilizam a gua do lenol profundo para o envase e na fabricao de alimentos e bebidas, pois ela no est sujeita a contaminaes freqentes como acontece com as guas do lenol superficial.

As guas da superfcie
Rios e lagos possuem uma grande importncia social e econmica para as populaes de um modo geral. No Brasil, rios e lagos representam uma importante fonte de alimentos, pois deles so retirados cerca de 20% do pescado consumido no pas. Alm disso, so aproveitados, entre outras formas j citadas, para a gerao de energia eltrica ou como vias de transporte.
Os rios que fluem sobre um relevo mais irregular apresentam, em geral, leitos encachoeirados e com muitas corredeiras. Eles podem ser aproveitados para a gerao de eletricidade, com a construo de usinas hidreltricas. Nesse tipo de rio, a navegao  feita somente nos trechos onde no h corredeiras e cachoeiras ou quando so construdas barragens e eclusas* para o represamento das guas.
J os rios que fluem sobre um relevo quase plano no apresentam desnveis acentuados em seu curso. Esses rios so mais propcios  navegao, pois, geralmente, no oferecem obstculos para o trfego das embarcaes.  
As guas dos rios que correm por relevos mais irregulares fluem rapidamente, formando corredeiras e quedas-d'gua. Na fotografia, o Tibagi, rio paranaense que faz parte da bacia hidrogrfica do rio Paran.
As guas dos rios que correm por relevos planos escoam de maneira lenta, geralmente em cursos sinuosos. Acima, trecho do rio Amazonas, em que ficam evidentes suas vrias curvas, chamadas meandros.


Transporte fluvial: mais quilmetros com menos combustvel

O Brasil possui aproximadamente 35 mil quilmetros de rios navegveis. Apesar dessa extensa rede natural de transportes, a navegao fluvial  pouco explorada. Somente na regio Norte esse tipo de transporte possui destaque. Isso se deve  presena de extensos rios e  grande quantidade de chuvas que dificultam a conservao das estradas.
Entre os meios de transporte, o fluvial  o mais econmico, com baixo consumo de energia, isto , as embarcaes consomem, proporcionalmente, menos combustvel que caminhes, trens ou avies.
Veja no grfico ao lado uma comparao entre o consumo de energia dos transportes rodovirio, ferrovirio e fluvial. Ele mostra por quantos quilmetros uma tonelada de carga pode ser transportada com o uso de um galo* de combustvel.
Environmental Advantages of Inland Barge Transportation. US Maritime Administration, 1994.

eclusa: sistema de barragens construdo para permitir o trfego de embarcaes em trechos onde o leito do rio apresenta um desnvel
galo: medida equivalente a 3,78 litros

Geleiras
Depois dos oceanos e mares, as geleiras concentram o maior volume de gua do planeta. As geleiras so importantes reservas de gua doce em estado slido. Elas esto localizadas nos plos e nas regies mais elevadas do relevo da Terra, as altas montanhas. Nesses lugares o gelo mantm-se perene.
Nas regies polares, as chamadas geleiras continentais mantm-se em razo das baixas temperaturas ocasionadas pela fraca incidncia dos raios solares. Algumas delas, como na Antrtida, podem ter alguns milhares de metros de espessura. J as geleiras existentes nas grandes cadeias montanhosas devem-se s baixas temperaturas que predominam nas elevadas altitudes.

Em muitas regies montanhosas, como nos Alpes suos, as geleiras so exploradas pela atividade do turismo.

Mundo de gelo

O continente antrtico, praticamente todo tomado pelo gelo, constitui um ambiente bastante peculiar. O texto a seguir descreve algumas das principais caractersticas dessa regio, que responde por aproximadamente 10% das terras emersas do planeta.

[...]  coberta por gelo com at 3 quilmetros de espessura e contm 70% das reservas de gua doce do planeta - claro, em estado slido. Ventos de at 322 quilmetros por hora varrem a sua superfcie. No inverno, o mar congela e o tamanho do continente dobra. Cerca de 98% de sua rea  ocupada por plancies e montanhas de gelo e mais de 90% de sua costa  constituda de enormes penhascos, que acabam deslizando para o mar em forma de icebergs. Um desses enormes pedaos de gelo, avistado em 1956, tinha o tamanho da Blgica. O Brasil  signatrio*, com dezenas de outros pases, do Tratado da Antrtida (criado em 1959), que estabelece a qualidade especial do seu territrio, reservado somente para fins pacficos e para investigaes cientficas.

Dicionrio Ilustrado de Ecologia. So Paulo, Azul, 1997.

O Brasil mantm cientistas constantemente na Antrtida, desenvolvendo diversas pesquisas sobre clima, mar, fauna e flora, entre outros temas. Nas fotos, o navio oceanogrfico brasileiro Ary Rongel em meio ao gelo antrtico e pesquisadores brasileiros no continente, coletando material para estudos posteriores.

signatrio: aquele que assina um determinado documento

Poluio das guas continentais
As reservas de gua potvel nos continentes esto diminuindo devido  constante e intensa poluio dos rios, lagos e guas subterrneas. Esse problema ocorre por causa da falta de cuidados com a gua. O lanamento indiscriminado de substncias poluentes nos rios e lagos, como dejetos* e produtos qumicos, torna as guas imprprias para o consumo e sua recuperao cada vez mais difcil.
Leia a seguir sobre as principais formas de poluio das guas continentais.
	Resduos industriais: muitas indstrias, no mundo todo, no realizam o tratamento de seus resduos. Elas lanam diretamente em rios e lagos uma enorme quantidade de materiais txicos, como o chumbo, o mercrio e vrios tipos de substncias, que matam as plantas, os peixes e muitos outros animais aquticos.

No Brasil, por exemplo, grande parte das indstrias no investem o suficiente no tratamento de seus resduos e lanam nos rios enormes quantidades de poluentes. O problema  mais grave nas reas de maior concentrao industrial.

	Esgoto domstico: muitas cidades no possuem sistema de tratamento de esgoto domstico. Diariamente so lanadas toneladas de dejetos humanos e todo tipo de lixo domstico em rios e lagos, que acabam contaminados pelo vrus da hepatite A, pela bactria do clera e por outros microrganismos causadores de doenas.

A propagao de doenas entre os habitantes das cidades ocorre, muitas vezes, devido  deficincia nos servios de saneamento bsico. O mesmo problema pode ocorrer no campo por falta de orientao para o tratamento de dejetos.

	Agrotxicos e fertilizantes: os produtos qumicos aplicados nas lavouras so carregados pela gua das chuvas para os rios e lenis subterrneos. A poluio dos rios por agrotxicos ainda  agravada devido a prticas imprprias, como a lavagem dos tanques dos pulverizadores diretamente nos cursos d'gua. Esses produtos contaminam as guas e trazem srios danos  sade das pessoas que as consomem.

A aplicao excessiva de agrotxicos nas lavouras polui as guas continentais com substncias qumicas txicas que podem permanecer durante muitos anos no meio ambiente.

Existem muitas atitudes a serem tomadas com relao  conservao e ao tratamento da gua. O que deve ser feito para que a gua seja limpa, livre da poluio, e para que o acesso a ela seja garantido a todos? Faa uma relao das principais sugestes que surgirem na sala.

dejeto: material fecal, excremento

Atividades
Questes de compreenso
	1.	A gua corre em filetes, em crregos, para o esgoto da rua, e estanca, e se acumula. [...] Depois oculta-se, desaparece, torna-se idntica ao ar, respira-se. [...]

Jaime Sabines. In: O Correio da Unesco, ano 27, n. 4. Rio de Janeiro, Fundao Getlio Vargas, abril/1999.

		Em quais estados fsicos da matria a gua  descrita no texto acima? Em que outro estado fsico a gua pode se apresentar? Diga onde a gua pode ser encontrada em cada um desses estados na natureza.
	2.	Imagine-se um praticante de canoagem que vai fazer um passeio no final de semana por um rio de seu municpio. Escreva uma narrativa contando sua aventura na descida do rio, utilizando termos que voc aprendeu no estudo das guas continentais.
	3.	[...] O rio no vero ficava seco de se atravessar a p enxuto. Apenas, aqui e ali, pelo seu leito, formavam-se grandes poos, que venciam a estiagem.

Jos Lins do Rego. Menino de engenho. Rio de Janeiro, Jos Olympio, 1978.

		O texto citado se refere ao rio Paraba, localizado no estado de mesmo nome, no Nordeste brasileiro. Comente sobre o regime deste rio, segundo sua descrio.
	4.	Qual  a influncia do relevo na formao das bacias hidrogrficas?
	5.	As guas continentais, tanto subterrneas quanto da superfcie, possuem inmeras utilidades essenciais para a vida dos seres humanos. Escolha uma dessas utilidades e represente-a atravs de um desenho. Em seguida, produza uma legenda explicando sua importncia.
	6.	Prximo ao local onde voc mora existe alguma forma de poluio afetando rios, lagos ou guas subterrneas? Na sua opinio, caso o problema exista, o que poderia ser feito para solucion-lo?
Anlise de texto e elaborao de cartaz
		Leia o texto a seguir.
Bomba-relgio: a escassez de gua
O aumento da populao que necessita de gua para a agricultura, indstria e uso domstico provoca um aumento macio na demanda de gua doce. Teoricamente, os 9 mil quilmetros cbicos de gua disponveis para uso humano poderiam satisfazer essa demanda. Mas muitas partes do mundo experimentam grave escassez de gua, seja devido a secas localizadas, seja porque os lenis subterrneos, rios e lagos esto poludos por rejeitos industriais ou esgotos, ou simplesmente porque um grande volume de gua  utilizado com desperdcio.

Jonathon Porritt. Salve a Terra. So Paulo, Globo/Crculo do Livro, 1991. 

Algumas formas de desperdcio de gua
Banhos demorados
90 a 100 litros
Escovar os dentes com a torneira aberta
30 a 40 litros
Pequenos vazamentos
90 litros por dia
Lavar o carro
600 litros

	1.	Quais os principais motivos que esto levando muitas partes do mundo a sofrer escassez de gua?
	2.	O desperdcio de gua pode ser evitado por todos ns no dia-a-dia. Converse com seus colegas sobre as atitudes que evitam os gastos desnecessrios de gua mostrados em cada um dos quadrinhos acima. Aproveitem e avaliem como vocs esto fazendo uso da gua.
	3.	Destaquem outras formas de desperdcio de gua e o que fazer para evit-las.
	4.	Elaborem cartazes sobre como evitar gastos desnecessrios de gua na escola. Coloquem esses cartazes prximo aos banheiros, bebedouros e torneiras.


Captulo 12
guas ocenicas
A maior parte da gua em estado lquido existente na Terra est nos oceanos e mares. Juntas, essas gigantescas pores de gua cobrem aproximadamente 71% da superfcie terrestre. Que importncia os mares e oceanos tm para a vida no planeta? Voc sabe qual a diferena entre mar e oceano?
O que so oceanos e mares 
As enormes massas de gua salgada que cobrem a maior parte da superfcie do planeta so denominadas oceanos. Existem cinco grandes oceanos: Pacfico (o mais extenso), Atlntico, ndico, Glacial Antrtico e Glacial rtico. Todos eles esto interligados, formando uma nica massa de gua.
Determinadas pores do oceano que se encontram mais prximas aos continentes, ou mesmo no interior deles, so chamadas mares. Em geral, os mares no possuem grande profundidade e recebem forte influncia das terras emersas. Essa influncia manifesta-se no clima e na grande carga de sedimentos provenientes dos rios e das encostas litorneas que os mares recebem. 
H trs tipos de mares: os mares abertos, que possuem uma ligao com os oceanos vizinhos; os mares interiores, que apresentam uma pequena ligao com os oceanos por canais naturais (chamados estreitos); e os mares fechados, sem ligao alguma com os oceanos. 
Diego no conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcanaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensido do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!
Eduardo Galeano. In: Livro da Tribo. So Paulo, Editora da Tribo, 1998.

Oceanos e principais mares da Terra
A partir das definies apresentadas no texto acima, identifique no mapa alguns exemplos de mares abertos, mares interiores e mares fechados.


Caractersticas das guas ocenicas
As guas ocenicas diferem muito das guas continentais, devido  sua grande extenso e volume. Reunindo 97% de toda a gua do planeta, oceanos e mares possuem caractersticas prprias de salinidade, temperatura e movimentos, alm de fauna e flora peculiares. So essas caractersticas que iremos conhecer melhor a seguir.
Salinidade e temperatura
A quantidade de sais minerais presente em determinada poro de gua, seja ela de rio, lago ou oceano,  que determina a sua salinidade.
As guas ocenicas so as que possuem maior salinidade. Para cada litro de gua do mar, existem em mdia 35 gramas de sais diludos, principalmente cloreto de sdio, o conhecido sal de cozinha. Alguns mares possuem alta salinidade, como  o caso do Mar Morto, entre Israel e Jordnia, na sia, com cerca de 250 gramas de sais por litro. Segundo algumas pesquisas, os sais marinhos so provenientes, principalmente, de rochas do fundo dos oceanos. Porm, esses sais tambm podem ser transportados dos solos e das rochas dos continentes at o mar pelos cursos fluviais.
Alm disso, a salinidade pode ser influenciada pela quantidade de evaporao que ocorre nas guas de determinados lugares.

As salinas
As salinas so reas no litoral onde  represada a gua do mar, a fim de se retirar dela o cloreto de sdio, sal mais abundante nos oceanos. Elas so construdas, principalmente, em regies de intensa evaporao das guas, como no litoral de pases tropicais, a exemplo do Brasil.
No Nordeste brasileiro existem importantes salinas, em especial no litoral do Rio Grande do Norte, assim como nas proximidades da cidade de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro (foto ao lado).

A temperatura das guas ocenicas varia principalmente de acordo com os fatores a seguir.
	Latitude: a temperatura da gua na superfcie dos oceanos  maior na zona intertropical (onde a insolao  maior) e diminui em direo s zonas polares (onde a insolao  muito baixa). Na Linha do Equador, essa temperatura permanece em torno dos 29 oC, enquanto nas regies polares ela encontra-se por volta de 3 oC.
	Profundidade:  medida que a profundidade dos oceanos aumenta, a penetrao dos raios solares  menos intensa, por isso a temperatura da gua diminui; abaixo dos 3 000 metros de profundidade a temperatura estabiliza-se em 0 oC.

Nas guas ocenicas quentes, rasas e com muita luminosidade das regies tropicais do planeta vivem os corais, animais marinhos que formam grandes estruturas calcrias (como as da foto acima). Os corais constituem ecossistemas nicos dentro dos oceanos, fornecendo alimento para o desenvolvimento de variados tipos de animais e vegetais marinhos.
Movimento das guas ocenicas
As guas dos oceanos esto em constante movimento. Existem vrios deslocamentos importantes que as guas marinhas realizam, entre eles as ondas, as mars e as correntes martimas. Veremos a seguir o que so esses movimentos e quais os fatores que os influenciam.
Ondas
A ao do vento que sopra na superfcie dos oceanos leva a gua a realizar movimentos chamados ondas. Quando as ondas encontram o litoral e a profundidade do mar diminui, ocorre a arrebentao, ou seja, as ondas dobram e quebram na praia ou contra rochedos (veja esquema ao lado).
As ondas so maiores em litorais de mar aberto, e menores em baas e enseadas. Em alguns locais do mundo formam-se ondas gigantescas, como as do Hava (arquiplago do oceano Pacfico), que podem atingir mais de 10 metros de altura.
Mars
Diariamente a gua do mar avana e recua sobre o litoral. Esses movimentos, chamados mars, so provocados pela fora de atrao que o Sol e a Lua exercem sobre a Terra. O nvel mximo que a gua do mar alcana chama-se mar alta ou preamar, e o nvel mnimo chama-se mar baixa ou baixa-mar.
As mars altas e as mars baixas acontecem, aproximadamente, em intervalos de 6 horas. A elevao do nvel das guas do mar denomina-se fluxo ou cheia. O abaixamento do nvel do mar denomina-se refluxo ou vazante.

Mar baixa
Mar alta

A amplitude das mars
A amplitude das mars  a diferena entre o nvel mnimo da mar baixa e o nvel mximo da mar alta. A amplitude mdia das mars no planeta  de 1 a 3 metros.
No entanto, h locais em que a mar  praticamente imperceptvel, como nos mares fechados. Em algumas reas litorneas, a amplitude pode chegar a 13 metros, como na Nova Esccia (Canad).
No Brasil, as maiores amplitudes de mars so registradas no Maranho, onde podem alcanar at 8 metros.

nvel mximo da mar alta
amplitude das mars
nvel mnimo da mar baixa

Correntes martimas
Nos oceanos e mares da Terra existem correntes martimas, isto , pores de gua que se deslocam em vrias direes, percorrendo determinadas trajetrias. Essas correntes pouco se misturam com as guas por onde passam, mantendo suas caractersticas de cor, temperatura e salinidade.
Vrios estudos comprovam que as correntes martimas so impulsionadas principalmente pelos ventos. Alm disso, devido ao movimento de rotao da Terra, as correntes deslocam-se, em cada hemisfrio, em sentidos opostos. No hemisfrio Norte as correntes fluem no sentido horrio, e no hemisfrio Sul fluem no sentido anti-horrio. Esse fenmeno  chamado efeito de Coriolis.
De acordo com a temperatura e a regio do planeta onde se originam, as correntes podem ser quentes ou frias:
	correntes quentes: formam-se na zona intertropical, prxima  Linha do Equador, e movimentam-se em direo s zonas polares;
	correntes frias: formam-se nas zonas polares e movimentam-se em direo  regio equatorial.

Ao sabor dos ventos e das correntes
Durante muito tempo, os barcos navegavam apenas perto da costa dos continentes. A partir do sculo XV, com o incio das Grandes Navegaes, as embarcaes passaram a se aventurar por mar aberto. Alm do impulso do vento, os navegantes descobriram as vantagens de aproveitar a fora das correntes martimas. At hoje, muitas rotas de navios coincidem com as direes dessas correntes.

Principais correntes martimas da Terra

Corrente quente
Corrente fria

Adaptado de Atlas Geogrfico Melhoramentos. So Paulo, Melhoramentos, 1995.

Depois de ter observado a direo das principais correntes martimas, responda: se lanarmos uma garrafa vedada ao mar, no litoral norte do Brasil, qual ser o seu destino mais provvel? E se lanarmos outra na costa sudoeste da frica, o que acontecer? Relacione o nome das correntes pelas quais a garrafa provavelmente passar..

Importncia das guas ocenicas
As guas ocenicas so consideradas um enorme ecossistema, abrigando fauna e flora abundantes. Alm disso, essas guas so fundamentais para a caracterizao do clima da Terra. As algas marinhas, por exemplo, renovam cerca de 40% do oxignio existente na atmosfera.
Os seres humanos beneficiam-se do espao martimo devido  grande fonte de recursos que ele representa. Alm do sal, utilizado na alimentao e na fabricao de vrios produtos qumicos, a pesca martima fornece alimentos e se configura como uma importante atividade econmica para boa parte dos pases litorneos do mundo. 
Esse espao  utilizado pela sociedade como via de comunicao e transporte, servindo, tambm, para o desenvolvimento de atividades tursticas.

As guas ocenicas exercem, direta ou indiretamente, influncia no dia-a-dia de cada um de ns. Converse com seus colegas a respeito.

Oceanos e mares: fontes de alimento
Os oceanos e mares da Terra constituem um gigantesco ecossistema, onde vivem animais e plantas de espcies muito variadas.
A base da alimentao da fauna marinha  composta por minsculas formas de vida (sobretudo pequenas algas e crustceos) conhecidas como plnctons.
Determinadas correntes martimas do globo so intensamente povoadas por plnctons, fazendo com que as regies do planeta banhadas por suas guas sejam fartas em peixes e outros animais marinhos que se alimentam desses pequenos seres. Nessas regies a pesca martima, em geral,  bastante desenvolvida, empregando milhares de trabalhadores e gerando riquezas para os pases e para as empresas que a exploram. O Peru, por exemplo, tem a sua costa banhada pela corrente de Humboldt, muito rica em plnctons e, conseqentemente, em outras espcies de vida marinha. Dessa forma, a pesca e a industrializao de pescados possuem importncia fundamental para a economia desse pas da Amrica do Sul.
O litoral brasileiro, apesar de no ser to privilegiado como a costa peruana, destaca-se na pesca de peixes, como a corvina, a sardinha e o atum, e na captura de crustceos, como o camaro e a lagosta. 

Manguezais: fontes de vida
Os manguezais so considerados pelos bilogos como verdadeiros "berrios" dos oceanos. Neles, a gua do mar mistura-se com a gua dos rios, proporcionando um ambiente rico em matria orgnica e com temperatura ideal para a reproduo de diversas espcies marinhas. Entre elas esto desde plnctons at caranguejos e vrios tipos de peixes. Esses seres vivos fazem parte da alimentao de outras centenas de espcies de animais marinhos, que vivem em guas mais profundas, em alto-mar.
Dessa forma, se os manguezais no forem preservados, estar comprometida a sobrevivncia de boa parte da fauna marinha, colocando em risco o equilbrio dos ecossistemas ocenicos.

Pesca artesanal e comercial
Em todo o mundo, a pesca martima  desenvolvida como atividade econmica basicamente de duas formas: a artesanal e a comercial.
Na pesca artesanal, os pescadores utilizam-se de barcos pequenos e de equipamentos mais rudimentares, como redes feitas manualmente. A produtividade , em geral, reduzida, servindo de fonte de alimento para o pescador e sua famlia. O excedente  comercializado no mercado local.

A pesca artesanal  praticada em todo o litoral brasileiro. Ao lado, pescadores e moradores de Arraial do Cabo (RJ) fazem o arrasto, ou seja, retiram a rede que havia sido levada ao mar por pequenos barcos.

J a pesca comercial utiliza-se de embarcaes modernas, muitas vezes providas de instrumentos sofisticados, como sonares para localizar cardumes, redes gigantes para a captura e grandes depsitos para armazenamento. A prtica desse tipo de pesca permite a comercializao de uma quantidade muito grande de pescados. Entretanto, a pesca comercial, em muitos casos, no  seletiva, ou seja, captura peixes e crustceos muito pequenos e em quantidades excessivas. Isso pode prejudicar a reproduo de vrias espcies e, conseqentemente, afetar o ecossistema marinho.

As traineiras so barcos especialmente construdos para pesca em grandes quantidades.

A caa ilegal de baleias
Muitas vezes, os pases que exploram a caa e a pesca comercial no seguem as normas internacionais, capturando animais que esto em processo de extino.
A baleia  um exemplo de animal marinho que durante muito tempo foi exaustivamente caado, o que fez diminuir de forma drstica o nmero de indivduos de diversas espcies. A partir de 1985, vrios pases pesqueiros do mundo assinaram um acordo internacional de suspenso  caa comercial de baleias.
Alguns pases, porm, como o Japo, a Noruega e a Islndia, continuam capturando baleias em escala comercial. Eles justificam: o consumo de carne de baleia  uma tradio em seus pases e esses animais diminuem a quantidade de peixes nos mares. Por outro lado, os grupos ambientalistas de proteo aos cetceos* dizem que, na realidade, esses pases esto interessados de fato no lucro que a caa baleeira proporciona.

Voc conhece algum animal que tenha sido caado ou pescado com tanta freqncia que, atualmente, esteja em perigo de extino? Quais prejuzos podem ocorrer no meio ambiente com a extino de algum animal?

cetceo: mamfero marinho de grande porte, como baleias e golfinhos 

A navegao martima mercante
H sculos os oceanos e mares da Terra so utilizados como grandes vias de transporte. Cruzando essas imensas massas de gua, os seres humanos alcanaram os mais diversos locais, transportando diferentes tipos de mercadorias. A navegao martima mercante  realizada, atualmente, por embarcaes com grande capacidade de armazenagem, tornando esse tipo de transporte o mais importante e econmico que existe. Todos os anos, milhes de toneladas de produtos entram e saem do Brasil, transportados por navios provindos dos mais diversos pases do mundo. So produtos variados, como os minerais (ferro, alumnio, cobre), os combustveis fsseis (petrleo, carvo), os agrcolas (soja, trigo, milho) e os industrializados (automveis, mquinas industriais, alimentos).
Os navios de carga atracam em vrios portos brasileiros. Os mais movimentados do pas so, em ordem de importncia: Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Paranagu (PR), Vitria (ES), Rio Grande (RS), So Lus (MA) e Belm (PA).

O porto de Santos (SP)  o primeiro do pas em movimento de cargas. Ele recebe diariamente dezenas de navios de grande porte, como graneleiros e porta-contineres. So milhes de toneladas de mercadorias embarcadas e desembarcadas todos os anos, fazendo desse porto um dos mais importantes da Amrica do Sul.

O turismo em reas litorneas
H algumas dcadas, a atividade do turismo vem ganhando destaque em extensas reas litorneas do mundo. Essas reas localizam-se, principalmente, em regies tropicais e temperadas do planeta de grande beleza natural.  o caso da regio costeira em torno do Mar Mediterrneo, das ilhas do Caribe, de determinados arquiplagos dos oceanos ndico e Pacfico, como o Hava, e, em menor proporo, do litoral brasileiro.
Nesses lugares, o espao geogrfico  organizado de forma a desenvolver a atividade do turismo. Esse espao caracteriza-se pela presena de redes de hotis, vias de transporte, restaurantes e reas de lazer. Alm disso, o comrcio volta-se para as centenas de milhes de pessoas que circulam nessas reas. Dessa forma, o turismo gera muitos empregos e torna-se uma das principais atividades econmicas em vrios pases litorneos.

No Brasil, a explorao econmica do potencial turstico das reas litorneas est apenas iniciando. Com um litoral de aproximadamente 7 360 quilmetros de extenso, o pas possui uma grande diversidade de paisagens costeiras, onde se encontram dunas, praias, manguezais, costes, matas, ilhas e restingas. Alm disso, na maior parte do pas predomina o clima tropical, que garante temperaturas agradveis praticamente o ano inteiro.

Um extenso e belo litoral

O litoral do Rio Grande do Norte  um exemplo das belezas naturais existentes na costa brasileira, propcias ao desenvolvimento do turismo.

Poluio das guas ocenicas
Embora possuam grande capacidade de recuperao, as guas dos oceanos e mares tm sofrido nas ltimas dcadas um intenso processo de poluio. Elas recebem uma grande quantidade de poluentes que provm de vrias regies dos continentes, seja trazidos pelos rios, seja despejados diretamente no oceano. Esses poluentes atingem com maior intensidade as reas litorneas.
Entre as fontes de poluio das guas ocenicas, aquelas que causam maiores danos ao ambiente marinho e aos seres humanos so os esgotos e produtos qumicos txicos e, ainda, o petrleo.

Esgotos e produtos txicos
Os oceanos do mundo todo recebem diariamente milhes de toneladas de poluentes provindos dos espaos urbanos e rurais. Esses poluentes so os esgotos e o lixo das cidades concentradas  beira-mar, assim como os resduos, trazidos pelos rios, de outras regies povoadas do interior do continente. As guas marinhas recebem esgotos domsticos, industriais (que podem conter substncias txicas) e tambm grandes quantidades de agrotxico. Recebem ainda lixo slido (pneus, garrafas, latas, embalagens plsticas, entre outros materiais), que se acumula nas praias ou  levado pelas correntes martimas e mars para alto-mar.
A poluio intensa das guas ocenicas tem causado srios problemas ao meio ambiente e ao ser humano. As praias, por exemplo, tornam-se imprprias para uso devido  sujeira deixada por seus freqentadores. Alm disso, podem estar contaminadas por substncias txicas lanadas pelos navios prximo  orla, ou ainda por microrganismos transmissores de doenas presentes nas fezes de animais domsticos que freqentam a praia.

Muitas praias brasileiras acabam se tornando imprprias para banho, durante algum tempo ou mesmo permanentemente. Esse fato deve-se  m qualidade da sua gua e  quantidade de lixo existente em suas areias. Acima, lixo acumulado na praia de So Conrado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). 


Cuidado: seu peixe pode estar contaminado!
A poluio dos oceanos por resduos qumicos, como cloro, mercrio, cromo e chumbo, contamina a fauna existente neste ambiente e, por conseguinte, os seres humanos que se alimentam desses animais.
A contaminao atinge a base da cadeia alimentar marinha, os plnctons, que servem de alimento a moluscos, crustceos e pequenos peixes. Os animais maiores que se alimentam desses seres tambm so afetados.
Essa contaminao  cumulativa. Portanto, os peixes e outros animais que compem o topo da cadeia alimentar marinha so os mais atingidos. Dessa forma, quando o ser humano consome peixes como o bacalhau, pode estar ingerindo um dos mais altos ndices de resduos qumicos presentes na fauna marinha.
Assim,  importante que estejamos atentos no s  procedncia dos peixes, mas  de todos os alimentos que ingerimos. Esses tipos de resduo, de acordo com a quantidade em que so ingeridos, agem no organismo humano como um poderoso veneno, atingindo o crebro, o fgado e outros rgos, podendo, at mesmo, levar as pessoas  morte. 

Observe no esquema como a contaminao atinge toda a cadeia alimentar da qual fazemos parte.

Poluio pelo petrleo
O petrleo  um dos grandes causadores da poluio dos oceanos e mares. A poluio por esse produto provm, em geral, de vazamentos acidentais em petroleiros e em oleodutos* submarinos.
Entretanto, nem toda a contaminao por petrleo ocorre acidentalmente. Muitos petroleiros, aps o descarregamento nos portos, costumam lavar os seus tanques, despejando a gua suja de petrleo no mar.  por isso que as guas e as praias prximas s regies de grande trfego de navios petroleiros esto sempre poludas com leo.
A poluio dos mares por vazamentos acidentais d origem s chamadas mars negras, grandes manchas de leo que permanecem durante vrios dias na superfcie dos oceanos, impedindo a penetrao dos raios solares no mar. Esse fato acaba destruindo os plnctons e provocando a morte de diversos seres marinhos, entre outras conseqncias.

Em maro de 1989, ocorreu no Alasca (EUA) um dos maiores desastres ecolgicos da histria. O petroleiro Exxon Valdez bateu num recife e derramou 40 milhes de litros de petrleo no oceano. A mancha de leo formada foi responsvel pela morte de muitos seres vivos, comprometendo todo o ecossistema da regio.
Com a indenizao paga pela empresa petrolfera, foi criada uma organizao de pesquisa, recuperao e proteo da natureza. Na foto ao lado, navios na difcil operao de retirada do leo do mar.

Ao longo deste captulo, voc pde perceber como as guas ocenicas so importantes para os seres humanos e para o prprio planeta Terra.
No entanto,  preciso reconhecer que temos feito um uso inadequado dessas guas, principalmente daquelas prximas aos continentes.
O texto a seguir d exemplos de como cada um de ns pode contribuir para a conservao dos oceanos.

E eu, o que posso fazer?
Ainda que os governos e as organizaes privadas venham trabalhando cada vez mais ativamente para combater o lixo marinho, as iniciativas individuais continuam sendo uma das melhores formas de eliminar a contaminao dos mares. Ao empreender aes no sentido de eliminar devidamente todo o lixo e reduzir a sua produo, organizando projetos locais ou unindo-se s atividades de organizaes maiores, os cidados de todas as idades podem ajudar  a reduzir o lixo marinho e ampliar a conscincia pblica sobre o problema. 
So muito claras as ligaes entre o nosso comportamento individual e o seu efeito sobre o ambiente (por exemplo, o papel de balas que se joga na rua pode ser transportado pelo sistema de esgoto pluvial at o mar). Como a preveno  a forma mais simples e eficaz de reduzir o lixo marinho, as pessoas podem comear examinando o seu estilo de vida, para ver quanto lixo geram e para onde ele vai. [...]
A eficcia das pessoas preocupadas com o assunto pode multiplicar-se se forem organizados grupos para abordar o problema do lixo marinho na sua comunidade ou regio. Por exemplo, os grupos podem ser formados em prol de uma praia ou de outro lugar nas proximidades; para aprender a determinar como o lugar  afetado; limpar a zona periodicamente e informar a sociedade a respeito do projeto. Tais programas de adoo de uma praia podem ser formas muito eficazes de educar a comunidade a respeito do impacto do lixo marinho e do que  necessrio fazer para resolver o problema.
 Agncia de Proteo Ambiental Norte-americana. Diviso de Proteo Ocenica e Costeira. In: Guia didtico sobre o lixo no mar. So Paulo, SMA, 1997.
oleoduto: sistema destinado ao transporte de petrleo e seus derivados a grandes distncias, por meio de tubulaes submarinas ou sobre o continente

Atividades
Questes de compreenso
	1.	Faa uma relao de palavras-chave para cada caracterstica das guas ocenicas. Comente a caracterstica que voc considera mais interessante.
	2.	Algumas pessoas instalaram seus guarda-sis nas areias da praia, a uma certa distncia da gua do mar. Horas mais tarde, o mar atingiu o lugar em que estavam, obrigando-as a se afastarem. O que aconteceu com a gua do mar? Explique por que isso ocorre.
	3.	Em 1492, navegadores europeus chegaram ao continente americano. Nessa viagem, comandada por Cristvo Colombo, eles contaram com a ajuda de ventos e de correntes martimas que impulsionaram suas embarcaes. Explique por que  possvel navegar com a ajuda das correntes martimas.
	4.	A produtividade da pesca artesanal  muito pequena, se comparada  da pesca comercial. Justifique essa afirmao.
	5.	Cite alguns aspectos que demonstram a importncia das guas ocenicas para o Brasil.
	6.	As pessoas que moram em reas do interior do continente tambm podem ser responsveis pela poluio das guas ocenicas. Conte como isso acontece. Se quiser, voc pode fazer um desenho para ilustrar esse fato.
Debate
O Greenpeace  uma ONG (organizao no-governamental) que tem por objetivo a defesa do meio ambiente, em especial dos mares e oceanos da Terra. Essa organizao foi fundada em 1971 e, desde ento, vem realizando diversas aes, como interpor-se entre os animais marinhos e as redes e arpes da pesca predatria, alm de enfrentar com seus pequenos botes enormes embarcaes que pretendem despejar lixo nos oceanos.
Na foto, representantes do Greenpeace procuram impedir a partida do navio britnico Pacific Teal (ao fundo), que est ancorado em Cherbourg, na Frana, e deve transportar uma remessa de combustvel nuclear. Porm, duas embarcaes da guarda costeira tentam barrar a ao do Greenpeace.

Promovam um debate em sala de aula, tomando como tema a gravidade das agresses ao ambiente marinho. Voc pde conhecer vrios casos durante o estudo deste captulo.
Discutam tambm a importncia da existncia de grupos como o Greenpeace e a atitude das pessoas que se propem a fazer parte deles.
Levantem idias do que cada um de ns pode fazer para proteger os oceanos e mares da Terra.

Leitura
Jacques Cousteau: o amigo das guas
No sculo XX, para desvendar alguns dos mistrios do mundo submarino, a cincia contou com o auxlio especial de um dos maiores pesquisadores das guas ocenicas, o francs Jacques-Yves Cousteau (1910-1997).
A paixo de Cousteau pelos oceanos comeou aos quatro anos de idade e, a partir de ento, tornou-se cada vez mais profunda. Ele declarava que "desde o nascimento, o homem carrega o peso da gravidade sobre os ombros. Porm, basta que ele rompa a superfcie da gua para ser livre. Sustentado por ela, pode voar em qualquer direo. Debaixo d'gua, um homem se torna um anjo".
Com o Calypso, um iate recebido como doao e transformado em uma das embarcaes oceanogrficas mais sofisticadas do mundo, Cousteau participou de inmeras expedies.
A primeira de suas expedies foi pelo Mar Vermelho (1951) e, entre muitas outras, foi  Amaznia (1982), onde realizou importantes pesquisas sobre o rio Amazonas. Cousteau explorou outros grandes rios do mundo, pois chamava-os de "sangue da vida dos oceanos". Na Antrtida (1988), lutou contra a liberao da explorao mineral, alegando que a "mquina trmica", como chamava essa regio gelada, no poderia ser alterada. "Conheo bem a Antrtida e sei que  um dos lugares mais frgeis do planeta", relatou o pesquisador.
Dessas expedies, foram produzidas belssimas imagens, que lhe renderam prmios famosos, como trs Oscars pelos filmes O mundo do silncio (1957), O veneno vermelho (1959) e O mundo sem sol (1965).
Em seus mais de cinqenta anos de trabalho com os oceanos, Cousteau desenvolveu e melhorou tcnicas de mergulho. Ele teve, tambm, importante participao na inveno e no aprimoramento de diversos instrumentos de pesquisa subaqutica, como o aqualung (pulmo aqutico), a cmera de TV  prova d'gua, o aparelho de ultra-sons que mede distncias em meio  gua e facilita o estudo do relevo submarino, a ncora de profundidade, usada para ancoragens em regies muito profundas, e o batiscafo mvel (pequeno submarino), que pode atingir 300 metros de profundidade e submergir rapidamente.
Por ser to consciente da fragilidade da natureza, Cousteau sempre defendeu a preservao dos oceanos e dos demais ambientes. Devido a esse trabalho, passou a ser um dos maiores propulsores da conscincia ecolgica.
Jacques Cousteau faleceu em 25 de junho de 1997, deixando como herana, a todo o mundo, o seu magnfico trabalho, registrado em livros e filmes.

O aqualung, inventado por Cousteau e pelo engenheiro Emile Gagnan, permite a respirao do mergulhador atravs de um sistema de vlvulas. O oxignio contido em um pequeno tanque, carregado pelo mergulhador, possibilita maior autonomia a seus movimentos.
Cousteau, mais do que ningum, sabia da importncia dos rios e oceanos para a humanidade e afirmava que "o futuro da civilizao depende da gua".

V Unidade
Atmosfera
Quando olhamos, o cu nos parece infinito... Pensamos nesse ilimitado oceano de ar [...] e aqui, a bordo da espaonave, vamos nos afastando da Terra. Em dez minutos j atravessamos a camada de ar, e descobrimos que alm dela no existe nada! Para alm do ar, s h o vazio, o frio, a escurido. O azul "infinito", o oceano que nos permite respirar e que nos protege dessa escurido interminvel e at mesmo da morte,  uma pelcula infinitesimalmente fina. Como  perigoso ameaar, ainda que seja uma mnima parte dessa teia difana, este mantenedor da vida!

Vladimir Shatalov, cosmonauta russo.

Fotografia das nuvens associadas ao furaco Florence, prximo s ilhas Bermudas, tirada do nibus espacial Atlantis em novembro de 1994. 

A todo instante usamos um determinado elemento da natureza essencial para que possamos estar vivos. Podemos ficar alguns dias sem gua ou comida, mas sem esse elemento morreremos em minutos. De que elemento estamos falando? Ele  importante somente para ns, seres humanos?

Captulo 13
A atmosfera e 
seus fenmenos
Na atmosfera existe uma mistura de certos gases que favorecem a existncia de vida sobre a Terra. Alm de fornecer o ar que respiramos, por quais outros motivos a atmosfera  essencial para a sobrevivncia de animais e plantas? Voc sabe como ela surgiu?
Origem da atmosfera e suas camadas
Acredita-se que a atmosfera terrestre tenha se formado h cerca de 4 bilhes de anos.  medida que a Terra foi se resfriando, uma grande quantidade de gases e vapores de gua foram expelidos do seu interior. Parte desses gases e vapores escapou para o espao csmico e o restante acumulou-se ao redor do planeta, preso pela fora de gravidade.
No incio a atmosfera era composta por gases venenosos. Contudo, aps a formao dos oceanos, surgiram plantas marinhas primitivas que, atravs do processo da fotossntese, passaram a modificar a composio dos gases existentes. A atmosfera terrestre ganhou as caractersticas atuais somente h 65 milhes de anos.
A atmosfera terrestre  composta por 78% de nitrognio, 21% de oxignio e cerca de 1% de outros gases, como dixido de carbono, nenio, oznio e hlio, alm de vapor de gua. A combinao desses gases, nessas propores,  um dos principais fatores que permitem a existncia da vida em nosso planeta.
Estima-se que o limite entre a atmosfera e o espao csmico encontra-se a uma altitude que varia entre 750 e 1 000 quilmetros, aproximadamente.
Estudando-se a atmosfera, percebeu-se que seria possvel dividi-la em camadas. Observe, no esquema, algumas das caractersticas de cada uma delas.
Exosfera: essa ltima camada estende-se acima de 500 km at o ar tornar-se extremamente rarefeito e quase inexistente.  nela que a maioria dos satlites artificiais esto posicionados.
Termosfera: estende-se da mesosfera at 500 km. Essa camada possui grande importncia, pois reflete as ondas radiofnicas, garantindo as transmisses de rdio entre todas as partes do globo. 
Mesosfera: estende-se da estratosfera at 80 km de altitude. Essa camada possui as temperaturas mais baixas de toda a atmosfera.
Estratosfera: estende-se da troposfera at 50 km acima do solo.  nessa camada, em torno de 22 km de altitude, que se encontra a maior concentrao do oznio, gs que filtra os raios ultravioletas emitidos pelo Sol. Esses raios so extremamente prejudiciais  sade do ser humano e  vida de outros seres vivos.
Troposfera: estende-se da superfcie terrestre at cerca de 15 km de altitude. Permite a existncia de muitos seres vivos, pois concentra aproximadamente 75% dos gases da atmosfera (o ar que respiramos).  nessa camada que ocorre a maior parte dos fenmenos meteorolgicos, como ventos, nuvens e chuvas.

Mudanas do tempo
Algumas caractersticas do tempo atmosfrico podem ser fotografadas. Quando o tempo muda, percebemos rapidamente. Voc notou como estava o tempo ontem? Ele ainda permanece com as mesmas caractersticas do dia anterior ou j mudou?

10:00 h	12:00 h	14: h	16:00 h

Em um mesmo dia, o tempo pode apresentar diversos aspectos.

Muitas vezes, temos que adiar uma partida de vlei na quadra da escola porque o dia amanheceu chuvoso. Alguns agricultores aguardam a poca do ano em que chove mais para fazer o plantio de determinadas lavouras. Exemplos como esses nos mostram de que modo as condies do tempo e as caractersticas do clima influenciam de vrias maneiras a vida dos seres humanos.
Mas qual  a diferena entre tempo e clima?
 comum que as palavras tempo e clima sejam utilizadas como sinnimos. Porm, elas possuem significados diferentes. 
O estado momentneo do ar atmosfrico em um determinado lugar, ou seja, se o cu est limpo ou nublado, se est chovendo ou no, se est fazendo frio ou calor,  indicado pelo tempo meteorolgico. Em um mesmo instante, o tempo pode estar diferente em outros lugares, prximos ou distantes de onde estamos.
O tempo est sempre mudando: pode ser de maneira lenta, demorando dias e at semanas, ou rapidamente, de uma hora para outra.
J o clima pode ser entendido como o conjunto das condies atmosfricas (chuvas, ventos, temperatura, etc.) mais marcantes que ocorrem em um determinado lugar da superfcie terrestre. Ele  a sucesso de tipos semelhantes de tempo meteorolgico que predominam em cada poca do ano, em determinado lugar.
Para identificar o clima de uma regio so realizadas observaes dirias do tempo meteorolgico durante algumas dcadas. O clima do Rio Grande do Sul, por exemplo, caracteriza-se por apresentar veres quentes e invernos frios, quase sempre com chuvas bem distribudas durante o ano todo. Embora sejam essas as condies climticas que predominam no Rio Grande do Sul durante o ano, isso no significa que durante o vero as temperaturas no possam cair, ou que, durante o inverno gacho, no possa haver dias de calor.
Por que o tempo muda
Como vimos, o tempo pode mudar de uma hora para outra ou mesmo lentamente, podendo permanecer estvel durante vrios dias. As mudanas nas condies atmosfricas nos lugares dependem, basicamente, do deslocamento das massas de ar.
As massas de ar so gigantescas "bolhas" de ar que se deslocam pela troposfera, influenciando o clima e o tempo nos diversos lugares do planeta. 
As massas de ar distinguem-se umas das outras principalmente pela temperatura (frias ou quentes) e pela umidade (secas ou midas).
Levando-se em considerao a temperatura, as massas de ar podem ser equatoriais e tropicais (quentes) e polares (frias). Em relao  umidade, elas podem ser martimas (midas) ou continentais (secas), com exceo das massas que se formam sobre as grandes florestas equatoriais, como a floresta Amaznica, que so midas em razo da evapotranspirao dos vegetais.
Durante seu deslocamento, as massas de ar podem perder suas caractersticas originais. Uma massa de ar polar martima, por exemplo, pode ganhar temperatura durante o percurso, chegando em determinada regio bem menos fria do que quando deixou a zona polar. J uma massa de ar tropical martima, ao se deslocar sobre o continente, perde muita umidade, chegando bem mais seca s regies distantes do seu local de origem.
Observe nos mapas abaixo como, geralmente, comportam-se as massas de ar na Amrica do Sul, nos meses de janeiro e julho.
Massas de ar na Amrica do Sul
em janeiro
em julho
Massas equatoriais
Massas tropicais
Massas polares
Em	-	Equatorial martima
Ec	-	Equatorial continental
Tm	-	Tropical martima
Tc	-	Tropical continental
Pm	-	Polar martima

Atlas Nacional do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1992.

No ms de janeiro, estao do vero no hemisfrio Sul, as massas de ar com atuao predominante no continente sul-americano so a equatorial continental (Ec), a tropical continental (Tc) e, em algumas reas, as massas equatoriais martimas (Em). Devido s caractersticas dessas massas, o clima nessa poca do ano, na maior parte da Amrica do Sul,  quente e mido.
J no ms de julho, estao do inverno, so as massas de ar equatoriais e tropicais martimas que atuam na maior parte da Amrica do Sul. A rea de atuao da massa equatorial continental diminui e a massa tropical continental desaparece. Nessa poca do ano, as massas polares atuam de forma mais intensa, principalmente no sul da Amrica do Sul, o que confere um clima frio para essas reas e torna mais amenas as temperaturas ao norte do continente.

Massas de ar e formao de frentes frias e quentes
Quando duas massas de ar com temperaturas diferentes se encontram, so formadas as frentes de transio. As mudanas no tempo, em geral, so provocadas por esses encontros. As frentes de transio podem ser frias ou quentes.
As frentes frias ocorrem quando uma massa de ar frio entra em contato com uma massa de ar quente, empurrando-a. Devido s altas presses, o ar frio penetra sob a massa de ar quente, elevando-a e formando nuvens. Dessa forma, o ar quente resfria-se e a gua contida nas nuvens cai na forma de chuva.
Nas frentes frias, os ventos podem atingir grande velocidade, por isso as alteraes no tempo so mais significativas. Muitas vezes ocorrem temporais, vendavais e chuvas de granizo, que chegam a causar grandes prejuzos.
As frentes quentes ocorrem quando uma massa de ar quente entra em contato com uma massa de ar frio, empurrando-a. O ar quente desliza sobre o ar frio mais denso, que lhe serve como uma rampa.
Assim como ocorre nas frentes frias, a chegada de uma frente quente tambm provoca chuvas. Entretanto, elas podem ocorrer algum tempo aps a formao da frente, em quantidade moderada e com ventos de baixa velocidade.

A chegada de uma frente fria pode, muitas vezes,provocar mudanas violentas de tempo, originando fortes tempestades. Leia a notcia a seguir e veja o que o encontro de duas frentes de caractersticas trmicas diferentes ocasionou na regio de Ribeiro Preto (SP), no ano de 1994.

Tempestade deixa mil desabrigados em Ribeiro Preto
Uma tempestade de granizo (chuva de pedras de gelo) matou na noite de sbado trs pessoas em Ribeiro Preto, a 319 km de So Paulo. Mil pessoas esto desabrigadas. Desabamentos feriram 130. A prefeitura decretou estado de calamidade pblica e calcula que os prejuzos cheguem  a US$ 6 milhes. A chuva durou menos de 10 minutos. Os ventos chegaram  velocidade de 108km/h. Metade das casas ficou sem energia eltrica. rvores foram arrancadas e caram sobre carros.

Folha de S. Paulo, 16/05/1994

1.	No sbado uma frente fria passou por So Paulo em direo a Minas Gerais.
2.	Em vez de prosseguir, como  normal, ela foi bloqueada por uma massa de ar quente vinda do Nordeste do pas.
3.	Por volta da meia-noite, o encontro das duas causou uma "exploso" de nuvens, provocando trovoadas, ventos fortes e granizo.

Nos mapas meteorolgicos, as frentes frias so representadas por linhas escuras e tringulos azuis, cujos vrtices* indicam a direo do deslocamento da frente. As frentes quentes so representadas por linhas escuras e semicrculos vermelhos, que tambm indicam a direo do deslocamento da frente.

Com a ajuda do professor, procure saber se o seu municpio ou algum municpio vizinho j foi atingido por problemas semelhantes ao relatado no texto acima. O que ocorreu? Que medidas foram tomadas para auxiliar as populaes atingidas?

vrtice: ponto comum a duas ou mais retas (ex.: a ponta de um tringulo)

Elementos e fenmenos atmosfricos
Na pgina anterior, vimos que a formao de frentes de transio, sejam elas frias ou quentes, acaba dando origem a vrios outros fenmenos atmosfricos, como nuvens, chuvas e ventos. Esses fenmenos acontecem devido a determinadas caractersticas de temperatura, presso e umidade das massas de ar e dos diversos lugares da Terra. A temperatura, a presso e a umidade so elementos bsicos do ar atmosfrico. Conhea cada um desses elementos e os fenmenos que eles desencadeiam na atmosfera terrestre.
Temperatura atmosfrica
Temperatura atmosfrica  a propriedade que o ar possui de, em determinados lugares, estar "mais quente" ou "mais frio".
O calor que aquece a atmosfera terrestre provm da energia dos raios do Sol, isto , da radiao solar. Contudo, o aquecimento da atmosfera  feito, em sua maior parte, de maneira indireta. Isso quer dizer que primeiro ocorre o aquecimento da superfcie terrestre; em seguida, a superfcie emite o calor da radiao solar para o ar atmosfrico, aquecendo-o. Assim,  a intensidade do aquecimento da superfcie terrestre que faz a temperatura do ar variar durante os dias do ano. Observe o esquema abaixo e perceba como ocorre o aquecimento da superfcie terrestre e do ar atmosfrico.
radiao solar (100%)
25% refletida pelas nuvens
20% absorvida pela atmosfera
5% refletida pela superfcie
50% absorvida pela superfcie
Calor reemitido 
pela superfcie

The Real World. London, Marshall, 1991.

O termmetro
O termmetro  o instrumento utilizado para medir a temperatura atmosfrica. Esse aparelho  composto de uma coluna de vidro contendo um lquido. O mercrio  o que possibilita a leitura mais correta, mas tambm so utilizados outros lquidos, como o lcool colorido. Esse lquido expande-se ou contrai-se conforme a variao da temperatura atmosfrica: quanto mais quente, mais o lquido expande-se; quanto mais frio, mais ele se contrai.
A temperatura  indicada por uma escala marcada na coluna. H diferentes tipos de escala, que podem mudar de um pas para outro. No Brasil, a escala mais usada  a chamada Celsius. De acordo com essa escala, o ponto de congelamento da gua corresponde a zero grau Celsius, ou 0 oC, e o ponto de fervura ou de ebulio da gua corresponde a 100 oC.

Ao lado, o termoscpio, inventado por Galileu em 1597. Esse instrumento, um ancestral dos atuais termmetros, no possua escala, mas j indicava a variao da temperatura pela expanso e contrao de um lquido em seu interior.
Ao lado, termmetro de temperaturas mxima e mnima, muito utilizado atualmente. Esse tipo de termmetro indica a temperatura mais alta e a mais baixa de um mesmo dia. Essas temperaturas so indicadas pela extremidade inferior de duas barrinhas de metal (em azul), que so empurradas de acordo com o movimento do mercrio.

26 oC temperatura mxima
18 oC temperatura mnima

Temperatura mdia e amplitude trmica
Como j sabemos, termmetros nos auxiliam a registrar as variaes das temperaturas de um determinado lugar. Nas cenas ilustradas abaixo, o termmetro  registra duas temperaturas diferentes durante um mesmo dia: uma temperatura mnima durante a manh e uma temperatura mxima durante a tarde. Observe.

Em quantos graus a temperatura variou entre os dois momentos indicados? De acordo com o que voc j aprendeu, por que a temperatura variou? Que sensao trmica as pessoas que passaram por esse lugar provavelmente tiveram nos horrios em que as temperaturas foram registradas? Como a mudana na temperatura influenciou no comportamento dessas pessoas? Explique para seus colegas.

6:00h 15C	14:00h 28C


Para caracterizarmos melhor a temperatura em um determinado lugar da Terra, devemos conhecer as suas temperaturas mdias e as suas amplitudes trmicas.
A temperatura mdia (diria, mensal ou anual) de um ponto qualquer da superfcie terrestre  obtida realizando-se medies de temperatura a intervalos regulares de tempo. Ao final das medies, as temperaturas encontradas so somadas e o resultado  dividido pela quantidade de medies realizadas naquele perodo.
J a amplitude trmica de um lugar da superfcie terrestre corresponde  diferena entre a temperatura mxima e a temperatura mnima registradas em um determinado perodo de tempo, como podemos observar nas ilustraes acima.

Como calcular a temperatura mdia e a amplitude trmica
Temperatura mdia
A temperatura do ar atmosfrico de uma determinada cidade (como a mostrada nas cenas ilustradas acima) foi medida seis vezes durante um dia inteiro, em intervalos de quatro horas.
Veja a tabela ao lado.

02:00 h 	17 C
06:00 h 	15 C
10:00 h 	20 C
14:00 h	28 C
18:00 h 	26 C
22:00 h	20 C

Para obter a mdia trmica, todas as temperaturas so somadas, obtendo-se 126 C. Depois esse resultado  dividido pelo nmero de vezes em que foram realizadas as medies (6 vezes):

126 : 6 = 21
21 C 
foi a temperatura mdia do perodo

Amplitude trmica
Para obtermos a amplitude trmica dessa mesma cidade, devemos subtrair a temperatura mnima (15 C) da temperatura mxima (28 C) registrada durante o dia. Assim, a amplitude trmica naquele dia ser de 13 C.
No grfico abaixo podemos visualizar como a temperatura atmosfrica oscilou durante o dia e qual foi a amplitude trmica registrada no perodo.

Presso, temperatura e ventos atmosfricos
O peso que a atmosfera exerce sobre uma rea qualquer da superfcie terrestre denomina-se presso atmosfrica. Ela ocorre devido  fora de gravidade da Terra, que prende os gases ao redor do planeta e pressiona-os em direo  superfcie do globo.
A presso atmosfrica pode variar de acordo com a temperatura do ar. Quando o ar est mais frio, as molculas dos gases agrupam-se e ele fica mais denso, pesado e, portanto, com alta presso. Dessa forma, as presses atmosfricas mais elevadas do planeta esto localizadas, sobretudo, nas zonas polares e temperadas, onde as temperaturas so mais baixas.
Ao contrrio, quando o ar est mais quente, as molculas dos gases afastam-se e ele fica mais rarefeito, leve e com baixa presso. Por isso, as presses atmosfricas mais baixas esto localizadas, em geral, na zona tropical, onde as temperaturas do ar so mais elevadas.
So as diferenas entre as regies de alta e baixa presso do planeta que provocam o deslocamento das massas de ar e tambm a formao dos ventos.
Todo deslocamento de ar sobre a superfcie terrestre  denominado vento. Os ventos sempre sopram das reas de alta presso para as de baixa presso. Quando as diferenas de temperatura e, conseqentemente, de presso entre duas reas so muito elevadas, os ventos sopram com grande velocidade (como no caso do encontro das frentes sobre a cidade de Ribeiro Preto, em 1994, visto na pgina 118). J os ventos mais fracos ocorrem quando as diferenas de presso so menores.
O esquema abaixo demonstra como se formam os ventos em escala local. 
Ventos em elevadas altitudes
Ar quente
Ar frio
Ventos de superfcie
1	-	O Sol aquece a superfcie terrestre e esta aquece o ar que est prximo a ela.
2	-	Ao se aquecer, esse ar fica menos denso, portanto mais leve, e sobe para pores mais elevadas da atmosfera.
3	-	Em altitudes mais elevadas, o ar aquecido volta a se resfriar.
4	-	O ar frio fica mais denso, portanto mais pesado, e desce para altitudes mais baixas, dando incio novamente ao ciclo.

Circulao atmosfrica global
Existem grandes correntes de vento que se deslocam na atmosfera terrestre o ano todo e sempre na mesma direo, originando o fenmeno denominado circulao atmosfrica global. Conhea os trs principais tipos de vento:
	polares, que sopram dos plos em direo aos trpicos;
	alsios, que sopram dos trpicos em direo  Linha do Equador; 
	ventos de oeste, que se deslocam dos trpicos em direo aos plos, ou seja, em direo contrria  dos alsios. 
Polares
Alsios
Ventos de oeste

Adaptado do Atlas dos Oceanos. So Paulo, Martins Fontes, 1994.

Umidade atmosfrica
A evaporao das guas dos oceanos, mares, rios e lagos proporciona  atmosfera uma certa umidade, isto , uma determinada quantidade de vapor de gua em suspenso. O vapor de gua resultante da transpirao de plantas e animais tambm contribui para esse fenmeno.
A quantidade de vapor de gua existente em uma poro da atmosfera (umidade atmosfrica) apresenta um determinado limite, o ponto de saturao. Ele representa a quantidade mxima  de vapor de gua que o ar atmosfrico consegue manter em suspenso em uma dada temperatura.
Quando o ar atmosfrico atinge o ponto de saturao, dizemos que ele est saturado, ou seja, est com a maior quantidade possvel de vapor de gua. A partir do momento em que o ponto de saturao  atingido, o vapor de gua condensa-se e forma as nuvens, que podem precipitar-se em forma de chuva, neve ou granizo.
A umidade atmosfrica varia de um lugar para outro na Terra. No Brasil, por exemplo, a Serra do Mar  uma das regies que apresentam os maiores ndices de umidade atmosfrica, devido  transpirao dos vegetais da Mata Atlntica e  proximidade com o oceano. 
J  nas reas de Cerrado, localizadas na poro central do pas, so registrados um dos menores ndices de umidade do ar, por causa da escassez de chuvas que atinge a regio durante seis meses do ano.

Nuvens
As nuvens so aglomerados de gotculas de gua ou de cristais de gelo que se encontram em suspenso na atmosfera. As nuvens formam-se quando o ar atinge o ponto de saturao, ou seja, quando ele est saturado de vapor de gua. Os ventos elevam esse vapor para altitudes maiores, onde ele se resfria e condensa, isto , passa do estado gasoso ao estado lquido. Quando a temperatura baixa ainda mais, essas gotculas congelam e passam para o estado slido na forma de cristais de gelo.
Porm, muitas vezes a condensao do vapor de gua ocorre bem prxima  superfcie, formando as neblinas ou nevoeiros.
Veja, a seguir, os tipos bsicos de nuvens.

Nuvens cirros: so formadas por cristais de gelo, por estarem em grandes altitudes. Possuem aparncia fibrosa, por isso so conhecidas como "rabo de cavalo" ou "rabo de galo".

Nuvens cmulos: apresentam formas que lembram grandes flocos de algodo. Os cmulos so brancos e verticalmente alongados, com base reta e topo arredondado.

Nuvens estratos: aparecem no cu na forma de camadas horizontais, mais baixas que as outras nuvens.

Precipitaes atmosfricas
As nuvens, sobretudo as dos tipos estratos e cmulos,  que do origem s precipitaes atmosfricas na forma de granizo, neve ou chuva. As precipitaes atmosfricas ocorrem quando o vapor de gua, em suspenso na atmosfera, condensa-se ou congela, e cai na forma de gua ou gelo em direo  superfcie terrestre. As precipitaes podem ocorrer na forma slida, como no caso do granizo e da neve, ou na forma lquida, como no caso das chuvas.
O granizo forma-se nas partes mais elevadas das nuvens do tipo cmulos, onde a temperatura  muito baixa, transformando as gotculas de gua em pedras de gelo. Devido ao peso que adquirem, as pedras de gelo precipitam-se.
A neve ocorre quando a temperatura nas nuvens permanece abaixo de 0 C e faz o vapor de gua condensar-se e transformar-se em cristais de gelo.  medida que os cristais de gelo caem, eles se juntam e formam os flocos de neve. A ocorrncia de neve  comum nas zonas temperadas e polares, principalmente na poca do inverno.
A chuva, como foi visto,  a precipitao das gotculas de gua em suspenso nas nuvens. As chuvas podem ter vrias origens: na prpria evaporao da gua, em regies quentes do planeta, formando nuvens carregadas que provocam, em seguida, chuvas rpidas e abundantes; no encontro entre uma frente fria e uma frente quente; ou, ainda, quando uma massa de ar carregada de vapor de gua encontra as encostas de montanhas e serras, o que provoca a condensao e a precipitao do vapor de gua.

Orvalho e geada
O orvalho e a geada tambm so fenmenos originados a partir da umidade existente no ar atmosfrico. Contudo, diferentemente das chuvas, do granizo e da neve, a geada e o orvalho no se precipitam, formam-se apenas da condensao do vapor de gua existente no ar sobre a superfcie das plantas, do solo, dos automveis, dos telhados, das casas, etc. Na realidade, a geada  o congelamento do orvalho sobre a superfcie terrestre, formando finas camadas de gelo. Ela ocorre, em geral, aps a passagem de uma frente fria, que deixa o cu limpo e faz as temperaturas carem abaixo de 0 oC. Durante o inverno so comuns as geadas nos estados da regio Sul do Brasil e tambm em algumas reas do Sudeste. 

Na maior parte do Brasil predominam temperaturas elevadas. No entanto, em alguns municpios da regio Sul, como So Joaquim (SC), pode ocorrer intensa precipitao de neve nos invernos mais rigorosos.

Pense sobre as conseqncias que uma nevasca (precipitao de neve), uma chuva de granizo ou uma geada podem trazer sobre uma rea agrcola. Como isso pode afetar a vida das pessoas nas cidades?

A previso do tempo
Voc costuma acompanhar a previso do tempo, seja no rdio, na televiso ou em jornais? Costuma verificar como est o tempo pela manh? Converse com seus colegas e descubra se eles fazem o mesmo.

Conhecer o funcionamento dos fenmenos atmosfricos e prever as mudanas no tempo meteorolgico de qualquer lugar da Terra: essas so importantes conquistas da humanidade.
Atualmente, as informaes e as previses sobre o tempo meteorolgico chegam s nossas casas todos os dias, atravs do rdio, dos jornais ou da televiso. Esse tipo de servio  possvel graas  meteorologia, cincia que estuda a atmosfera e seus fenmenos.
O estudo e a previso do tempo so realizados pelos meteorologistas, que analisam os dados obtidos a partir de medies dirias de temperatura, umidade, presso e ventos, realizadas em estaes meteorolgicas espalhadas pelo mundo inteiro.
As estaes meteorolgicas so locais onde esto reunidos aparelhos, como termmetros, anemmetros, pluvimetros, higrmetros e barmetros, utilizados para medir e registrar os fenmenos atmosfricos. Esses aparelhos podem estar instalados em terra ou em navios, avies e bales-sondas, registrando as condies do tempo atmosfrico sobre os continentes, oceanos e em grandes altitudes. Alm dessas estaes, a meteorologia conta com o auxlio de satlites que observam as condies atmosfricas a partir de suas rbitas em torno da Terra. Os satlites fornecem informaes mais precisas, principalmente sobre o deslocamento de massas de ar, por meio de imagens que so captadas e enviadas aos institutos de pesquisa.
Com base nessas informaes, os pesquisadores realizam as previses meteorolgicas e as repassam diariamente para a imprensa.

O anemmetro  o aparelho que mede a velocidade do vento.

O heligrafo  um aparelho que registra a intensidade e o tempo de incidncia da luz solar em um mesmo dia. Esse aparelho  composto por uma esfera de cristal de quartzo polido, que concentra e direciona os raios solares em uma tira de papel sensvel ao calor.

Medir o quanto chove em determinado local  a funo do pluvimetro.

Vista geral de uma estao meteorolgica.

Muitas estaes meteorolgicas possuem uma caixa de Stevenson. Essa caixa  planejada para abrigar instrumentos como: 
1.	termmetros de temperaturas mxima e mnima;
2.	termmetros de bulbo seco e bulbo mido, em que a diferena entre as duas medies serve para calcular a umidade relativa do ar; 
3.	termgrafo, que registra as diversas temperaturas medidas; 
4.	higrgrafo, que registra a variao da umidade atmosfrica durante o dia.

Alta tecnologia nas previses do tempo
Atualmente as previses meteorolgicas so realizadas por meio de tcnicas avanadas, com a utilizao de aparelhos muito sofisticados. A introduo de alta tecnologia na previso do tempo, como imagens de satlites e computadores ultra-modernos, tem tornado esse servio cada vez mais confivel.
Observando as imagens emitidas por um satlite, por exemplo, os meteorologistas podem acompanhar com detalhes a movimentao das massas de ar. Procedimentos como esse, somados s demais informaes obtidas por outros instrumentos, permitem um aumento na preciso da previso do tempo para determinados lugares da Terra.
Na seqncia de imagens abaixo, feitas pelo satlite GOES-8,  possvel acompanhar o movimento das massas de ar ocorrido entre os dias 1o e 3 de novembro de 1999, no Brasil.

No dia 1/11/99 uma frente fria provocada pelo deslocamento de uma massa de ar polar aproxima-se do Sul do Brasil.

No dia 2/11/99 a chegada da frente fria j provoca reas de instabilidade atmosfrica na regio Sul do pas, ocasionando ventos e chuvas.

No dia 3/11/99 a frente fria se desloca para noroeste e as reas de instabilidade se espalham, provocando alteraes da temperatura e a ocorrncia de chuvas em alguns estados do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

A importncia da previso do tempo
A previso do tempo beneficia a sociedade, seja em suas atividades econmicas, seja no cotidiano das pessoas. Com a previso de uma chuva, por exemplo, os agricultores podero programar o plantio de uma lavoura. Se a previso for de geada, chuva de granizo ou seca, eles podero utilizar tcnicas para evitar que esses fenmenos causem prejuzos s plantaes.
As previses permitem que as pessoas se preparem para enfrentar fenmenos, como furaces e enchentes, ou mesmo sejam removidas a tempo da rea que ser afetada.
As previses do tempo auxiliam tambm no transporte areo e martimo, permitindo que os comandantes de avies e navios tracem rotas mais seguras para a viagem. 

As chuvas de granizo geralmente provocam grandes estragos nas regies agrcolas, podendo destruir plantaes inteiras. Quando a previso da formao de granizo nas nuvens  feita a tempo,  possvel tomar providncias para proteger a lavoura.  O bombardeio dessas nuvens com foguetes, como os da foto ao lado, carregados com uma substncia chamada iodeto de prata, pode reduzir e, s vezes, at eliminar a precipitao do granizo.

Atividades
Questes de compreenso
	1.	Se algum lhe dissesse que a exosfera  a camada mais propcia da atmosfera para o desenvolvimento de uma grande variedade de seres vivos, voc concordaria? Justifique sua resposta.
	2.	Suponha que no municpio onde voc mora o tempo atmosfrico esteja sob a influncia de uma massa de ar tropical martima. No entanto, a previso meteorolgica anunciou a chegada de uma massa de ar polar muito forte nessa regio, para o dia seguinte. O que pode acontecer com o tempo atmosfrico em seu municpio nas prximas 24 horas? Explique por qu.
	3.	Suponha que a temperatura do ar atmosfrico de um determinado lugar da superfcie terrestre variou da seguinte maneira durante o dia: 1a leitura: 13 C; 2a leitura: 18 C; 3a leitura: 22 C; 4a leitura: 20 C; 5a leitura: 19 C; 6a leitura: 16 C.
		Calcule a temperatura mdia e a amplitude trmica desse lugar durante o dia.
	4.	Explique a relao existente entre os ventos e a presso atmosfrica.
	5.	Eis uma chuvinha; voc est na rua, voc abre o guarda-chuva; basta. A que serve dizer: "Outra vez esta chuva chata!", que nada faz s gotas de gua, nem  nuvem, nem ao vento. Por que no dizer logo: " que boa chuvinha!"

Alain. Consideraes sobre a felicidade.

Nessa citao o autor nos fala de um tipo de comportamento que muitas pessoas tm com relao aos fenmenos atmosfricos, como o de se aborrecer com a chuva, dizendo que ela  inconveniente, ou que o tempo est ruim.
Faa o contrrio, enumerando os benefcios que a chuva pode trazer.
Anlise de grfico
O climograma  o grfico que representa a temperatura e a pluviosidade mdia de um determinado lugar, durante um ano. Conhea um climograma.
Este climograma representa a temperatura e a pluviosidade mdias da cidade de Cuiab, no Mato Grosso. Nota-se que os meses de maio a agosto so mais secos e que as chuvas aumentam entre setembro e abril. 

Esse eixo mostra a quantidade de precipitao (P) em milmetros* (mm). As barras azuis representam a quantidade mdia de chuva que cai mensalmente no lugar.
Esse eixo mostra a temperatura (T) em graus Celsius (oC). A linha vermelha representa a temperatura mdia mensal registrada no lugar.
J a temperatura de Cuiab  alta durante praticamente o ano todo. Percebe-se, ento, que altas temperaturas e duas estaes, uma chuvosa e outra seca, so caractersticas do clima que atua nessa cidade.

Anurio Estatstico do Brasil. Rio de  Janeiro, IBGE, 1996.

Agora, analise os climogramas de algumas cidades do mundo. Para auxiliar esse trabalho de anlise, localize as cidades em um planisfrio.

J. O. Ayoade. Introduo  climatologia para os trpicos. Rio de Janeiro, Bertrand do Brasil, 1988.

	1.	D as caractersticas de pluviosidade e temperatura nas quatro estaes do ano em cada uma das cidades.
	2.	Identifique em quais cidades as estaes do ano apresentam, entre si, maiores diferenas de temperatura e pluviosidade.

milmetro (mm): unidade de medida usada, no caso da meteorologia, para calcular a pluviosidade, isto , o quanto chove em determinado lugar, durante um certo perodo de tempo (o mm corresponde  milsima parte do metro)


Leitura
Ser que vai chover amanh?
 crescente o nmero de pessoas que se interessam pela previso do tempo e que, mais que isso, passam a depender dela. As informaes sobre as mudanas no tempo no auxiliam somente o trabalho com a agricultura ou a navegao area e martima, mas tambm qualquer pessoa que queira programar suas atividades.
Por isso a meteorologia busca, constantemente, prever o tempo com a maior exatido possvel. Nas ltimas dcadas, os estudos e pesquisas meteorolgicas passaram por um grande avano e, atualmente, suas informaes tm sido cada vez mais precisas.
No Brasil, a previso meteorolgica  realizada a partir de informaes captadas por sofisticados equipamentos de alta tecnologia. Entre eles, satlites como o GOES-8, que est em rbita a cerca de 36 mil quilmetros da Terra, pesa em torno de 2 toneladas e  alimentado por baterias solares. Esse satlite acompanha os movimentos da Terra e transmite imagens para os centros de estudos meteorolgicos, mostrando a formao de nuvens e os deslocamentos das massas de ar, entre outras informaes. Dessa forma,  possvel prever tempestades, secas e outros fenmenos atmosfricos, em todo o pas.
Para tornar o trabalho de previso do tempo no Brasil mais preciso, o CPTEC (Centro de Previso do Tempo e Estudos Climticos), localizado em Cachoeira Paulista (SP), possui um supercomputador que recebe dados do satlite e das demais estaes meteorolgicas do pas, processando-os em at 100 milhes de clculos por segundo.
Com a utilizao dos satlites e do supercomputador,  possvel obter, entre 40 e 80 minutos, a previso do tempo para os prximos cinco dias, com uma margem de acerto de 80%. A previso para 24 horas  mais precisa, chegando a 95% de acerto.
Para fazer os mesmos clculos executados pelo supercomputador, a fim de prever o tempo para as prximas 24 horas, uma pessoa levaria 1 200 anos. Com o supercomputador, essa previso  feita em pouco menos de 10 minutos.

Tecnologia a servio do bem-estar humano e da cincia. Nas fotografias, vista geral do CPTEC (ao lado) e pesquisadores trabalhando a partir de dados colhidos por estaes meteorolgicas e satlites (acima). Graas a essas informaes e aos clculos realizados por computadores potentes, o CPTEC pode emitir previses do tempo cada vez mais precisas.

Muito antes de a cincia alcanar esse estgio de preciso na previso meteorolgica, a maioria das pessoas se baseava somente nas observaes da natureza para emitir uma espcie de "previso caseira" do tempo. Esses conhecimentos foram passados de gerao a gerao e, embora no sejam precisos, tornaram-se prenncios das mudanas no tempo. 
Conhea a seguir alguns desses "mtodos" populares de previso do tempo:
	saleiro mido indica aumento de umidade no ar, pode ser chuva ou frente fria chegando; 
	pessoas que sofrem de reumatismo dizem sentir dor nos ossos quando uma frente fria se aproxima; 
	quando o pr-do-sol est avermelhado pode ser sinal de tempo "bom" no dia seguinte.
E voc, arriscaria fazer uma previso para o tempo? Ser que vai chover amanh?


Captulo 14

Tipos de clima

Muitas regies do mundo apresentam climas diferentes daquele existente no lugar onde voc mora. Voc conhece alguns desses climas? Saberia descrever as caractersticas de alguns deles? Por que existem climas diferentes no mundo?

Como j estudamos nesta unidade,  a mdia das condies atmosfricas predominantes de um lugar, registradas durante um certo perodo de tempo, que caracteriza o seu clima.
Os climas que atuam sobre a superfcie terrestre so muito variados, como podemos observar no mapa abaixo, que representa os principais tipos de clima existentes sobre os continentes. Esta classificao climtica leva em considerao a atuao das massas de ar, alm de outros fatores, como a altitude do relevo e a interferncia das correntes martimas, que veremos a seguir.

Tipos de clima da Terra

Adaptado de World Atlas. Londres, Dorling Kindersley, 1997.

Clima equatorial - quente e chuvoso durante quase o ano todo.
Clima tropical - possui duas estaes marcantes: o vero, com chuvas abundantes, e o inverno, com um perodo de seca. A temperatura mdia anual  de cerca de 20 oC.
Clima subtropical - o vero  quente e as chuvas so bem distribudas por todo o ano. Durante alguns meses, em especial no outono e no inverno, as temperaturas podem ser inferiores a 10 oC.
Clima semi-rido - em geral, apresenta-se quente, com baixa umidade atmosfrica e longos perodos de seca.
Clima desrtico - caracteriza-se por ser extremamente seco o ano todo. As temperaturas podem ser variadas. Existem climas desrticos frios, como o da Patagnia, na Argentina, e outros quentes, como o do Saara, na frica.
Clima temperado - possui as quatro estaes do ano bem definidas, sendo que, em regies localizadas 
no interior do continente, os veres so quentes e no inverno chega a ocorrer precipitao de neve.
Clima mediterrneo - possui veres quentes e secos e invernos chuvosos com temperaturas amenas, em torno de 6 C.
Clima frio - possui um vero curto com temperaturas bem amenas e um inverno longo e rigoroso, com muita neve.
Clima de altas montanhas - apresenta as mesmas caractersticas que o clima frio, porm ocorre em regies com grandes altitudes, inclusive de baixa latitude.
Clima polar - as temperaturas so muito baixas o ano inteiro, sendo que as precipitaes so quase sempre em forma de neve.


Por que existem climas diferentes

Vimos no captulo anterior que as condies de presso, umidade e temperatura das massas de ar tm uma importante participao na caracterizao do tempo e do clima de um lugar.
No entanto, existem outros fatores, como a latitude, a altitude, as correntes martimas, a continentalidade, a maritimidade e a vegetao, que podem influenciar nas condies climticas de uma regio.

Os diversos climas esto entre os principais agentes da formao de paisagens e ambientes diferentes na Terra, aos quais os seres vivos, entre eles os seres humanos, procuram se adaptar. Na foto ao lado, um representante do povo tuaregue cobre todo o corpo, inclusive o rosto, para se proteger do trrido calor e das areias do deserto do Saara, na frica.

Latitude

A tabela abaixo e o mapa ao lado indicam as variaes trmicas de algumas cidades do Brasil e de outros pases da Amrica do Sul, demonstrando a influncia da latitude na determinao dos climas.

	Cidade	Latitude	  Temperatura mdia
	Belm	0128' S	26,8 C
	Vitria*	2019' S	24,7 C
	Buenos Aires	3430' S	16,5 C
	Punta Arenas	5300' S	6,7 C

Geopdia, v. II. Rio de Janeiro/So Paulo, 
Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1990. 
* INMET - Instituto Nacional de Meteorologia.

Observe a tabela e o mapa e conclua: a temperatura mdia mais alta foi registrada em qual latitude? E a mais baixa? As temperaturas mdias elevaram-se ou diminuram conforme o aumento da latitude? 

Como verificamos, a temperatura varia de forma inversa em relao  latitude, ou seja, conforme a latitude aumenta, a temperatura diminui e vice-versa. Dessa forma, a latitude influi diretamente na existncia dos diversos tipos de clima do globo.
As temperaturas variam conforme a latitude por causa da forma esfrica e do eixo inclinado da Terra, o que faz os raios solares chegarem com intensidades variadas nas diversas regies do planeta.
Nas reas prximas  Linha do Equador, portanto de baixas latitudes, os raios solares incidem mais perpendicularmente sobre a superfcie terrestre, causando um maior aquecimento nessas regies. Isso faz com que esses locais geralmente apresentem climas quentes.
Ao contrrio, nas reas distantes da Linha do Equador, de latitudes elevadas, os raios solares incidem de forma cada vez mais inclinada. Isso provoca um menor aquecimento nessas regies, que so dominadas por climas frios.

Altitude

A altitude  um outro fator que influi na temperatura atmosfrica e, conseqentemente, na determinao dos climas.
Quanto maior for a altitude de um lugar, menor ser a sua temperatura mdia e vice-versa. A cada 200 metros de altitude a temperatura do ar diminui, em mdia, cerca de 1 C.
A influncia da altitude determina a formao dos climas frios de montanha, que se encontram nas pores mais elevadas das grandes cordilheiras. Essas montanhas preservam uma grande quantidade de gelo em seus cumes devido s baixas temperaturas, que permanecem, em geral, abaixo de 0 C. Mesmo montanhas localizadas em regies tropicais (de baixa latitude), como grande parte da cordilheira dos Andes, apresentam seus picos nevados. 

	A altitude tambm influencia nas variaes climticas do territrio brasileiro. O esquema ao lado mostra o caso de trs cidades - localizadas aproximadamente na mesma latitude - que possuem temperaturas mdias anuais bastante distintas. 

O aquecimento do ar atmosfrico  feito, principalmente, pela superfcie terrestre, que transmite para a atmosfera o calor recebido do Sol.
Como em altitudes maiores a presso atmosfrica  menor e o ar  mais rarefeito, ele se aquece menos.

INMET - Instituto Nacional de Meteorologia.
* Prefeitura Municipal de Guaratinguet

Correntes martimas

As correntes martimas exercem grande influncia sobre a temperatura e a umidade das massas de ar e, portanto, sobre o clima de vrias regies da Terra. As massas de ar tm suas caractersticas de temperatura e umidade alteradas ao circularem sobre as correntes martimas. As correntes frias tornam o ar mais frio e mais seco; ao contrrio, as correntes quentes tornam o ar mais quente e mido. Observe o exemplo a seguir.

Corrente martima de Humboldt e o deserto de Atacama

Corrente fria
Corrente quente
Deserto de Atacama

Adaptado de  Atlas Geogrfico Melhoramentos. So Paulo, Melhoramentos, 1995.

A corrente martima fria de Humboldt ou do Peru altera a temperatura e a umidade das massas de ar que circulam pelo oceano Pacfico, prximo  Amrica do Sul. Dessa forma, o clima se torna seco na costa norte do Chile e ao sul do Peru, o que explica, em grande parte, a existncia do deserto de Atacama. 


Maritimidade e continentalidade

Outro fator que influencia o clima de uma regio refere-se  sua maior ou menor proximidade em relao aos oceanos e mares. Nas reas litorneas as temperaturas so influenciadas 
pelas guas ocenicas, constituindo o chamado efeito de maritimidade.
J as reas interioranas so influenciadas pelo aquecimento e resfriamento das terras continentais, no chamado efeito de continentalidade.
Para melhor entender essa questo, veja os esquemas a seguir. 

Nos continentes, o calor absorvido durante o dia permanece prximo  superfcie. J nos oceanos e mares, o calor  absorvido at uma grande profundidade.

Ao anoitecer, o calor contido nos continentes  rapidamente liberado para a atmosfera e a temperatura  noite torna-se mais baixa que durante o dia. No entanto, nos mares e oceanos a temperatura das guas mantm-se elevada, pois o seu resfriamento  muito lento devido  grande quantidade de calor absorvido durante o dia.

Nas regies litorneas, portanto, a temperatura noturna no diminui tanto em relao  temperatura diurna, pois o calor lentamente liberado pelas guas durante a noite mantm essas regies aquecidas. Esse  o efeito de maritimidade.
J nas regies do interior do continente, as temperaturas noturnas so bem mais baixas que as diurnas, pois o calor absorvido pelas terras durante o dia  rapidamente devolvido  atmosfera. Esse  o efeito de continentalidade.

Quando comparamos a amplitude trmica mdia anual de cidades localizadas aproximadamente na mesma latitude, vemos que ela  menor nas cidades litorneas e maior nas cidades mais distantes dos oceanos e mares. No Brasil, os efeitos da maritimidade e da continentalidade so bem marcantes. Observe:

	A 	Porto Velho 	9,7 C	B 	Recife 	7,2 C
	C 	Campo Grande 	10,8 C 	D	Vitria 	6,7 C

No lugar onde voc mora, as diferenas de temperatura entre o dia e a noite so muito acentuadas? Levando em considerao a localizao do municpio onde voc mora, qual dos efeitos (maritimidade ou continentalidade) deve exercer maior influncia sobre o clima da sua regio?

Vegetao

A vegetao exerce grande influncia sobre a umidade das massas de ar em determinadas regies do planeta.
As plantas absorvem uma grande quantidade de gua do solo, a qual circula em seu interior na forma de seiva*. O calor do ar faz as plantas transpirarem. Por outro lado, as gotculas de gua que esto na superfcie dos vegetais (nas folhas, galhos e caule) e tambm no solo evaporam rapidamente. A combinao da transpirao com a evaporao d origem ao fenmeno chamado evapotranspirao.
De acordo com o tipo de vegetao, a atmosfera recebe uma quantidade maior ou menor de umidade. Veja a seguir.


As florestas equatoriais, como a floresta Amaznica, apresentam uma vegetao adaptada ao clima quente e mido. Como essas plantas no tm necessidade de armazenar gua, elas devolvem a umidade rapidamente para atmosfera. 

Muitos vegetais da floresta Amaznica, como a bananeirinha-do-brejo, possuem folhas largas e viosas, o que favorece a evapotranspirao.

As regies semi-ridas, como o Serto nordestino, apresentam uma vegetao adaptada ao clima quente e seco. Muitas dessas plantas retm grande quantidade de gua em seu interior e fornecem pouca umidade para a atmosfera, contribuindo muito pouco para a formao de nuvens e para a ocorrncia de chuvas na regio.

Plantas do Serto nordestino, como o mandacaru, um tipo de cacto, possuem folhas estreitas e midas (os espinhos dos cactos so folhas adaptadas). Dessa forma, reduzem a evapotranspirao, evitando a perda de gua.

seiva: lquido rico em nutrientes que percorre o organismo das plantas

Climas do Brasil

O Brasil apresenta o predomnio de climas quentes devido, principalmente,  posio geogrfica do seu territrio (localizado em baixas latitudes), juntamente com a ao das massas de ar quente que atuam sobre o pas. Somente a poro sul do Brasil apresenta um clima com temperaturas um pouco mais baixas, em virtude de sua latitude, mais alta que a de outras partes do pas, e por receber com maior intensidade a influncia da massa de ar polar.
O mapa abaixo apresenta os tipos de clima existentes no Brasil e suas caractersticas.

Tipos de clima do Brasil
Classificao de A. Strahler

Clima equatorial - dominado pela massa de ar equatorial continental, que  quente e muito mida devido  presena da floresta Amaznica. As temperaturas so em geral elevadas e variam pouco durante o ano; a mdia trmica anual fica em torno de 26 C. As chuvas so abundantes praticamente o ano inteiro, porm em setembro e outubro geralmente chove menos do que nos outros meses. A mdia de pluviosidade anual  de cerca de 2 500 mm.
Clima semi-rido - abrange grande parte da regio Nordeste. O clima  controlado pelas massas de ar equatorial e tropical martimas e muito influenciado pelo relevo localizado na poro litornea nordestina. O relevo serve como uma barreira  umidade trazida por essas massas de ar, que chegam ao interior (Serto nordestino) bastante secas. Por isso, nesta rea do Nordeste as chuvas so escassas, se comparadas a outras reas do Brasil, e irregularmente distribudas durante o ano; a pluviosidade anual geralmente  inferior a 750 mm e algumas reas chegam a sofrer secas que duram anos. As chuvas costumam ocorrer de janeiro a abril, perodo chamado de inverno pelos nordestinos, por ser menos quente e mais mido. As temperaturas so elevadas, com mdia em torno de 27 C.
Clima tropical mido -  controlado pelas massas de ar equatorial e tropical martimas (quentes e midas) e por isso apresenta temperaturas elevadas e chuvas abundantes, com mdia anual de pluviosidade em torno de 1 800 mm. De maio a setembro, a massa de ar polar martima causa queda das temperaturas em determinadas partes dessa regio.
Clima tropical tpico - apresenta temperaturas elevadas durante todo o ano, com mdia anual em torno de 24 C e uma pluviosidade anual de aproximadamente 1 500 mm. Esse clima  controlado pelas massas de ar tropical continental, tropical martima e equatorial continental. A atuao dessas massas forma duas estaes bem definidas: uma mais chuvosa (de outubro a abril) e outra mais seca (de maio a setembro).

Clima subtropical - dominado pelas massas de ar  tropical martima, tropical continental e polar martima (fria e mida) que forma as frentes frias durante o inverno. A temperatura mdia anual fica em torno de 18 C, com uma sensvel variao entre as estaes do ano. No vero, as temperaturas atingem mais de 30 C, enquanto no inverno, em algumas reas, chegam a ser inferiores a 0 C. As chuvas so bem distribudas durante todos os meses do ano, e a pluviosidade anual  de cerca de 1 500 mm.

Adaptado da Enciclopdia Mirador Internacional, v. 6. Rio de Janeiro/So Paulo, Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1990. 

De acordo com o mapa, qual  o clima que atua na sua regio? A descrio dada ao clima de sua regio corresponde, de modo geral, s caractersticas que voc conhece? Explique.

O clima e sua influncia sobre a vida do ser humano

Em pocas passadas, a influncia do clima sobre o ser humano era sentida de uma maneira muito mais intensa do que atualmente.
Ao longo do tempo, a sociedade desenvolveu tecnologias e transformou o espao, de forma que, hoje em dia, habita lugares de climas bem diferentes, praticando as mais diversas atividades econmicas.
Em regies de clima frio, o inverno costuma ser rigoroso. Nesses lugares, as casas possuem sistema de aquecimento interno e as pessoas usam roupas pesadas quando saem s ruas para se proteger do frio intenso.
O ser humano descobriu tambm que determinados produtos desenvolvem-se melhor em climas frios e temperados, outros em climas quentes. Plantas tropicais, como  o exemplo do caf, tm boa produtividade em regies de clima quente. O Brasil  um grande produtor de caf, devido ao clima tropical que predomina na maior parte do pas. J culturas como o trigo, a aveia e a cevada tm alta produtividade em regies de clima subtropical e temperado.
A variao do clima pode influenciar o desenvolvimento de certos problemas de sade. No Brasil, o inverno, geralmente mais seco que o vero, pode fazer aumentar os casos de doenas respiratrias, como a bronquite.

O clima e as habitaes humanas

Em diversas partes do mundo, a influncia do clima pode ser observada nas paisagens humanizadas, por meio do estilo de construo das moradias. Leia o texto a seguir.

[...] Em regies de grande precipitao pluviomtrica, o telhado das moradias  relativamente inclinado para que a gua possa escorrer mais facilmente. J nas regies onde as chuvas so nulas ou muito escassas, a cobertura das casas  plana, pois sua principal serventia  a de proteger a parte interna das moradias do efeito da insolao. Por outro lado, nas reas de clima temperado frio, onde  comum a ocorrncia de nevascas, os telhados so ao mesmo tempo lisos e com grande grau de inclinao para evitar que a neve se acumule, provocando desabamento.
[...] Outra ilustrao da influncia do clima sobre a arquitetura aparece em reas de climas quentes e midos, de relevo relativamente plano, drenados por rios caudalosos. Nessas regies, onde so comuns as inundaes, as populaes ribeirinhas constroem casas sobre estacas, as chamadas palafitas, para se protegerem contra o transbordamento dos cursos fluviais. [...]

Casas com telhado bem inclinado para evitar o acmulo de neve, na Eslovquia, Europa.

Palafitas para enfrentar as cheias dos rios, no estado do Amazonas, Brasil. 

Nelson Bacic Olic. "Dinmica dos climas influencia habitaes". In: Mundo - Geografia e Poltica Internacional, ano 5, n. 6. So Paulo, Pangea, outubro/1997.

Atividades
Questes de compreenso

	1.	Observe os tipos de clima da Terra no mapa da pgina 128. Relacione a distribuio dos climas quentes e dos climas frios de acordo com as zonas trmicas do globo.
	2.	Existem grandes diferenas de temperatura entre as pores norte e sul do territrio brasileiro, principalmente no inverno. Em Fortaleza (CE), por exemplo, a temperatura mdia no ms de julho  de aproximadamente 26 C, enquanto em Florianpolis (SC), nesse mesmo perodo, a temperatura mdia chega apenas a 16 C. Por que isso ocorre?
	3.	James Glaisher foi um balonista que viveu na Inglaterra entre os sculos XIX e XX. Em suas inmeras viagens descobriu que, conforme o balo ganhava altitude, a temperatura do ar diminua. Explique a ocorrncia desse fenmeno.
	4.	Explique como as correntes martimas podem influenciar o clima de algumas regies da Terra.
	5.	Estabelea a relao entre a vegetao da floresta Amaznica e as abundantes chuvas que caem nessa regio.
	6.	Escolha, para cada tipo de clima que atua no Brasil, pelo menos quatro palavras-chave que os  caracterizem.

Pesquisa e elaborao de cartaz

O abrigo dos nmades do Saara

Na regio de Chenini*, junto ao deserto, a vida teve que se adaptar s duras condies climticas. Uma amostra disso so as gorfas, estranhas construes que no passado eram usadas como fortalezas e armazns pelos povos nmades. Erguidas a partir do sculo XVI com barro e madeira, as gorfas tm at quatro andares e muitas vezes so a nica referncia na paisagem. Para facilitar a armazenagem, estreitas escadas e roldanas permitiam o acesso  aos nveis mais altos. As gorfas tinham um paapel fundamental porque os nmades vagavam meses pelo deserto e demoravam muito tempo para voltar ao mesmo lugar. Por uma questo de sobrevivncia, as caravanas tinham de ter certeza de que conseguiriam comida quando voltassem. A soluo encontrada foram esses depsitos de barro, parecidos com jarras e espalhados estrategicamente pela regio. Sempre havia algum tomando conta das gorfas. Por isso, tambm eram fortalezas. Hoje em dia, elas esto vazias, algumas at abandonadas. Outras, porm, foram restauradas - e uma at virou um pequeno hotel na cidade de Ksar Hadada.

Andr Lahz. "Tunsia, as portas do Saara". In: Os Caminhos da Terra, ano 7, n. 7. So Paulo, Abril, julho/1998.


Rena-se com mais dois colegas e procurem textos (como o apresentado ao lado), fotografias ou ilustraes que mostrem a atuao do clima sobre as atividades do ser humano e as tcnicas utilizadas para enfrentar alguma peculiaridade climtica. Escolham algum clima em particular, como, por exemplo, o polar, o equatorial, o desrtico ou o temperado.
Elaborem um cartaz com as informaes recolhidas e exponham-no no mural da escola.

Observao e anlise do meio

Com a ajuda do professor, caracterize o clima do lugar onde voc mora, respondendo em seu caderno as seguintes questes:a

	1.	No lugar onde voc mora existem grandes diferenas nas condies climticas entre alguns perodos do ano?
	2.	Quais so os meses mais quentes do ano? E os mais frios?
	3.	Quais os meses mais chuvosos? E os mais secos?
	4.	Quais os meses em que venta mais?
	5.	Quais so as condies locais do tempo meteorolgico neste momento (o dia est ensolarado, nublado, chuvoso, frio, quente)? Tais condies atmosfricas condizem com o tipo de clima 
caracterstico deste lugar nesta poca do ano? Justifique sua resposta.


























































































Captulo 15

Poluio atmosfrica 
e clima

O lanamento de substncias estranhas  composio qumica da atmosfera - como poeira e gases txicos - pode tornar o ar imprprio aos seres vivos, inclusive aos seres humanos.
Nas cidades, a poluio do ar  causada pelo lanamento, na atmosfera, de gases txicos e outros resduos, liberados principalmente pelas chamins das fbricas, pelos escapamentos dos veculos e tambm pela queima de resduos domsticos e industriais em depsitos de lixo.
Na zona rural, a poluio do ar  causada, principalmente, pela emisso de agrotxicos, pulverizados nas lavouras por mquinas agrcolas e avies, e tambm pela queima de matas, pastagens e 
lavouras.  
O aumento da poluio atmosfrica tem gerado fenmenos danosos ao meio ambiente, como a chuva cida, o buraco na camada de oznio, o efeito estufa e a inverso trmica. Conhea melhor cada um desses fenmenos.

No lugar onde voc mora existem fontes poluidoras do ar? Quais? Que tipo de danos a poluio do ar pode causar  sade das pessoas?

Chuva cida

A chuva cida  formada principalmente pela queima de combustveis fsseis, como o petrleo e o carvo. Quando queimados nas indstrias e nos veculos automotores, esses combustveis liberam certos gases que reagem com o vapor de gua atmosfrico, formando substncias cidas, como o cido sulfrico e o cido ntrico. Esses cidos permanecem nas nuvens e posteriormente precipitam-se junto com as chuvas.
A chuva cida provoca alteraes na fauna e na flora do lugar onde ocorre. As guas dos mares, rios e lagos tornam-se cidas, matando peixes, algas e outros seres vivos. Nas florestas e lavouras, as plantas so queimadas pelos cidos e muitas delas morrem ou ficam enfraquecidas. Nas cidades, a chuva cida pode causar graves danos ao patrimnio histrico e cultural, corroendo monumentos e fachadas de prdios. 
No Brasil, h algumas dcadas, centros industriais como So Paulo, Rio de Janeiro e Cubato (SP), assim como algumas cidades da regio carbonfera* de Santa Catarina, vm apresentando aumento nos ndices de acidificao das chuvas devido  poluio do ar. Esses ndices tm se aproximado daqueles registrados nas regies industriais mais desenvolvidas da sia, Europa e Estados Unidos, onde os problemas causados pelas chuvas cidas so considerados muito graves.

Em pases europeus altamente industrializados, a chuva cida corri monumentos e prdios histricos, que acabam perdendo suas caractersticas originais.

regio carbonfera: rea que produz ou contm jazidas de carvo

Diminuio da camada de oznio

 O oznio  um dos gases mais raros existentes na atmosfera terrestre. A maior parte dele forma uma fina camada na estratosfera, a cerca de 22 quilmetros de altitude. A camada de oznio 
filtra os raios ultravioleta nocivos emitidos pelo Sol. 
No final da dcada de 1970, os cientistas descobriram que parte do oznio existente na estratosfera estava sendo destrudo. Foram detectadas vrias falhas ou "buracos" na camada de oznio, principalmente sobre o continente antrtico. A partir de ento essas falhas tm aumentado de tamanho, atingindo reas cada vez mais extensas da atmosfera terrestre.
Aps vrias pesquisas, chegou-se  concluso de que o principal causador da destruio da camada de oznio  um gs denominado clorofluorcarbono ou, na forma da sigla, CFC. Esse gs  muito utilizado na indstria para a fabricao de determinados produtos qumicos, como o isopor, e em aparelhos de refrigerao, como geladeiras e condicionadores de ar. Durante o funcionamento desses aparelhos, por exemplo, o CFC acaba escapando para a atmosfera, onde ataca as molculas de oznio, des-truindo-as.

Nessa imagem de satlite, de 1990, o "buraco" na camada de oznio sobre a Antrtida  representado pelas reas rosa e violeta. Esse "buraco" , na verdade, uma regio da atmosfera em que a concentrao de oznio  menor. 


A destruio da camada de oznio permite que os raios ultravioleta passem pela atmosfera sem serem filtrados. Esse fato traz vrias conseqncias prejudiciais ao ser humano, como problemas de sade (doenas visuais e de pele - inclusive cncer) e problemas econmicos (diminuio da produtividade das lavouras). A natureza tambm  afetada com a destruio dos plnctons (que so a principal fonte de alimentos dos ecossistemas marinhos), alm de possveis mudanas climticas em todo o planeta.

 melhor prevenir

Os raios solares so benficos  sade humana, em determinados horrios e em quantidades moderadas. A exposio ao Sol por longos perodos, principalmente com o aumento da incidncia dos raios 
ultravioleta (UV), em funo da diminuio da camada de oznio, pode ser nociva  nossa sade.
Para evitar os efeitos prejudiciais dos raios UV, alguns cuidados devem ser tomados: 

	evite a exposio prolongada ao Sol entre as 10 horas da manh e as 4 horas da tarde - principalmente ao meio-dia -quando a atuao dos raios UV  mais intensa;
	utilize culos com lentes apropriadas, que protegem os olhos da exposio aos raios solares;
	aplique protetor solar com F. P. S. (Fator de Proteo Solar) apropriado ao seu tipo de pele, pois ele evita a ocorrncia de queimaduras provocadas pelo Sol;
	use chapu ou bon com abas largas para proteger a cabea, os olhos, o rosto e o pescoo, que so mais sensveis ao Sol.
Exposies prolongadas ao Sol podem causar diferentes problemas de pele (como o envelhecimento precoce) e, at mesmo, o cncer de pele. Por isso, faa dos cuidados com o Sol um hbito.

Efeito estufa

Como sabemos, a maior parte da radiao solar que atinge o nosso planeta  absorvida pela sua superfcie. Essa radiao  transformada em calor, que aquece a atmosfera terrestre. Parte desse calor da atmosfera perde-se para o espao csmico. O restante do calor  bloqueado por uma camada de gases e poeira que o mantm na atmosfera, originando o efeito estufa.
O efeito estufa  um fenmeno natural que no permite que a atmosfera da Terra se resfrie de modo excessivo. Porm, estudos indicam que o efeito estufa tem se acentuado a partir do sculo XX devido  ao humana, que provoca a emisso exagerada de poluentes na atmosfera, sobretudo de gs carbnico. Esse gs provm da queima de combustveis de origem fssil, como a gasolina e o leo diesel. 
 Tambm colaboram para o aumento do gs carbnico na atmosfera, as queimadas realizadas nas florestas, como ocorre na Amaznia, nas pastagens e nas lavouras aps as colheitas.
Com o aumento de gases e poeira em suspenso na atmosfera, a temperatura mdia do ar poder aumentar ainda cerca de 2 C nas prximas dcadas. Esse fenmeno pode acarretar muitas transformaes na natureza e, conseqentemente, na sociedade humana, como:
	alteraes climticas, com regies frias tendo sua temperatura elevada e regies midas tornando se extremamente secas. Essas alteraes podem tambm fazer com que regies frteis e atualmente usadas para a lavoura tornem-se verdadeiros desertos;
	aumento no nmero de tempestades, furaces e tornados;
	extino de animais e plantas de diversos ecossistemas terrestres;
	derretimento de gelo nas regies polares, podendo causar uma elevao no nvel do mar.
As ilustraes abaixo mostram as diferenas entre o efeito estufa natural e o efeito estufa
artificial.

Como ocorre o efeito estufa

Efeito estufa natural

Na atmosfera terrestre existe uma grande quantidade de gases e de partculas de poeira que funciona como uma redoma natural (A). Essa redoma retm parte do calor refletido pela superfcie terrestre (B), mantendo a temperatura mdia da Terra em torno de 15 C. O restante do calor  irradiado para fora da atmosfera (C). Sem essa estufa natural a temperatura mdia do planeta ficaria em cerca de - 27 C.

Efeito estufa artificial

A excessiva quantidade de gases produzida pelas atividades humanas acumula-se na atmosfera (AI). Dessa forma, os raios solares penetram na atmosfera, aquecem a superfcie, mas so irradiados para o espao de forma reduzida (CI). Parte do calor que deveria ser liberado para o espao fica, ento, aprisionado (BI), intensificando o efeito estufa e aumentando a temperatura mdia do planeta.

Sabendo das causas que provocam o efeito estufa artificial, enumere algumas medidas que podem ser tomadas para combater esse problema ambiental. Verifique, junto com os demais colegas, como isso pode ser feito.

Inverso trmica

A inverso trmica ocorre quando uma camada de ar frio, posicionada sobre uma cidade,  repentinamente encoberta por uma camada de ar quente, que a aprisiona. Dessa forma, o ar frio fica parado, no havendo correntes de vento que dispersem os poluentes lanados pelas fbricas e pelos veculos, o que acaba intoxicando as pessoas. Esse fenmeno atmosfrico ocorre geralmente em dias frios de outono ou de inverno e seus efeitos so mais marcantes em grandes cidades industriais, como Los Angeles (EUA) e So Paulo.

Camada de ar frio
Camada de ar quente 

1	Em dias normais, os ventos dispersam os gases e a fuligem lanados pelas fbricas e pelos automveis. 
2	Com a inverso trmica, a poluio, ao invs de subir e ser levada pelo vento, permanece prxima  superfcie, gerando problemas de sade nos habitantes das grandes cidades.

Barbara W. Murck e outros. Environmental Geology. Nova York, John Wiley & Sons, 1996.


So Paulo e a inverso trmica

Durante o inverno, os nveis de poluio do ar na Grande So Paulo tendem a ser mais crticos. Nessa poca do ano, a escassez de ventos e a baixa umidade atmosfrica favorecem a ocorrncia da inverso trmica, tornando a qualidade do ar inadequada em vrias partes da cidade. Devido  calmaria dos ventos, o fenmeno da inverso trmica ocorre abaixo de 200 metros de altura, funcionando como um enorme tampo de ar quente que dificulta a disperso dos poluentes.
Quanto mais prxima do solo ocorrer a inverso trmica, pior, pois os poluentes ficam concentrados mais prximos da superfcie. Os especialistas alertam que a 100 metros de altura a inverso trmica j  muito perigosa. Os principais efeitos desse fenmeno na sade da populao so dores de cabea, coceira na garganta e irritao nos olhos, problemas que ocorrem principalmente nas pessoas mais sensveis  poluio, como as crianas, por exemplo.


A camada de poluio do ar sobre a cidade de So Paulo fica mais evidente quando ocorre o fenmeno da inverso trmica.

Como reduzir a poluio do ar

O ar  um dos recursos mais importantes do nosso planeta, e sua poluio pode trazer, em muitos lugares, graves danos, tanto ao meio ambiente quanto aos seres humanos. O combate  poluio atmosfrica deve ser tratado com seriedade pela sociedade atual. Existem vrias medidas que podem ser tomadas para diminuir a poluio do ar no campo e nas cidades. 
Algumas dessas medidas so:
 	o controle de queimadas em lavouras, pastagens e florestas, e a substituio de produtos qumicos usados como defensivos agrcolas por tcnicas de controle biolgico;
	preservao e recuperao de florestas e outras reas de vegetao natural;
	a criao de um sistema de transporte coletivo eficiente que permita um menor nmero de veculos particulares circulando nas ruas, assim como a instalao de catalisadores* nos veculos e de filtros nas fbricas para impedir o lanamento de fuligem e gases txicos na atmosfera;
	a ampliao de reas verdes nas cidades, com a criao de mais parques, bosques, praas, alm da arborizao de ruas e avenidas.

O plantio de rvores nos grandes centros urbanos pode colaborar para a diminuio do excesso de gs carbnico na atmosfera.

O transporte coletivo deve ser priorizado pelo poder pblico; se um nmero maior de pessoas utiliz-lo, o trfego de carros particulares ser menor e, conseqentemente, a poluio do ar diminuir.

Movido a gs

A inveno do carro e do nibus permitiu que as pessoas fossem mais rapidamente de um lugar para o outro. Mas criou um problema: a poluio. Os combustveis mais usados hoje (o lcool, a gasolina e o 
diesel) tm impurezas que so lanadas no ar pelo motor, trazendo srios danos ao ambiente. Por isso, os pesquisadores procuram desenvolver novos combustveis.
Uma alternativa que surge  o gs natural, que  menos poluente que os demais combustveis. Atualmente, ele  usado nas indstrias, nas lojas, nas casas  (por exemplo, para aquecer a gua e cozinhar os alimentos) e nas termoeltricas (para produo de eletricidade). E at nos transportes: j andam pelas ruas do Rio de Janeiro e de So Paulo os primeiros nibus e txis movidos a gs.
E o melhor da histria  que a experincia tem dado certo! Os pesquisadores observaram que esses veculos a gs lanam no ar quantidades menores de substncias poluentes que os outros automveis.
Outra vantagem em usar o gs  que, como  mais puro que os combustveis comuns, ele agride menos o motor dos automveis, o que aumenta a sua vida til e reduz os custos de manuteno e o consumo de leos lubrificantes.
O gs natural  uma mistura de hidrocarbonetos (composto formado de carbono e hidrognio), contendo pequenas quantidades de outras substncias. Ele pode ser encontrado em reservatrios debaixo da terra.
No Brasil, existem grandes quantidades de gs natural: acredita-se que haja no momento cerca de 150 bilhes de metros cbicos dessa substncia no pas, o que equivale a cerca de 60 milhes de piscinas olmpicas.
Mas  preciso investir muito dinheiro para montar uma indstria de gs natural, tanto na parte de explorao e produo quanto na de transporte, armazenagem e produo. Por isso, para que o gs seja bastante usado,  preciso que os governantes criem leis, regulamentos e normas que favoream o uso desse gs nos diversos segmentos de consumo.

Manoel Gonalves Rodrigues. In: Cincia Hoje das Crianas, ano 8, n. 55. Rio de Janeiro, SBPC, janeiro, fevereiro/1996.

Atividades

Questes de compreenso

	1.	Escreva, com suas palavras, qual  a idia principal do captulo. 
	2.	Explique como ocorre a chuva cida e discuta com seus colegas algumas aes que evitariam esse problema.
	3.	Imagine que, no supermercado, um consumidor distrado escolha um spray que contenha gs CFC. Que argumentos voc usaria para convenc-lo a levar um produto livre desse gs?
	4.	O efeito estufa  um fenmeno provocado apenas pelas atividades humanas? Explique.
	5.	A sujeira e a fumaa esto conseguindo o impossvel: pssaros morrendo por falta de ar, peixes morrendo de sede no mar.

Ulisses Tavares

		O que a frase acima quer dizer no trecho "pssaros morrendo por falta de ar"?
	6.	"Qual a melhor soluo para diminuir a poluio do ar?" Se lhe fosse feita essa pergunta em uma pesquisa de opinio pblica, que resposta voc daria?

Campanha e elaborao de texto

Anunciante: Secretaria do Governo e Gesto Estratgica/Agncia DPZ

A campanha publicitria ao lado tem como objetivo incentivar a populao da cidade de So Paulo e das cidades vizinhas a respeitar a operao rodzio, que consiste na no-circulao de alguns carros em determinados dias da semana, de acordo com o nmero final de suas placas. Assim, diminui-se o nmero de carros nas ruas e, conseqentemente, a poluio do ar que eles provocam.

22o Anurio do Clube de Criao. So Paulo, CCSP, 1997.

Lancem vocs tambm uma campanha contra a poluio do ar. Para isso, dividam-se em grupos de, no mximo, trs alunos e definam qual assunto deve ser abordado com maior destaque em sua campanha, dentro do tema sugerido.
Produzam um texto e ilustrem-no com fotografias ou desenhos. Em seguida, montem cartazes.
Vocs podem tratar, por exemplo, da poluio causada pela emisso de gases txicos pelas 
indstrias, da poluio provocada pela queima de florestas ou da destruio da camada de oznio pelo uso de produtos com gs CFC. Na elaborao dessa campanha, vocs podem pensar em um 
pblico-alvo a ser atingido, como os donos das indstrias, os agricultores ou os polticos que 
devem estabelecer leis mais eficazes contra a poluio do ar.
Procurem planejar qual ser a inteno dessa campanha: alertar, conscientizar, incentivar, etc.  importante lembrar que o texto da campanha ser lido por vrias pessoas e que, portanto, a linguagem deve ser clara e objetiva. Alm disso, quanto mais original e criativo for o texto, mais ateno dos leitores ele atrair.
Antes de concluir sua produo, releiam vrias vezes o texto e peam para que outros colegas faam o mesmo, sugerindo melhorias para ele.
Exponham os trabalhos no mural da escola ou peam permisso  diretoria da escola para divulgar a campanha de sala em sala.

UNIDADE VI

 Natureza e sociedade

Vista do espao, a milhares de quilmetros de distncia, a Terra se 
assemelha a uma grande bola azul. Porm, quando observada mais de perto, percebemos que em sua superfcie existem milhares de paisagens diferentes. So lugares marcados pela presena da natureza, como as grandes montanhas, os desertos, as florestas, os oceanos e tambm pela presena humana, com grandes e pequenas cidades, indstrias, casas e edifcios, alm de estradas, plantaes e pastagens para a criao de animais.

Na paisagem acima podemos reconhecer as presenas da natureza e da sociedade, marcadas, respectivamente, pela densa vegetao de Mata Atlntica no Parque Estadual da Cantareira (em primeiro plano) e pela imponente metrpole de So Paulo (ao fundo).

Como foi visto at este momento, os seres humanos tm transformado de diversas maneiras a natureza de nosso planeta. Conte para os seus colegas quais dessas transformaes mais tm lhe chamado a ateno.

Captulo 16

As paisagens e 
a sociedade humana

As paisagens esto sempre se modificando, o que deve estar ocorrendo tambm com a paisagem do lugar onde voc mora. Como era h dez anos o lugar onde est localizada a sua escola? E h cem anos? Ou ento, h milhares de anos? O que teria mudado? Converse com seus colegas a respeito disso.

A biosfera e as paisagens da Terra

A interao entre as camadas gasosa, lquida e rochosa da Terra, aliada  energia solar, proporciona as condies necessrias  existncia da biosfera.
Na realidade, a biosfera, que  a poro do planeta que permite o desenvolvimento da vida, est compreendida em uma estreita faixa que se estende desde aproximadamente 8 000 metros de altitude, na atmosfera, at cerca de 10 000 metros de profundidade nos oceanos, na hidrosfera. Na litosfera, a vida pode ser encontrada no solo e em algumas camadas de rochas abaixo da superfcie.
 nessa fina poro de gua, ar e terra que envolve o nosso planeta que esto localizadas as paisagens terrestres.
Em uma paisagem pode-se observar diversos elementos naturais, como rvores, rios e morros, e elementos criados pelos seres humanos, como edifcios, plantaes e estradas. Nas paisagens tambm est registrada a histria dos lugares. Nelas podemos perceber como ocorreram as transformaes dos elementos da natureza e daqueles construdos pela sociedade com o passar do tempo.
Uma paisagem apresenta-se como a expresso visvel dos elementos existentes em um lugar qualquer do espao terrestre.
Em nosso planeta existem paisagens em que predominam os elementos da natureza, denominadas paisagens naturais, e outras em que predominam os elementos construdos ou transformados pelo ser humano, denominadas paisagens humanizadas.

Biosfera

Atmosfera

Paisagem

Litosfera

Hidrosfera

As paisagens terrestres esto inscritas na biosfera, essa fina camada onde  possvel a existncia de vida em nosso planeta.

Paisagem natural

Paisagem natural  aquela composta por diversos elementos da natureza, ou seja, por elementos fsicos (solos, rios, relevo, etc.) e por seres vivos. Esses elementos, que podem ser observados em um determinado lugar, esto todos interligados, exercendo influncia uns sobre os outros.
As espcies animais e vegetais de um lugar, por exemplo, so adaptadas ao clima, ou mesmo ao tipo de solo ali encontrado. A quantidade e a variedade de rios de uma regio dependem do clima (mais seco ou mais mido) e do relevo (plano ou acidentado) predominante. O clima de um lugar pode ser determinado pela altitude de seu relevo. Em regies montanhosas, por exemplo, quanto maior a altitude, menor  a temperatura do ar atmosfrico.
Dessa forma, os elementos da natureza combinam-se uns com os outros, produzindo paisagens diferentes.

	As regies ridas e semi-ridas do planeta compem paisagens nicas. A escassez de gua nesses lugares limita o desenvolvimento de um nmero variado de formas de vida. No entanto, isso no impediu que diversas espcies de seres vivos tenham se adaptado a esses ambientes.

Na plancie do Pantanal, os rios so abundantes e, em sua maior parte, lentos e bem largos, devido  alta pluviosidade e ao relevo plano da regio. A elevada umidade  uma das condies que permitem a existncia de uma exuberante vegetao.

Os picos mais elevados da Amrica do Sul esto localizados na cordilheira dos Andes. Eles permanecem constantemente cobertos por neve, devido s baixas temperaturas encontradas nessas altitudes, que chegam a mais de 6 000 metros. A presena constante de gelo e a grande altitude limitam a existncia de muitos seres vivos.

Paisagem humanizada

Os elementos criados pela ao humana, como edifcios, casas, ruas, estradas, viadutos e plantaes, caracterizam as diversas paisagens humanizadas existentes em nosso planeta. Em uma paisagem humanizada tambm podemos observar elementos naturais, como lagos, rios, morros e matas. Esses elementos, no entanto, j foram alterados pela humanidade.
Na realidade, torna-se cada vez mais difcil encontrarmos paisagens que contenham elementos da natureza intocados, pois so poucos os lugares da Terra que ainda no sofreram a interferncia humana de maneira direta.
As paisagens naturais do planeta sofreram muitas transformaes no decorrer da histria da humanidade. Elas foram sendo modificadas  medida que as sociedades passaram a utilizar os recursos fornecidos pela natureza para desenvolver suas atividades. Dessa forma, os seres humanos conseguiram sobreviver e se adaptar s condies dos diversos ambientes existentes na superfcie terrestre. Esse espao, constantemente modificado pela interferncia das atividades humanas,  denominado espao geogrfico.

A humanizao da paisagem

Desde o seu surgimento, o ser humano tem modificado os elementos naturais presentes na superfcie terrestre. At cerca de dois sculos atrs, essas interferncias eram pouco significativas, pois estavam relacionadas, basicamente, com a ocupao de determinadas reas para as atividades agrcolas e pastoris. Com o desenvolvimento da atividade industrial e o crescimento populacional em todo o mundo, as transformaes promovidas na natureza pela humanidade tornaram-se mais intensas. Observe as ilustraes ao lado, que apresentam, de modo esquemtico, esse processo.

Aps ter observado com ateno as imagens desta pgina, descreva as transformaes ocorridas na paisagem representada. Agora, descreva algumas transformaes do espao geogrfico que voc j presenciou.

A transformao das paisagens naturais: 
o caso da vegetao brasileira

A vegetao pode ser um dos elementos que mais se destacam em uma paisagem natural. A combinao entre outros elementos, como relevo, rede hidrogrfica, solos e, sobretudo, clima, contribui para que se desenvolva na superfcie terrestre uma grande diversidade de formaes vegetais.
No Brasil so encontrados oito tipos principais de vegetao natural ou nativa. So eles: floresta Amaznica, floresta Tropical, Mata de Araucrias, Cerrado, Caatinga, Campos, vegetao do Pantanal e vegetao litornea.
Essas formaes vegetais vm sofrendo, h sculos, muitas alteraes por parte da sociedade brasileira. 
De maneira geral, as formaes vegetais mais alteradas localizam-se nas regies mais povoadas do pas - como no Sul, Sudeste e Nordeste - onde, na maioria das vezes, elas foram transformadas em reas de lavoura, pastagem ou em cidades. As regies Centro-Oeste e Norte so ainda as mais preservadas; porm, o ritmo de desmatamento nessas partes do pas tem sido intenso nas ltimas dcadas.

Floresta Amaznica: apresenta densa vegetao devido, sobretudo, ao clima quente e mido da regio. Abriga uma das maiores variedades de plantas e animais do planeta. A floresta vem sendo devastada em razo do avano das propriedades agropecurias, das madeireiras e dos garimpos. Anualmente, perdem-se cerca de 13 000 km2 de floresta.

Vegetao natural e reas alteradas no Brasil

Floresta Amaznica
Floresta Tropical
Mata de Araucrias
Cerrado
Caatinga
Pantanal
Vegetao litornea
Campos
reas alteradas

Adaptado de Aroldo de Azevedo. Brasil: a terra e o homem, v.1. So Paulo, Nacional, 1964. Anurio Estatstico do Brasil. IBGE, Rio de Janeiro, 1999.


Floresta Tropical:  uma floresta que possui rvores altas, onde predominam tambm plantas areas, palmeiras e samambaias. Sua poro localizada prxima ao litoral  influenciada por ventos midos vindos do oceano. Nessa regio ela recebe o nome de Mata Atlntica. A floresta Tropical sofreu grandes desmatamentos desde o incio da colonizao do Brasil, no sculo XVI, at os dias atuais. Resta menos de 10% de sua rea original.

Vegetao litornea: composta por formaes bastante variadas em que so encontrados arbustos nas partes mais midas (como nos manguezais - veja ilustrao abaixo - e nas restingas), alm de gramneas e outras plantas rasteiras nas partes mais secas (como nas praias e dunas).  uma das vegetaes mais alteradas do Brasil, por localizar-se nas regies mais povoadas.

Caatinga: vegetao adaptada ao clima semi-rido, tpico da regio por onde se estende. Ali predominam arbustos, que perdem as folhas no perodo da seca, e cactos, que retm umidade em seus caules e que possuem muitos espinhos, para evitar a perda de gua pela transpirao. A Caatinga vem sendo alterada com a introduo da prtica da agricultura e da pecuria extensiva.

Campos: vegetao rasteira com predomnio de gramneas, que atingem entre 10 e 50 centmetros de altura e constituem uma excelente pastagem natural para o gado. Essas reas encontram-se bastante alteradas devido, sobretudo,  criao extensiva de gado e ao cultivo de soja, trigo e arroz.

Mata de Araucrias: formada principalmente por araucrias ou pinheiros-do-paran, rvores de grande porte que se desenvolvem muito bem nas reas com maiores altitudes e de temperaturas mais frias. Essa formao vegetal foi quase toda derrubada com a explorao de madeira para atividades como a fabricao de mveis.

Vegetao do Pantanal:  uma formao vegetal composta por espcies muito variadas, com caractersticas de floresta Tropical, Cerrado, Campos e at mesmo da Caatinga. A maior parte dessa vegetao ainda encontra-se preservada; porm, o desmatamento e o avano de lavouras, principalmente de soja, j ameaam o equilbrio de algumas reas.

Cerrado:  formado basicamente por arbustos distribudos de forma esparsa que, em geral, possuem troncos e galhos retorcidos e casca grossa. O solo  recoberto por gramneas e outras plantas rasteiras. As reas do Cerrado vm tendo sua vegetao substituda por pastagens e lavouras, o que tem alterado profundamente as condies naturais da regio.

As paisagens rural e urbana

Os seres humanos organizam de maneiras diferentes os lugares que habitam. Nas paisagens humanizadas do planeta, essas diferenas revelam-se pela disposio das estradas, cidades, reas agrcolas e reservas florestais, entre outros elementos que existem em um determinado territrio. Tais elementos do origem, basicamente, a dois tipos de paisagens humanizadas distintas: a paisagem rural e a paisagem urbana.

Paisagem rural


Na paisagem rural predominam elementos como as plantaes de cereais, hortalias e frutas, as criaes de gado bovino e aves ou, ainda, as reas de reflorestamento*. Em conjunto com esses elementos, as casas, celeiros e currais compem chcaras, stios ou fazendas. Nas paisagens rurais tambm podem ser visualizadas reas de matas ou florestas, entre outros tipos de formao vegetal, que so utilizadas para a extrao de determinados recursos, como ervas, frutos e madeiras, ou so mantidas como reas de preservao.
As paisagens rurais variam de acordo com aspectos fsicos (tipos de solo, relevo e clima), culturais (tcnicas de cultivo e de criao utilizadas, tipos de habitao, entre outros) e econmicos (tipos de lavoura, de criao ou de atividade extrativa predominante).
Outra caracterstica importante  que uma mesma paisagem rural pode sofrer mudanas no decorrer do tempo, de acordo, por exemplo, com o plantio de tipos diferentes de lavoura que se alternam durante o ano.

Observe a paisagem rural mostrada na fotografia abaixo. Quais so os aspectos naturais e humanos que mais se destacam? Que tipo de atividade econmica  desenvolvida neste local? Voc conhece alguma paisagem semelhante a esta?

reflorestamento: plantio ou replantio de rvores em substituio quelas que foram retiradas de uma floresta

Paisagem urbana

Na paisagem urbana predominam elementos como ruas, avenidas, praas, casas e edifcios. O conjunto desses elementos, agrupados e prximos uns dos outros, forma povoados, vilas ou cidades.
Diferentemente da rea rural, onde os habitantes, em geral, encontram-se dispersos, a cidade apresenta-se como uma aglomerao populacional que pode abrigar desde algumas centenas de pessoas at dezenas de milhes de habitantes.  nas cidades que se desenvolvem, em geral, as atividades de transformao das matrias-primas produzidas no campo e  a partir das cidades que so distribudos os produtos industrializados. O comrcio e a prestao de servios tambm caracterizam-se como atividades econmicas tpicas do espao urbano. Quanto maior for uma cidade, maior ser a quantidade de pessoas e de veculos circulando em suas ruas e avenidas, e mais diversificadas sero as atividades desenvolvidas nesse espao.
Observe as imagens abaixo.

Taquaritinga do Norte (PE)

Blumenau (SC)

Belo Horizonte  (MG)

As fotografias desta pgina mostram trs cidades brasileiras. Aps t-las observado com cuidado, responda: quais so as caractersticas que tornam essas paisagens diferentes entre si? As caractersticas da sua cidade (ou da cidade mais prxima de onde voc mora) assemelham-se s de algumas delas? Converse com seus colegas a respeito disso.

As vrias paisagens de uma grande cidade

Um grande centro urbano pode possuir paisagens variadas:
	algumas so marcadas pela atividade econmica, como  o caso dos bairros comerciais e financeiros ou das zonas industriais; existem tambm os espaos estritamente residenciais;
	h paisagens que podem mostrar como determinado centro urbano transformou-se e expandiu-se com o passar do tempo, como nos contrastes entre os bairros histricos e os bairros recentes;
	h, ainda, as paisagens que revelam as desigualdades sociais existentes entre a populao que habita uma mesma cidade.

As paisagens mostradas a seguir revelam algumas das vrias faces da cidade do Recife. Identifique nelas cada uma das caractersticas mencionadas no texto principal, destacando aquilo que voc considerou mais marcante. E a sua cidade, tambm possui paisagens internas diferentes? Explique para sua turma.

Atividades

Questes de compreenso

	1.	"Grande parte dos solos da Amaznia so pouco frteis, porm a floresta se sustenta atravs da decomposio de galhos, folhas, flores, frutos e animais mortos, realizada por fungos e bactrias que agem rapidamente em funo das condies quentes e midas do clima local." Comente a interligao dos elementos naturais que compem a paisagem caracterizada na descrio acima.
	2.	O que diferencia uma paisagem natural de uma paisagem humanizada?
	3.	Quais so os tipos de vegetao natural que originalmente pertencem ao seu estado? Elas encontram-se alteradas pela ao humana? De que maneira?
	4.	As paisagens rurais podem sofrer modificaes durante as pocas do ano. Imagine e desenhe uma paisagem rural em dois momentos diferentes, em que sejam destacadas algumas mudanas. Essas mudanas podem estar ligadas, por exemplo, ao tipo de cultura plantada, s estaes do ano, etc.
	5.	Muitas vezes as cidades recebem denominaes, ou "apelidos", que marcam algumas de suas peculiaridades.  Alguns desses apelidos so famosos, como o da cidade do Rio de Janeiro (RJ), chamada "Cidade Maravilhosa"; Foz do Iguau (PR), "Terra das Cataratas"; e Paris (Frana), "Cidade Luz". A cidade em que voc vive, ou a cidade mais prxima de onde voc mora, possui alguma denominao desse tipo? Qual? Voc sabe por que ela tem esse apelido? Se no possui, crie uma denominao que caracterize a particularidade que voc considere mais importante ou de que mais goste. Troque idias com seus colegas.

Anlise de histria em quadrinhos

		Leia a histria em quadrinhos a seguir:

Maurcio de Sousa. "Horcio". In: Glria Pond (coord.). Brasil em cantos e versos: natureza. So Paulo, Melhoramentos, 1992.

	1.	Destaque a(s) frase(s) do texto em que Horcio se refere :
a) biosfera	b) hidrosfera	c) atmosfera
	2.	Imagine as diferentes paisagens que o personagem relata. Desenhe-as em seu caderno a partir do ponto de vista dele, de cima da montanha.
	3.	Horcio observa paisagens naturais ou humanizadas? Justifique sua resposta. 

Leitura

Parque Nacional do Iguau - a ltima floresta

Corria o ano de 1949 quando Antonio Stenghel Cavalcanti comeou a fazer a rota Curitiba-Foz do Iguau pilotando um Cessna 170. Naquela poca, o grande temor do jovem piloto era sofrer uma pane quando estivesse sobrevoando a regio. "Numa emergncia, eu no teria onde pousar e, sem conseguir chegar ao solo, ficaria preso nas copas das rvores", relembra o ex-comandante aviador, que  um dos pilotos profissionais em atividade mais antigos do Brasil. Mas, a cada viagem, o medo era sempre superado pelo encantamento com a exuberncia da floresta. Segundo Stenghel, era possvel voar por aproximadamente duas horas sem avistar uma s casa, uma s clareira, uma s estrada, tendo apenas a mata fechada como cenrio. "Primeiro a gente via um mar de pinheiros que parecia no ter fim, depois vinha o outro tipo de floresta, com rvores diversas, formando uma paisagem que jamais esquecerei", conta, emocionado.
Em menos de 50 anos a regio foi alterada de forma assustadora. A colonizao do sudoeste e oeste do Paran, associada  ao dos madeireiros, colocou quase toda a floresta no cho. O que restou foi a rea protegida pelo Parque Nacional do Iguau, um tesouro da biodiversidade com seus 170 mil hectares. Junto com seu vizinho argentino, o Parque Nacional del Iguaz, que possui 55 mil hectares, o parque abriga a ltima reserva intocada de floresta pluvial subtropical de toda a Amrica Latina, sendo a maior rea protegida brasileira fora da regio amaznica. O lado brasileiro foi reconhecido pela Unesco, em 1986, como Patrimnio Natural da Humanidade. At o momento,  a nica rea natural brasileira a receber este status. [...]
Do menor inseto ao maior felino, todos encontram abrigo na floresta que, graas ao Parque, viu preservados seus delicados ecossistemas e o equilbrio da cadeia alimentar. O Parque tambm guarda em seus domnios aquele que  o nico rio relativamente extenso - mais de 80 quilmetros de curso - totalmente preservado do Paran. O rio Floriano mantm-se intacto porque nasce e morre (desgua) dentro dos limites protegidos. Pelo fato de no ser diretamente impactado pelo desmatamento, eroso, atividade agrcola e poluio resultantes de atividades industriais e esgotos urbanos, o rio Floriano serve para estudos de monitoramento e avaliao do impacto dessas atividades sobre os recursos hdricos e qualidade da gua. [...]
At a dcada de 60, ainda no havia clara distino entre o que era a rea do Parque Nacional e o seu entorno. Entretanto, o intenso processo de desmatamento que aconteceu na regio a partir dos anos 70 alterou totalmente este quadro, isolando completamente o Parque. [...]
Na escala humana, uma dcada  um longo perodo. Para a proteo da natureza, em que o tempo humano s  importante como escala da rapidez da devastao, este tempo significa muito pouco. Na natureza as escalas de tempo so geolgicas, e o grande desafio  conseguir que o imediatismo humano no comprometa sua funo. A maior rea preservada do Centro-Sul do Brasil exerce um papel cada vez mais vital, e ainda tem muito a nos ensinar.

Maria Celeste Corra e  Srgio Brant Rocha. "A ltima floresta". In: Horizonte Geogrfico, ano 10, n. 52. So Paulo, Audichromo, julho, agosto/1997.

Mais conhecido pelas cataratas existentes em seu domnio, o Parque Nacional do Iguau  o que restou de uma rea intensamente devastada.

Captulo 17

As atividades econmicas

No captulo anterior, vimos que o principal agente das transformaes das paisagens naturais em paisagens humanizadas e, assim, do prprio espao geogrfico, tm sido as atividades econmicas desenvolvidas pela nossa sociedade. Algumas dessas atividades alteram intensamente as paisagens, como a agricultura, a pecuria e a indstria. O comrcio e a prestao de servios tambm influenciam essas transformaes.
Todas essas atividades econmicas esto agrupadas em trs setores distintos.
O setor primrio rene as atividades relacionadas diretamente  explorao dos recursos naturais e  produo de matrias-primas. So elas: a agricultura, a pecuria e as atividades extrativas. 
O setor secundrio engloba as atividades ligadas  transformao dos recursos naturais e das matrias-primas em bens e produtos industrializados. A indstria e a construo civil so, portanto, atividades desse setor.
O setor tercirio rene as atividades do comrcio (compra e venda de produtos) e da prestao de servios (servios pblicos e particulares, e a distribuio e circulao de mercadorias).

Quais so as atividades econmicas que mais se destacam em seu municpio? A que setor pertencem? Essas atividades geram muitos empregos para sua comunidade?

O trabalho e as atividades econmicas

Atualmente, as pessoas trabalham nos mais diferentes lugares, como lojas, hospitais, fbricas, fazendas, escolas, bancos e escritrios, exercendo as  mais variadas profisses. Em um hospital encontramos, por exemplo, mdicos, enfermeiros, atendentes, cozinheiros, faxineiros, auxiliares de escritrio, secretrios, assistentes sociais e psiclogos. Esse  apenas um exemplo de como o trabalho na sociedade atual tornou-se especializado, com cada trabalhador exercendo uma funo especfica.
Dessa forma  possvel concluir que todo ser humano depende, direta ou indiretamente, do trabalho de outras pessoas para que possa viver. No importa o cargo, a funo ou a profisso que uma pessoa exera, certamente o seu trabalho possui um papel importante no desenvolvimento de alguma, ou mesmo de vrias atividades econmicas.

O trabalho estabelece um conjunto de relaes entre os seres humanos e entre os lugares. Observe a seqncia de cenas abaixo e relate, a seu modo, o que elas apresentam.

A interdependncia entre o campo e as cidades

As atividades econmicas desenvolvem-se em espaos distintos, no campo e nas cidades, de acordo com o setor a que pertencem. As atividades do setor primrio (agricultura, pecuria e extrativismo) desenvolvem-se predominantemente no espao rural. J aquelas ligadas ao setor secundrio (indstria) e ao tercirio (comrcio e prestao de servios) ocorrem, sobretudo, no espao urbano. No entanto, todas essas atividades estabelecem estreitas relaes de dependncia entre si. As indstrias e o comrcio nas cidades necessitam, por exemplo, da energia gerada pelas usinas hidreltricas, assim como dos alimentos e das matrias-primas produzidas no campo, para transform-los e distribu-los  populao e a outros ramos de atividade. Por outro lado, as atividades agropecurias e extrativas dependem dos produtos industrializados (mquinas, fertilizantes, vacinas), assim como dos estabelecimentos comerciais e de servios (lojas de peas e implementos agrcolas, bancos, institutos de pesquisa) localizados nas cidades.
Assim,  possvel afirmar que o campo e as cidades estabelecem uma forte relao de interdependncia. 
Neste captulo, conheceremos melhor as principais atividades econmicas desenvolvidas pela sociedade nesses espaos, ou seja, no espao rural e no espao urbano.
Observe detalhadamente a ilustrao a seguir.

Produtos industrializados

Alimentos a granel

Matrias-primas

Energia eltrica

Agricultura

As imagens abaixo apresentam diversos aspectos relacionados  atividade agrcola, como a gerao de empregos no campo e o fornecimento de matrias-primas para a indstria. Converse com seus colegas sobre esses aspectos e procure perceber nas fotografias como a agricultura est ligada a outras atividades, como o comrcio, a indstria e o transporte.

1	Trabalhador em colheita de cana-de-acar.
2	Banca de frutas para venda direta ao consumidor.
3	Operrios de agroindstria de suco de laranja concentrado. 
4	Embarque de soja, em navio graneleiro, para exportao.

A atividade econmica que desenvolve o cultivo de plantas, comestveis ou no, denomina-se agricultura. Essa atividade destina-se, sobretudo,  comercializao das matrias-primas e dos alimentos produzidos (agricultura comercial) e ao sustento de quem produz, ou seja, dos prprios agricultores (agricultura de subsistncia).
A atividade agrcola possui uma grande importncia econmica e social para o Brasil. Como foi visto, alguns dos fatores que do a ela um papel de destaque so:
	produo de alimentos bsicos, como arroz, feijo, milho, trigo, batata e mandioca;
	oferta de empregos para o mercado de trabalho (a agricultura emprega atualmente cerca de 5 milhes de trabalhadores);
	fornecimento de matrias-primas indispensveis s indstrias para a fabricao de alimentos e de produtos, como fios para tecidos, leos vegetais e combustveis (lcool);
	gerao de riquezas para o Brasil, atravs da exportao de produtos agrcolas, como caf, soja, laranja e seus derivados. A venda de produtos agrcolas para o exterior representa boa parte do valor total da exportao nacional.

Produo agrcola brasileira

Anualmente, no Brasil, so colhidas centenas de milhes de toneladas de produtos agrcolas, sendo os principais: caf, soja, milho, arroz, feijo, mandioca, cana-de-acar e laranja. O pas tambm  um grande produtor mundial de cacau, algodo, fumo, tomate e banana.
Essa significativa produo agrcola est ligada a diversos fatores como: a grande extenso territorial do pas; a fertilidade adequada de boa parte de suas terras; o clima favorvel na maior parte do pas; e, nas ltimas dcadas, a expanso da agricultura moderna, que tem proporcionado um sensvel aumento da produtividade das lavouras.

Principais estados produtores agrcolas 
(1994 - 1995)

		1o	2o	3o	4o	5o
	Cana-de-aacar	SP	AL	PR	MG	PE
	Caf	MG	ES	SP	PR	RO
	Feijo	BA	PR	MG	SP	SC
	Milho	PR	MG	RS	GO	SC
	Soja	MT	PR	RS	GO	BA
	Mandioca	BA	PA	PR	RS	AM
	Laranja	SP	BA	SE	MG	RS
	Arroz	RS	MT	SC	MA	PA

Produo Agrcola Municipal. IBGE, 2000.

Compare as duas paisagens rurais apresentadas abaixo. Quais so as semelhanas entre as atividades desenvolvidas em cada uma delas? E as diferenas? 

Em diversas regies do Brasil ainda se desenvolve a agricultura tradicional, ou seja, sem o emprego de mquinas e com o uso de tcnicas rudimentares, como a colheita e a semeadura feitas de maneira manual ou com trao animal. Recorre-se, tambm, s queimadas. O resultado dessas prticas , muitas vezes, uma lavoura com baixa produtividade. 

Nas ltimas dcadas, nota-se uma expanso da agricultura moderna no pas, com o aumento do nmero de propriedades que se utilizam de mquinas e implementos agrcolas e de adubos, fertilizantes e sementes selecionadas, sobretudo nas grandes fazendas. Essas mudanas tm resultado em uma crescente produtividade das lavouras.

Criao de animais

A atividade de criao e reproduo de animais para fins comerciais, industriais ou para subsistncia denomina-se pecuria. Assim como a agricultura, a pecuria possui grande importncia econmica, pois fornece alimentos (carne, leite, ovos) e matrias-primas para as indstrias de laticnios, de fiao, de vesturio e de calados, entre outras.
O Brasil  um dos maiores criadores de gado do mundo. Os principais rebanhos brasileiros so os de bovinos, sunos, ovinos, caprinos e eqinos. O pas tambm se destaca como o quarto criador mundial de aves. Elas so criadas em todo o territrio nacional, sobressaindo-se as criaes de frangos e galinhas nos estados da regio Sul e em So Paulo e Minas Gerais, na regio Sudeste.

Pesquisa Pecuria Municipal. IBGE, 2000.

A bovinocultura (criao de bois e vacas)  a atividade de maior importncia na pecuria brasileira. A criao de bovinos  realizada basicamente de forma extensiva: o gado  criado solto em grandes reas, alimentando-se de pastagens, com a finalidade do abate para corte, isto , para a produo de carne e couro. J a criao de forma intensiva mostra-se ainda pouco desenvolvida no pas. Nela, o gado permanece confinado em estbulos, onde recebe tratamentos especiais com 
vacinas, remdios e alimentao balanceada. No Brasil, esse tipo de criao destina-se, geralmente,  produo de leite e seus derivados.

Criao extensiva

Criao intensiva

Apesar do rebanho numeroso, a pecuria bovina nacional ainda apresenta uma produtividade baixa em relao aos pases que desenvolvem uma pecuria intensiva, como a Frana e a Alemanha, ou mesmo em comparao  Argentina e ao Uruguai, pases vizinhos do Brasil.

 Extrao de recursos naturais

A atividade extrativa consiste em retirar ou extrair recursos em sua forma original, diretamente da natureza. Divide-se em trs tipos: vegetal, animal e mineral.
A atividade extrativa vegetal consiste na coleta de produtos como seivas, ervas, madeiras e frutos, extrados de reas de vegetao nativa. Em territrio brasileiro, essa atividade  desenvolvida sobretudo na regio Norte, em meio  floresta Amaznica, onde so explorados vrios produtos, como o mogno e o cedro (madeiras de lei*), a castanha-do-par e o ltex* da seringueira. A atividade extrativa tambm desenvolve-se na regio Nordeste, com a explorao da carnaba e do babau.
A atividade extrativa animal baseia-se nas atividades da caa e da pesca. A caa e a captura de animais silvestres no Brasil, como jacars, onas,  macacos e araras,  proibida por lei federal, embora  continue a ocorrer ilegalmente. J a pesca, apesar de permitida, no  suficientemente desenvolvida, embora o pas possua um extenso litoral e muitos rios. O consumo interno de pescados  pequeno, em mdia 5,5 quilos por habitante ao ano, enquanto no Japo a mdia  de 52 quilos por habitante ao ano.
A atividade extrativa mineral consiste na extrao de certos recursos minerais encontrados, principalmente, no subsolo. Essa atividade, tambm chamada de garimpagem,  realizada de forma artesanal, ou seja, sem a utilizao de tcnicas e equipamentos modernos. No Brasil, a garimpagem geralmente ocorre junto ao leito dos rios, principalmente nas regies Norte e Centro-Oeste, onde se extraem ouro, diamantes, esmeraldas e pedras semipreciosas, entre outros minerais.

Depois de extrado, o ltex da seringueira  transformado em borracha natural. A extrao do ltex  uma atividade que se desenvolve sem agredir o meio ambiente amaznico, ao contrrio da explorao madeireira, que, geralmente,  feita de modo predatrio e devasta a floresta.  Ao lado, seringueiro coletando ltex no municpio de Envira (AM).

O garimpo do ouro garante o sustento de milhares de brasileiros que vivem na regio Norte. Porm, essa atividade vem degradando o ecossistema amaznico, devido, principalmente,  utilizao do mercrio, substncia txica nociva aos seres vivos. Ao lado, garimpeiro em Serra Pelada (PA).

No litoral nordestino so extradas grandes quantidades de pescados finos, como a lagosta e o camaro, sendo que a maior parte da produo  exportada para pases europeus. Ao lado, pescador de lagostas na praia de Ponta Grossa (CE).

madeira de lei: madeira resistente, prpria para a fabricao de mveis, e que possui grande valor comercial; alguns exemplos so a peroba, a cerejeira, a imbuia e o cedro
ltex: lquido de aspecto leitoso que escorre de algumas plantas quando sofrem cortes

Indstria: transformao das riquezas naturais

A atividade econmica que transforma os recursos da natureza em bens que so consumidos pela populao em geral e por outros ramos de atividades econmicas  denominada indstria.
A atividade industrial  de importncia fundamental para um pas, pois gera muitos empregos e movimenta todos os outros setores da economia. Desde a agricultura, com o estmulo  produo de matrias-primas, at o comrcio, com o incremento da compra e venda de mercadorias, todas as atividades econmicas so influenciadas pela indstria.

A indstria siderrgica transforma o carvo e os minrios de ferro em ao, o qual, por sua vez,  uma matria-prima amplamente usada na fabricao de mquinas industriais, eletrodomsticos, automveis, navios, etc. Por isso, a siderurgia  considerada essencial para o desenvolvimento da maioria das atividades industriais de um pas.

O que  matria-prima

A matria-prima  o principal elemento utilizado na fabricao de um produto. Ela pode ter origem vegetal, animal ou mineral. Veja os seguintes exemplos:
	o cacau, matria-prima de origem vegetal,  o principal elemento para a fabricao do chocolate;
	a areia, matria-prima de origem mineral,  o elemento principal  na fabricao do vidro;
	o couro, matria-prima de origem animal,  um importante elemento utilizado na 
fabricao de calados. 

As matrias-primas podem ser classificadas em naturais ou transformadas. Como exemplo, veja o caso do algodo.

A matria-prima natural  aquela utilizada em seu estado original, direto da natureza para a fbrica. O algodo  uma matria-prima natural utilizada pelas indstrias de fiao, onde  transformada em fios.
A matria-prima transformada  aquela utilizada no mais em seu estado natural, mas j industrializada. Os fios servem como matria-prima para os tecidos, fabricados nas tecelagens. Os tecidos, por sua vez, serviro como matria-prima para roupas, o produto final das indstrias de confeco. 

Observe atentamente os elementos existentes em sua sala de aula, desde o cho at o teto. Quais foram os tipos de matria-prima utilizados na fabricao de cada um desses elementos? Qual  a origem dessas matrias-primas?

Tipos de indstria

As indstrias podem ser classificadas em trs tipos principais: de bens de produo (ou indstria de base), de bens intermedirios e de bens de consumo.
A indstria de bens de produo ou de base transforma matrias-primas brutas (minrios e recursos de origem fssil) em produtos que servem de base para outras indstrias:
	indstria extrativa mineral  (minerao pesada: ferro, alumnio, mangans);
	refinarias* de petrleo (gasolina, leo diesel, asfalto, querosene);
	siderrgicas (ao, ferro-gusa, coque);
	metalrgicas (estruturas metlicas, tubos, fios e  arames);
	indstrias qumicas (cimento, adubos, fertilizantes, tintas, vernizes, cidos, fibras artificiais).
A indstria de bens intermedirios fabrica mquinas e equipamentos para outras indstrias e para diversos setores da economia:
	indstria de autopeas (peas para veculos em geral, como automveis, motocicletas, caminhes e tratores); 
	indstria mecnica (mquinas industriais, tratores, colheitadeiras, arados mecnicos);
	indstria naval (navios e embarcaes em geral).

A indstria de bens de consumo produz bens que so consumidos diretamente pela populao. Divide-se em dois outros subtipos. Veja a seguir.
Indstria de bens de consumo durveis:
	indstria automobilstica (carros, motocicletas); 
	indstria de eletrodomsticos (foges, geladeiras, aparelhos de som, televisores);
	indstria moveleira (mveis em geral).

Indstria de bens de consumo no-durveis:

	indstria de confeces (roupas);
	indstria de cosmticos (xampus, sabonetes, cremes dentais); 
	indstria alimentcia (massas, bebidas, cereais, laticnios).

As refinarias de petrleo so um exemplo de indstria de base. Acima, refinaria em Duque de Caxias (RJ).

Os tratores so bens intermedirios que auxiliam o desenvolvimento da produo agrcola. Acima, fbrica de tratores em Piracicaba (SP).

Os eletrodomsticos so considerados bens de consumo durveis. Acima, linha de montagem de geladeiras em Joinville (SC).

refinaria: local onde se transforma o petrleo bruto em produtos derivados, como gasolina, leo diesel e querosene

Fatores da localizao industrial

A implantao de indstrias em um determinado lugar no ocorre de maneira casual. Geralmente as fbricas instalam-se em cidades ou regies onde existam condies favorveis para o desenvolvimento de suas atividades.
Alguns fatores interferem na localizao das diferentes indstrias. Entre eles destacam-se: a disponibilidade de mo-de-obra; a proximidade com o mercado consumidor e com a matria-prima; a disponibilidade de energia eltrica; e a existncia de uma rede de transportes bem estruturada.
A ilustrao abaixo mostra, de maneira esquemtica, o exemplo de uma indstria de cimento.

Matria-prima: a proximidade com as fontes de matria-prima  vantajosa para muitas indstrias, pois facilita o transporte e diminui os gastos com a produo da mercadoria.

Rede de transportes: a existncia de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos prximos s reas industriais so fundamentais para a circulao da matria-prima at as fbricas, e dos produtos industrializados at os mercados consumidores.

Mercado consumidor: em geral, as indstrias preferem se instalar em regies prximas de onde existam compradores para seus produtos. Dessa forma, reduzem os gastos com transporte, diminuindo o custo final do produto.

Mo-de-obra: na maioria das vezes, as indstrias escolhem lugares para se implantar (geralmente reas urbanas) com mo-de-obra numerosa e qualificada.

Energia: para que as atividades industriais possam se desenvolver normalmente,  necessrio haver fontes de energia disponveis e a preo acessvel.


Os incentivos fiscais tambm tm influenciado bastante na localizao de indstrias no Brasil. Esses incentivos caracterizam-se na forma de iseno de impostos durante determinado perodo de tempo, sendo concedidos pelos governos federal, estadual ou municipal s indstrias, em troca de investimentos no local. Dessa forma, diversos municpios do interior do pas tm atrado, nos ltimos anos, indstrias que se localizavam anteriormente nos grandes centros urbanos.

Voc conhece o nome de alguma indstria importante que est instalada em seu municpio ou estado? O que essa indstria produz? De onde vem a matria-prima para sua produo e como ela  transportada? Por que voc acha que essa indstria escolheu esse lugar para se instalar?

Atividade industrial no Brasil

Atualmente, o Brasil est entre os quinze pases mais industrializados do mundo. O parque industrial brasileiro mostra-se bastante diversificado, fabricando desde produtos alimentcios e txteis, at computadores, avies e satlites artificiais.
Contudo, a indstria no Brasil encontra-se distribuda de maneira desigual entre as cinco grandes regies. A maioria das indstrias est localizada na regio Sudeste, em especial nos estados de So Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde se destacam indstrias modernas, como a qumica, a automobilstica e a de informtica, que empregam alta tecnologia.
Logo em seguida, temos a regio Sul, onde as indstrias ligadas ao beneficiamento de matrias-primas agrcolas e pecurias (as agroindstrias) so muito importantes. Destacam-se, ainda, as indstrias mecnicas e metalrgicas. Recentemente, tem ocorrido nessa regio a instalao de algumas montadoras de automveis. 
Na regio Nordeste existem diversas indstrias tradicionais, como as txteis e as usinas de lcool e acar. No entanto, nas ltimas dcadas o parque industrial nordestino vem se modernizando, como no caso da instalao do Plo Petroqumico de Camaari, na Bahia.
As regies Centro-Oeste e Norte so as menos industrializadas do pas, com predomnio de agroindstrias e de indstrias extrativas minerais e vegetais.

reas de concentrao industrial no Brasil

Grande
Mdia
Pequena
Outros centros industriais

Adaptado do Atlas Nacional do Brasil.
Rio de Janeiro, IBGE, 1992.

Origens da concentrao industrial no Sudeste

At o final do sculo XIX, a indstria brasileira mostrava-se incipiente, fabricando, em sua maioria, bens de consumo no-durveis, como tecidos, velas, chapus e calados. A partir do incio do sculo XX, boa parte da riqueza gerada com a economia cafeeira, que se desenvolvia nos estados de So Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, passou a ser empregada na instalao de indstrias. Esse fato proporcionou uma intensificao e uma 
diversificao da atividade industrial no pas, que ocorreu, sobretudo, na regio Sudeste, caracterizando suas paisagens.
Outros fatores que tambm colaboraram para o crescimento industrial no Sudeste foram: a presena de vrias ferrovias, o que facilitava o transporte de matrias-primas e dos produtos industrializados; a existncia de uma populao numerosa, o que significava um bom mercado consumidor para os produtos industrializados, assim como uma maior oferta de mo-de-obra para ocupar os postos de trabalho nas fbricas.

Pela estao de Paranapiacaba (SP) passava o caf rumo ao porto de Santos, de onde era exportado para o mundo todo.
As mesmas linhas frreas que foram construdas para transportar o caf mais tarde levaram matrias-primas at as indstrias e mercadorias para os consumidores. 

Comrcio e prestao de servios

Quando ocorre a troca de um produto por outro produto, ou de um produto por dinheiro, se realiza a atividade do comrcio. O comrcio faz a ligao entre o produtor (quem produz as mercadorias) e o consumidor (quem as consome).
J a prestao de servios abrange as atividades que se desenvolvem pelo trabalho de determinados profissionais, de acordo com sua habilidade fsica ou intelectual. So exemplos de prestadores de servios, profissionais como mdicos, contadores, professores, advogados, mecnicos, eletricistas, encanadores e dentistas. Tambm fazem parte da prestao de servios as atividades ligadas aos transportes (rodovirio, ferrovirio, 
areo e naval), s comunicaes (telefonia, rdio, televiso, correios) e ao fornecimento de energia e de gua. O trabalho desenvolvido em reparties pblicas, em bancos e em instituies de ensino e pesquisa tambm faz parte desse setor de atividades.
O comrcio e a prestao de servios so atividades sediadas, em sua maioria, nas cidades, pois  nelas que a maior parte dos consumidores reside. Mesmo as pessoas que moram na zona rural, quando necessitam comprar algum produto ou precisam de servios como os oferecidos pelos bancos ou hospitais, procuram os centros urbanos mais prximos.
De acordo com o tamanho do centro urbano, maior ou menor ser a quantidade e a diversidade de atividades comerciais e de servios nele instaladas.

As imagens acima nos mostram dois tipos de atividades desenvolvidas no setor tercirio. Qual delas  uma atividade comercial? E qual  uma atividade de servios? Explique por qu. Depois, faa uma relao dos produtos e servios que voc consumiu durante a semana que passou. Junto com seus colegas, conversem sobre a freqncia com que vocs se utilizaram do setor tercirio. O municpio onde vocs moram  bem servido de atividades comerciais e de prestao de servios?

 Consumo e consumidores

O principal objetivo do desenvolvimento das atividades econmicas  a produo de mercadorias e servios para a comercializaco e para o consumo. Assim, todos que adquirem um produto ou utilizam determinado servio agem como consumidores.
Embora o consumo de produtos (como alimentos, roupas e calados) e de servios (fornecimento de gua e luz, atendimento escolar, lazer, assistncia  sade, entre outros) permita que possamos satisfazer nossas necessidades, nem toda a populao pode consumir da mesma maneira.
No Brasil, as diferenas de consumo refletem a existncia de diferenas sociais. Enquanto uma pequena parcela da populao obtm altos rendimentos e, portanto, pode consumir mais em quantidade e variedade, grande parte da populao brasileira, com baixos rendimentos, no tem condies, muitas vezes, de consumir diariamente os alimentos necessrios para garantir uma vida saudvel.
Da mesma forma, existem diferenas de consumo entre as populaes dos pases do mundo. Em pases economicamente desenvolvidos, como os Estados Unidos, o Japo e grande parte dos pases europeus, a maioria da populao possui um elevado rendimento e pode, por exemplo, viver em casas amplas, viajar periodicamente a passeio e consumir numerosos tipos de produtos.
J a maior parte da populao dos pases economicamente menos desenvolvidos da Amrica do Sul, da frica e da sia, por causa do seu baixo rendimento, no tem sequer acesso a produtos e servios de necessidade bsica, como esgoto e gua tratada.

No mundo, cerca de 1 bilho de pessoas no possuem condies financeiras para ter acesso a um consumo satisfatrio de 
vesturio ou alimentao. Muitas famlias, como a da foto acima, vivem do lixo, ou seja, das sobras do que j foi consumido anteriormente por outras pessoas.

Consumo e propaganda

Para aumentar a venda de produtos e servios, as indstrias, os bancos, as redes de lojas e supermercados, assim como uma infinidade de outras atividades, recorrem constantemente  propaganda.
A propaganda  uma maneira de as empresas divulgarem produtos e servios, promoes de preos, formas facilitadas de compra, com o objetivo de vender mais que seus concorrentes. Por outro lado, a propaganda mostra-se como um artifcio utilizado para despertar em ns, consumidores, o desejo de comprar algo de que, muitas vezes, no necessitamos naquele momento. Dessa forma, ela se faz presente em diversos momentos do nosso dia-a-dia, seja nos outdoors existentes nas ruas e avenidas, seja na programao da televiso a que assistimos em casa.

Atividades

Questes de compreenso

	1.	Como voc j estudou, as atividades exercidas no campo e na cidade possuem uma relao de interdependncia. Por exemplo: uma fbrica de vacinas para gado est situada na cidade, 
porm o seu consumo ocorre no campo, nas fazendas de criao. A carne produzida no campo, por sua vez, ser comercializada em frigorficos e aougues estabelecidos na rea urbana. Pense em outro exemplo que demonstre essa interdependncia. Se quiser, crie uma histria em quadrinhos para represent-la.
	2.	A agricultura tem grande importncia social e econmica para o Brasil, assim como para todos os pases do mundo. Explique por qu.
	3.	A bovinocultura no Brasil  realizada basicamente de duas formas: com as criaes extensiva e intensiva. Caracterize essas duas formas de criao.
	4.	A extrao do ltex da seringueira  uma atividade que no agride o meio ambiente. Descubra outras prticas extrativas (vegetais, animais ou minerais) que no comprometam ou que se preocupem em recuperar o meio ambiente.
	5.	Voc j conhece a matria-prima de alguns objetos que esto presentes em sua sala de aula. 
Agora, escolha trs desses elementos e indique o tipo de indstria que os fabricou. Por exemplo: uma lmpada  produzida por uma indstria de material eltrico, ou seja, uma indstria de bens de consumo no-durveis. Se tiver dificuldade, pea ajuda ao professor ou a algum adulto.
	6.	Cite trs exemplos de empresas ou de profissionais prestadores de servios. Explique a importncia da existncia desses servios para a sociedade.

Anlise de ilustrao

		Observe os produtos a seguir.

Cada um dos produtos acima e ao lado passa por diferentes lugares at chegar a ns, consumidores. O arroz, por exemplo,  produzido no campo (setor primrio), beneficiado em uma indstria (setor secundrio) e adquirido pelos comerciantes (setor tercirio), que o revendem aos consumidores. No se deve esquecer que esse arroz teve que ser transportado de um local para outro, trabalho realizado por prestadores de servios (setor tercirio).
Agora, observando o exemplo do arroz, trace o provvel caminho percorrido por cada produto mostrado - desde a sua origem at o consumidor - relacionando em seu caderno os setores de atividades econmicas pelos quais eles passaram.


Catulo 18

Populao brasileira

Somos cerca de 6 bilhes de seres humanos habitando a Terra, formando uma gigantesca comunidade,  qual chamamos populao mundial. Voc e a sua comunidade tambm fazem parte desse conjunto de pessoas. Agora responda: em seu municpio moram quantas pessoas, aproximadamente? E em seu estado? E em nosso pas?

O que  populao

Populao mundial  o conjunto formado por todos os seres humanos existentes no planeta. O termo populao tambm  usado para se referir ao conjunto de pessoas que vivem em determinado lugar - um continente, um pas, um estado, um municpio ou um bairro.
Alm de saber qual  a populao absoluta de um pas,  possvel conhecer tambm em que ritmo ela cresce, como est distribuda pelo seu territrio e, ainda, como est estruturada de acordo com a proporo de homens e mulheres, crianas, jovens, adultos e idosos que a compem. Nesta e nas prximas pginas, estudaremos esses aspectos em relao  populao de nosso pas, a populao brasileira.
O Brasil possui uma populao absoluta (populao total) de aproximadamente 170 milhes de habitantes (dados do IBGE, 2000), o que faz dele o quinto pas mais populoso do mundo, atrs apenas da China, ndia, Estados Unidos e Indonsia. Pas populoso  aquele que possui uma grande populao absoluta, isto , um elevado nmero de habitantes em relao  grande maioria dos pases do mundo.
Observe no grfico abaixo o nmero de habitantes dos seis pases mais populosos do mundo e confira sua localizao no planisfrio abaixo. 

Pases mais populosos do mundo

* Censo Demogrfico 2000. IBGE, Rio de Janeiro, 2001. Relatrio do Desenvolvimento Humano. PNUD, 2001.


Os seis pases mais populosos do mundo

0  2400  4800  km

Relatrio do Desenvolvimento Humano. PNUD, 2001.

Crescimento da populao brasileira

Para se conhecer as caractersticas e a quantidade de habitantes de um determinado lugar, devem ser feitos levantamentos populacionais peridicos (contagem e entrevista) chamados censos ou recenseamentos. No Brasil, os censos so realizados geralmente a cada 10 anos e, desde 1940, essa  uma atividade executada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica). O primeiro censo ocorreu em 1872, tendo o pas apresentado uma populao de cerca de 10 milhes de habitantes. Desde ento a populao brasileira 
passou a aumentar em um ritmo muito acelerado, devido, principalmente, ao elevado ndice de crescimento natural.

Crescimento da populao brasileira (1872 a 2000)

Observe atentamente o grfico ao lado. Qual era a populao brasileira em 1920? E em 1950? De 1872 at 2000, a populao brasileira cresceu cerca de quantas vezes? Confira seu resultado com o de seus colegas.

Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1999. *Censo Demogrfico 2000. IBGE, Rio de Janeiro, 2001.

Crescimento natural ou vegetativo
O crescimento natural ou vegetativo da populao  a diferena entre a taxa de natalidade (proporo de pessoas que nascem) e a taxa de mortalidade (proporo de pessoas que morrem) em cada grupo de cem ou mil habitantes, durante um certo perodo de tempo (ms, ano, dcada).
Entre 1981 e 1990, por exemplo, a taxa de natalidade da populao brasileira foi cerca de 25 (25 por mil, isto , para cada grupo de mil habitantes nasciam mais 25 pessoas) e a taxa de mortalidade, cerca de 7 (7 por mil, ou seja, para cada grupo de mil habitantes faleciam 7 pessoas).
Isso quer dizer que a cada ano, no perodo de 1981 a 1990, em cada grupo de mil pessoas, eram acrescidas, em mdia, mais dezoito. Parece pouco, mas se levarmos em considerao que em 1981 o Brasil tinha cerca de 120 milhes de habitantes, os 18 representaram em 1982 um acrscimo de aproximadamente 2 milhes e 160 mil habitantes.

taxa de natalidade  taxa de mortalidade
Crescimento natural*    =   25   - 7   =   18
* no Brasil, no perodo de 1981 a 1990

O crescimento natural em queda

A populao brasileira continua crescendo, porm nas ltimas duas dcadas esse crescimento tem ocorrido em um ritmo menor que nas dcadas anteriores. Na dcada de 1960, por exemplo, o ndice de crescimento vegetativo anual era em torno de 2,9% ou 29; j na dcada de 1990, a taxa anual foi de 1,4% ou 14. Esse fato se deve, principalmente,  queda da taxa de fecundidade do pas. Isso significa que uma quantidade cada vez maior de mulheres tm tido um nmero menor de filhos. Entre as principais causas da diminuio dos nascimentos est a disseminao do uso de mtodos contraceptivos (plulas, preservativos, esterilizao de homens e mulheres, etc.). 

 Anurio Estatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1999.

Distribuio espacial da populao brasileira

Embora populoso, o Brasil  um pas pouco povoado, pois possui uma baixa populao relativa, com cerca de 19 habitantes por quilmetro quadrado (19 hab/km2). Populao relativa ou densidade demogrfica  o nmero mdio de habitantes por quilmetro quadrado existentes em um lugar qualquer do planeta.

Para encontrarmos a populao relativa ou densidade demogrfica, devemos dividir o total de habitantes (populao absoluta) de um determinado lugar pela rea de seu territrio.
Observe.

ensidadedemogrfica =	

populao absoluta
169 799 170 habitantes =
rea total do 	territrio brasileiro
8 514 215 km2 = 
20 hab/km2

Censo Demogrfico 2000. IBGE, Rio de Janeiro, 2000.

Agora faa voc mesmo o clculo da densidade demogrfica de sua sala de aula. Para isso, multiplique a largura da sala pelo seu comprimento, obtendo, assim, o valor de sua rea total. Em seguida, divida o resultado da multiplicao pelo nmero total de alunos, mais o professor. O resultado ser em pessoas por metro quadrado.

Uma populao irregularmente distribuda

Ainda que o Brasil apresente uma densidade demogrfica mdia de 20 hab/km2, deve-se ressaltar que a populao brasileira no est distribuda de maneira uniforme em seu territrio. Existem reas onde a populao encontra-se muito concentrada, com densidades superiores a 100 hab/km2, e outras onde a densidade demogrfica chega a ser menor que 2 hab/km2, caracterizando verdadeiros vazios demogrficos. Observe com ateno o mapa abaixo.

Distribuio da populao brasileira

Aproximadamente 90% da populao brasileira est localizada na poro leste do pas. As maiores densidades encontram-se em torno das capitais das regies Nordeste, Sudeste e Sul. As menores densidades do Brasil esto em sua poro ocidental, principalmente em grande parte da regio amaznica, rea que corresponde a cerca de 45% do territrio brasileiro, mas que abriga somente cerca de 10% do total da populao. Essa distribuio desigual da populao  resultante da forma como o territrio brasileiro foi ocupado com o passar dos sculos. As primeiras atividades econmicas importantes, assim como as cidades mais antigas, desenvolveram-se na regio litornea. Dessa forma, o povoamento do Brasil ocorreu do litoral para o interior do territrio.

Habitantes / km2
Menos de 2
De 2 a 5
De 5 a 25
De 25 a 100
Mais de 100

0  440 880 km

Adaptado do AnurioEstatstico do Brasil. Rio de Janeiro, IBGE, 1998.

 Identifique no mapa acima a densidade ou as densidades demogrficas existentes no estado onde voc mora.

Estrutura da populao brasileira

O estudo da estrutura da populao permite, entre outras possibilidades, analisar como a populao de um pas est distribuda de acordo com a idade e o sexo. A anlise da estrutura da populao  importante, pois permite verificar a realidade social do pas, a evoluo da sua populao e as tendncias para o futuro. 
A distribuio da populao por idade e sexo  mais facilmente compreendida por meio de uma representao grfica conhecida como pirmide de idades ou pirmide etria. 
A anlise da pirmide etria tem grande importncia, pois a partir dela  possvel prever, planejar e executar aes que promovam o desenvolvimento econmico e social do pas, como a criao de mais empregos e a construo de escolas e hospitais.
A pirmide etria brasileira demonstra como a populao do Brasil est distribuda por faixas de idade e sexo. A pirmide abaixo foi construda com base nos dados estatsticos obtidos no recenseamento do ano de 2000.

Pirmide etria do Brasil

pice:  a parte superior da pirmide; representa a populao idosa, com 60 anos ou mais.

Corpo:  a parte intermediria da pirmide; representa a populao adulta, entre 20 e 59 anos.

Base:  a parte inferior da pirmide; representa a populao jovem, entre 0 e 19 anos.

Eixo horizontal: indica o nmero total de pessoas em cada classe (em milhes).

Eixo vertical: indica as faixas etrias de 0 a 70 anos ou mais, divididas em classes de 5 em 5 anos.

Censo Demogrfico 2000. IBGE, Rio de Janeiro, 2001.


Agora que voc j conhece cada componente da pirmide etria brasileira, observe-a novamente e responda: existe uma grande diferena entre o nmero de homens e mulheres? Como voc pode identificar isso? Quem  maioria em nosso pas: os jovens, os adultos ou os idosos? E quem  minoria?

A forma da pirmide etria do Brasil

A pirmide etria brasileira possui, atualmente, uma base larga que vai se estreitando gradativamente at atingir o seu estreito pice.
A base larga indica um grande percentual de jovens no total da populao nacional. Cerca de 40% dos brasileiros so jovens que possuem entre 0 e 19 anos, resultado da elevada taxa de natalidade que o pas ainda possui.
O corpo afunilado da pirmide mostra que a quantidade de pessoas diminui conforme as faixas de 
idade aumentam. Isso se deve s altas taxas de mortalidade da populao brasileira nessas faixas etrias. 
O pice estreito indica um pequeno percentual de idosos, isto , apenas cerca de 8,5% da populao tem mais de 60 anos de idade. 
Esse fato deve-se  baixa esperana de vida do brasileiro. Esperana ou expectativa de vida  a 
estimativa do nmero de anos que uma pessoa, ao nascer, poder viver em determinado pas, levando-se em considerao as condies socioeconmicas (sade, alimentao, renda, etc.) de sua populao. No Brasil, a esperana de vida ao nascer  de aproximadamente 68 anos; porm, em pases europeus como Itlia, Frana e Alemanha, ela est em torno de 78 anos, devido  excelente qualidade de vida da populao.

As origens dos brasileiros

As origens da populao brasileira esto no encontro de diferentes grupos humanos, fato que confere ao nosso pas uma caracterstica peculiar entre a maioria dos pases do mundo. A origem desses povos que vieram constituir a populao brasileira  muito diversa. Os principais grupos esto indicados a seguir.

	Povos indgenas: quando os conquistadores portugueses chegaram s terras que hoje denominamos Brasil, em 1500, encontraram centenas de povos indgenas. Aqui habitavam grupos como os Karaj, Bororo, Kaigang, Yanomami, entre tantos outros, reunindo uma populao estimada em 2 milhes de pessoas.
 Povos africanos: entre os sculos XVI e XIX, milhes de africanos foram trazidos para trabalhar, sobretudo nas lavouras de cana-de-acar e caf, na condio de escravos. Eram povos provindos de regies diferentes da frica, como as que atualmente constituem pases como Angola, Moambique, Guin-Bissau e Congo. 
	Imigrantes europeus e asiticos: a partir principalmente de 1850, enormes contingentes de imigrantes europeus e asiticos desembarcaram em terras brasileiras. At aproximadamente 1950, cerca de 4 milhes desses imigrantes entraram no Brasil. Os principais grupos, entre os europeus, foram os portugueses, espanhis, italianos e alemes. J entre os asiticos, foram os japoneses, srios e libaneses.


Voc  brasileiro?

A pergunta, claro,  uma provocao. Se voc tem dvidas, basta dar uma olhada na sua certido de nascimento.
Mas a vem a segunda pergunta: o que  ser brasileiro? Se tambm aqui voc encontrou uma resposta fcil, ento exija logo seu ttulo de doutor em antropologia* brasileira, pois voc merece.
Algumas das cabeas mais brilhantes do Brasil, de Gilberto Freire a Darcy Ribeiro, gastaram dcadas de trabalho tentando resolver essa questo. E no chegaram a uma resposta definitiva.
De algumas coisas, porm, temos noes suficientes para darmos palpites: somos um povo ainda em formao, [...] o resultado de uma mistura que, mesmo submetida a tantos contrastes histricos e geogrficos, manteve-se unida por cinco sculos. E no s por causa da lngua portuguesa, que todos os brasileiros entendem, como se poderia supor. [...] O que temos no Brasil , por falta de um termo mais apropriado, uma alma comum. Uma essncia nacional que, apesar de to sutil e difcil de ser capturada pelos estudiosos, conseguiu ser mais forte do que as nossas muitas e gritantes disparidades regionais. 
Mas de onde vem essa alma que cola num s corpo milhes de pessoas? "Dos nossos ndios", arrisca o socilogo e analista Roberto Gambini, que h vinte anos tenta decifrar os elementos que compem o carter do brasileiro. "Apesar da importante influncia portuguesa e negra na nossa constituio, os principais traos culturais que distinguem o brasileiro dos outros povos foram herdados dos ndios. Nosso esprito brincalho, por exemplo, que no consegue ver limites muito claros entre o que  trabalho e o que  diverso, pode ser ainda hoje encontrado nas aldeias indgenas espalhadas pelo pas", diz.
Segundo essa hiptese, os tipos regionais brasileiros, dos gachos do sul aos caboclos do norte, dos caiaras do litoral aos pantaneiros do Mato Grosso, possuem em comum um estrato bsico de cultura indgena. No s aquele facilmente comprovado nos nomes das cidades, nas tcnicas de cultivo, nos utenslios ou no folclore de sacis e curupiras, mas algo mais profundo, que moldou nosso inteiro jeito de ser. "Essa herana foi por muito tempo negada porque os portugueses viam os ndios como gente atrasada e preguiosa. Hoje, porm, comeamos a descobrir que a cultura indgena possui um manancial de idias que pode dar solues criativas para problemas muito 
atuais da nossa civilizao", afirma Gambini.
Vincius Romanini. "Quem somos afinal?" In: Os Caminhos da Terra, 
ano 7, n. 6. So Paulo, Abril, junho/1998. 


ATIVIDADES
Questes de compreenso
	1.	Ao conjunto de pessoas que habitam determinado lugar  dado o nome de populao. Existem, por exemplo, a populao mundial, a populao brasileira, etc. A quais populaes voc pertence?
	2.	O fato de uma populao possuir uma alta taxa de natalidade significa necessariamente que ela est crescendo? Explique por qu.
	3.	"Embora populoso, o Brasil  um pas pouco povoado." Explique o que essa afirmao quer dizer em relao  distribuio da populao brasileira.
	4.	Relacione a expectativa de vida no Brasil com as caractersticas do corpo e do pice da pirmide etria brasileira.

Anlise e produo de texto
		Leia atentamente o texto abaixo:

Sentir ser ndio

Eu sinto que sou ndio, 
porque meu pai  ndio, minha me  ndia,
meu av  ndio, minha av  ndia, 
e meus parentes so todos ndios. 
Sinto que sou ndio 
porque falo minha lngua, 
uso minha cultura e tenho um outro costume,
pinto meu rosto com jenipapo e urucu,
uso nossas armas e nosso artesanato.
Como jacar, tatu, anta, peixe, macaco.
Tomo caiuma, cip, dano o mariri.
Canto nossa cantoria na nossa lngua.
Sinto ser um ndio 
porque dentro da minha aldeia 
cada um de ns  dono de nossa pessoa,
somos livres, temos nossa liberdade. 
Sinto que ser ndio 
 viver junto com nossa famlia,
com nossos parentes, nossa comunidade.
Usando com cuidado a nossa vida. 
 receber cada parente nosso,
 no ter diferena de sangue preto ou branco, 
 ser tudo igual.
Todo ndio  trabalhador, plantador, caador.
ndio no  brigador.
Sinto que sou ndio
porque no tenho cara de branco,
meu corpo  diferente,
meu jeito de caminhar  diferente.
Meu cabelo  liso, 
no tenho muita barba
e nem plo enrolado no brao e na perna.
ndio tem plo liso no sovaco e na canela. 
Somos iguais e diferentes,  
diferentes na lngua, jeito e costume.
Igual no corpo, na inteligncia, no respeito. 
Somos todos iguais: ndios, negros e brancos.
Sentir ser ndio
 no ter vergonha de ser ndio no meio do branco.
 sentir ser o primeiro habitante desta terra.
 sentir ser floresta, rio, igarap
e tudo que pertence  natureza.
Os ndios precisam ser respeitados. 
Os ndios so as razes da floresta.

Jos Itsairu Mateus Kaxinau. In: Z, ano 1, n.1. So Paulo, Pinus, julho/1996. (Publicado originalmente no livro Geografia Indgena.)


Como voc j viu, a populao brasileira  composta por vrios grupos humanos, entre eles o indgena. No texto acima, Jos Itsairu Mateus Kaxinau, ndio da tribo Kaxinau, conta como se sente pertencendo a esse grupo.
	1.	E voc, de qual ou quais grupos humanos descende?
	2.	Fale de algumas caractersticas fsicas e de alguns costumes ou hbitos que voc herdou de seus antepassados.
	3.	Crie um texto, de 10 a 15 linhas, sobre o seguinte tema: "Sentir ser brasileiro".

Concluindo nossos estudos

Durante este ano estudamos vrios temas ligados  cincia geogrfica. Aprendemos, entre outros assuntos, a respeito da importncia da utilizao dos mapas; como os movimentos que a Terra realiza no espao do origem aos dias, s noites e s estaes do ano; como a sociedade utiliza-se das riquezas do solo, do subsolo e das guas continentais e martimas. Entendemos, tambm, como ocorrem as mudanas do tempo e por que existem climas diferentes na superfcie terrestre. Conhecemos mais sobre a diversidade de paisagens naturais e humanizadas existentes em nosso planeta e sobre algumas caractersticas do territrio e do povo brasileiro.
Aprendemos que o ser humano faz parte da natureza e que dela depende diretamente para sobreviver e construir o espao geogrfico.
Todos esses temas analisados nesta 5a srie serviro como base para que voc possa compreender melhor os contedos de Geografia e das outras disciplinas nos prximos anos. Por isso, lembre-se: a cincia geogrfica ser sempre um instrumento para auxili-lo a desvendar a realidade do mundo em que vivemos, possibilitando que voc conhea os fenmenos naturais e forme sua prpria opinio a respeito das questes sociais e ambientais.

Observe atentamente as imagens acima. So imagens conhecidas? A que assuntos de Geografia estudados durante este ano elas se referem? Qual deles mais atraiu seu interesse? Que novos conhecimentos esses estudos trouxeram a voc? Compartilhe com seus colegas as suas opinies e oua as deles.
Procurem saber tambm a opinio de seu professor ou professora de Geografia a respeito das aulas deste ano.

Paara ler e pesquisar

Os livros, revistas e sites indicados a seguir so apenas sugestes. Atravs desse material voc, sem dvida, descobrir outros. Conhea tambm o acervo das bibliotecas de sua escola e de sua cidade. Troque livros e revistas com seus colegas. Descubra o prazer da leitura. Assim, voc encontrar cada vez mais facilidade em seus estudos e compreender melhor o mundo em que vivemos. 

Livros
Atlas Atual
Vincenzo Raffaele Bochicchio. So Paulo, Atual, 1999.
Atlas dos Oceanos 
Anita Ganeri. Srie Atlas Ilustrados. So Paulo, Martins Fontes, 1994.
Outros ttulos da coleo:
Atlas Universal Ilustrado, Atlas do Espao, Atlas da Terra.
Como a Terra funciona
John Farndon. Coleo Guia Prtico de Cincia. So Paulo, 1994.
A criao do mundo
Claude-Catherine Ragache. Srie Mitos e Lendas. So Paulo, tica, 1989.
Escalas
Marion Smoothey. Coleo Investigao Matemtica. So Paulo, Scipione, 1997.
Da mesma coleo: Grficos.
Galileu e o Universo
Steve Parker. Coleo Caminhos da Cincia. So Paulo, Scipione, 1996.
Jovens em ao!
Angela Baeder e outros. So Paulo, Melhoramentos, 2000. 
Mapas, a realidade no papel
Rosaly Maria Braga Chianca. Coleo Um Passo  Frente. So Paulo, tica, 1994. 

Mapas e caminhos
Kate Petty. Coleo Viajando em um Balo. So Paulo, Callis, 1994. 
Outros ttulos da coleo:
Nosso globo, nosso mundo, Explorando o cu, Explorando o solo.
Montanhas
Philip Sauvain. Coleo Geodetetive. So Paulo, Scipione, 1998.
Outros ttulos da coleo:
Ilhas, Rios e Vales, Desertos.
Poluio do Trfico
M. Bright. Coleo S. O. S. Planeta. So Paulo, Melhoramentos, 1993. 
Outros ttulos da coleo:
Chuva cida, A camada de oznio, O efeito estufa, Floresta tropical, Energia solar, Lixo Nuclear, Poluio urbana, Reciclagem, Hbitats em extino, Poluio nos oceanos. 
Preserve os oceanos
John Baines. So Paulo, Scipione, 1992.
Outros ttulos da coleo:
Chuva cida, Preserve as florestas tropicais, Lixo e reciclagem, Preserve a atmosfera, Preserve a vida silvestre, A expanso dos desertos, Agricultura e meio ambiente. 
O tempo
John Farndon. Coleo Ver 
de Perto a Natureza. So Paulo, tica, 1995.
Terra
Susanna van Rose. Coleo Aventura na Cincia. So Paulo, Globo, 1994.
Revistas 
Superinteressante
So Paulo, Abril.
Z
So Paulo, Pinus.
Cincia Hoje das Crianas
Rio de Janeiro, SBPC.
Internet
Cincia Hoje das Crianas
www.uol.com.br/cienciahoje/chc.html
IBGE
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Museu Interativo de Astronomia
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Crdito de imagens

Em pginas com mais de uma imagem, os crditos so apresentados na ordem seguinte: da esquerda para a direita, de cima para baixo.

10-Mario Leite/Abril Imagens
12-R. R. Rufino/Scriba
13-Klabin Paran Papis
R. R. Rufino/Scriba
R. R. Rufino/Scriba
R. R. Rufino/Scriba
14 -Juca Martins/Pulsar
15 -Keystock
Reproduo
16 -Adam Jones/Keystone
Carlos Humberto TDC/
Pictor Brasil
17-Space Frontiers/Keystone
Jorge Arajo/Folha imagem
Steve McCurry/Magnum Photos
18-Monique Cabral/Abril Imagens
Marcelo Soubhia/
Folha Imagem
Ricardo Azoury/Pulsar
Juca Martins/Pulsar
20-Reproduo
22-R. R. Rufino/Scriba
Fernando Breda
27-R. R. Rufino/Scriba
28-Reproduo
29-INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
Reproduo
30-Reproduo (Mapoteca do 
Ministrio das Relaes 
Exteriores)
35-R. R. Rufino/Scriba
41-Reproduo
Reproduo (Papiro Greenfield, Museu Britnico, Londres)
Reproduo
42-Reproduo (Flammarion. L'Astronomie populaire, 1880)
Reproduo (Atlas Celarius,  	Bibliothque Nationale sc. XVI) 
Stock Photos
43-France Presse
47-Reproduo
51-Fbio R. Martins/Atual
Edson Caetano/Scriba
52-Reproduo
Eduardo Queiroga/Lumiar
55-Reproduo (Thodore de Bry. Bibliothque Nationale, Paris, 1618)
56-Laurent Renaud/Keystone 
(girafas)
Larcio Miranda/Angular (aves)
Hans Pfletschinger/Keystone (aranha)
Nancy Sefton/Stock Photos (peixe)
Flip Nicklin/Minden Pictures (golfinho)
Mark Moffett/Minden Pictures (formigas)
Stock Photos (tartaruga)
57-Ricardo Azoury/Pulsar
59-Carlos Carvalho/Angular
Fernando Pimentel/
Abril Imagens
60-Ricardo Rollo/Abril Imagens
61-Didier Ruef/Pulsar
62-Reproduo
Manoel Novaes/Abril Imagens
Ricardo Azoury/Pictor Brasil
63-France Presse
64-R. R. Rufino/Scriba
65-R. R. Rufino/Scriba
68-Frederic Jean/Abril Imagens
R. R. Rufino/Scriba
69-Mario Friedlander/Reflexo
Bruno Alves/Reflexo
Araqum Alcntara
73-Reproduo
77-Reproduo
78-Gregory G. Dimijian
France Presse
79-Fbio Colombini
Mauricio Simonetti/Pulsar
80-Peter Slegenthale/Keystone
Jeri Gleiter/Keystone
81-Delfim Martins/Pulsar
82-Cyntia Brito/Pulsar
83-Reproduo
84-Delfim Martins/Pulsar
Mauricio Simonetti
85-Reproduo
87-Reproduo	
88-Ricardo Funari/Pictor Brasil
R. R. Rufino/Scriba
89 -Reproduo
90-Mrio Leite/Abril Imagens
92-Salomom Cytrynowicz
France Presse
Cludio Rossi/Abril Imagens
95-Ricardo Chaves/Abril Imagens
98-Cleuber M. Brito/Scriba
99-Arquivo Folha de Londrina - Folha do Paran 
Pictor Uniphoto
100-Keystone
Ricardo Beliel
Marcos Csar Santos
101-Ricardo Chaves/Abril Imagens
Delfim Martins/Pulsar
Delfim Martins/Pulsar
104-Rogrio Reis/Pulsar
C. H. Schwarte/Keystone
106-Reproduo (detalhe)
107-Luiz Claudio Marigo/Tyba
108-Ricardo Beliel
D. Higgs/Keystone
Martti Lintunen
109-Ricardo Azoury/Pictor Brasil
Reproduo (Secretaria de 
Turismo do Rio Grande do Norte)
110 -Miriam Fichtner/Pulsar
111 -France Presse
112 -France Presse
113 -Reproduo
114 -Nasa/Science Photo Library
116 -R. R. Rufino/Scriba
119 -Reproduo (termoscpio)
R. R. Rufino/Scriba (termmetro)
122 -Mauricio Simonetti/Pulsar 
123 -Antonio Gaudrio/Angular
124 -R. R. Rufino/Scriba (IAPAR - Instituto Agronmico do Paran - Londrina)
125-Delfim Martins/Pulsar
127-Srgio Gurgel/Arquivo INPE
129-A. Perrier/MVA
130-Claudio Pedroso/Angular
132-Carlos Humberto TDC/
Pictor Brasil
Manoel Novaes/Pulsar
134 -Pictor Uniphoto
Carlos Humberto TDC/
Pictor Brasil
136 -Eberhard Bildeberg/Stock Photos
137 -Reproduo
139 -Monica Zarattini/Agncia Estado
140 -Bruno Alves/Reflexo
Zig Koch/Reflexo
142 -Fausto Pires de Campos/
Secretaria do Meio Ambiente 
do Estado de So Paulo
144-Pictor Uniphoto
Fbio Colombini
Juca Martins/Pulsar
148-Amilton Vieira
149-Manoel Novaes/Lumiar
Delfim Martins/Pulsar
Delfim Martins/Pulsar
150-Ricardo Azoury/Pictor Brasil
Eduardo Queiroga/Lumiar
Eduardo Queiroga/Lumiar
Alexandre Belm/Lumiar
152-Ricardo Azoury/Pulsar
155-Cristina Villares/Angular
Juca Martins/Pulsar
Rubens Guerra/Abril Imagens
Joel Rocha/Abril Imagens
156-Silas Siqueira/Reflexo
Luiz C. Murauskas/
Folha Imagem
157-Delfim Martins/Pulsar
Fbio Colombini
158 -Ricardo Beliel
159-Jean Solari/Reflexo
160 -Ricardo Azoury/Pulsar
Delfim Martins/Pulsar
Carlos Humberto TDC/
Pictor Brasil
162-Museu da Cia. Paulista
163-R. R. Rufino/Scriba
164-Juca Martins/Pulsar
165-R. R. Rufino/Scriba
170-Reproduo


